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03/04/14
Sustentabilidade da saúde: em busca de um novo modelo para antigos problemas
Todos os envolvidos na cadeia da saúde buscam soluções para prestar serviços de qualidade, com custo controlado, que sejam eficientes e atendam satisfatoriamente tanto ao cliente externo (paciente) quanto ao interno (corpo clínico) e que estes serviços sejam devidamente ressarcidos pelos payers do mercado (governo ou privado). Paralelamente a este cenário global, o Brasil enfrenta ao menos outros dois gargalos: aprender a lidar, gerir e custear gastos decorrentes do envelhecimento da população e acolher a classe C no mercado da saúde suplementar.

A sustentabilidade do setor representa o maior desafio dos líderes em saúde. As lições de casa estão sendo feitas, em graus diferentes de maturidade, pelos prestadores e pelos pagadores dos serviços. Entretanto, todos concordam que reduzir custos, aperfeiçoar processos, expandir leitos e formar times de alto desempenho não serão suficientes para o equilíbrio do setor a médio e longo prazos. Deve-se pensar na construção de um novo modelo no qual a busca pela parceria entre os envolvidos seja a premissa básica para as contratualizações. Este novo “Managed Care” pode ser alcançado por meio de alguns passos, que pressupõem mudanças de estratégia das organizações envolvidas:

- Transparência de comunicação entre operadoras e prestadores em suas tomadas de decisão;
- Posicionamento das operadoras como aliadas dos médicos, não apenas com os que compõem a rede credenciada, mas também estabelecendo relações próximas com formadores de opinião, líderes acadêmicos e entidades de classe;
- Pagamentos de honorários médicos baseados em custo-efetividade;
- Compartilhamento de base de dados entre operadoras e prestadores para o desenvolvimento de estratégias específicas para a gestão madura de casos de alto custo, resultando em benefícios para ambos; 
- Gestão das readmissões hospitalares de alto custo e/ou longa permanência em casos catastróficos por parte dos prestadores visando à construção de uma base de dados que possa ser compartilhada com as operadoras e que contribua para a gestão populacional;
- Acordos contratuais entre operadoras e prestadores que considerem também indicadores de qualidade de assistência ao paciente;
- Criação de um modelo de atenção mais eficiente, centrada no paciente e que incorpore práticas baseadas em evidências;
- Criação de acessos aos beneficiários a sites online ou aplicativos móveis que possam ajudá-los a tomar decisões de saúde de baixo custo e a se envolver ativamente na gestão da sua saúde;
- Utilização de infraestrutura e tecnologia que permitam análise conjunta de informações clínicas e financeiras que possam ser usadas para simplificar processos administrativos, oferecer apoio analítico para mitigar riscos, reduzir custos e melhorar a eficácia; 
- Gerenciamento do crescimento da demanda por serviços de TI, incluindo aumento da capacidade de armazenamento e processamento, desenvolvimento e implantação de ferramentas móveis para permitir que pacientes tenham participação e informação de sua saúde; adoção de aplicativos mHealth para o paciente ver resultados de exames, agendar compromissos e conectar-se com profissionais de saúde;
- Criação de ambiente aberto, no qual os pacientes possam fazer perguntas às equipes multiprofissionais, removendo as barreiras ao autocuidado eficaz;
- Inclusão de pacientes, cuidadores e famílias no planejamento da assistência pós-alta e adoção de plataformas que permitam feedbacks contínuos de monitoramento de pacientes em homecare e compartilhamento das informações entre os envolvidos (prestador, operadora e empresa de homecare);
- Estímulo e treinamento para que o paciente seja o gestor da sua própria saúde. 

A adoção de algumas destas medidas já pode ser sentida em determinadas instituições em graus variados de implantação, além de serem recomendadas por órgãos regulatórios nacionais e internacionais.

Como medida complementar, mas de vital importância, e talvez a mais inovadora visando a um novo modelo de relacionamento, os stakholders devem incorporar outro conceito: prestar serviços de saúde para indivíduos saudáveis, focados em  contribuir para a construção de programas de prevenção, estímulo à atenção multiprofissional e holística aos indivíduos. 

O entendimento de que a sustentabilidade do setor atinge a todos participantes da cadeia de valor da saúde é essencial, exigindo o desapego a questões de vaidades individualistas bem como a compreensão de que o compartilhamento de informações é necessário para a construção de um novo modelo de relacionamento. 
Adriana Gasparian
Adriana Gasparian
Adriana Gasparian é mestre em pediatria e MBA em economia e Gestão da Saúde, diretora executiva da EY para a área de saúde e atuou na Amil e Porto Seguro na área de contas médicas.

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