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08/09/14
O Papel dos Conflitos nos Negócios Familiares

Negócios familiares detêm, em sua base, alta carga emotiva protagonizada pelos membros da família empresária que os controlam. Conflitos gerados por divergência de idéias e expectativas entre os membros da família empresária são comumente encontrados neste cenário. E são úteis, no contexto, pois apoiam o processo de acomodação das regras de convivência entre pais, filhos, sobrinhos, netos, demais parentes, e agregados. Observe que, conflitos não trabalhados, podem derrubar a harmonia do grupo familiar e, até, destruir o patrimônio familiar, a médio-longo prazo. Construir dinâmicas para abordar e encaminhar soluções de conflitos, na família empresária, é uma postura sábia e preventiva. A partir deste ponto, passo a discutir alguns aspectos que podem apoiar a prevenção de conflitos, ou solucioná-los, no dia-a-dia dos negócios familiares.

I. Criar visão compartilhada do negócio – Visão é uma das ferramentas mais poderosas que movem as organizações. Ao criá-la e compartilhá-la com os membros da família empresária, os dirigentes estarão trabalhando em favor da perenidade dos laços familiares e perenidade da empresa.

II. Criar regras para a família, visando o negócio – Todos os membros da família empresária devem conhecer, ao menos, as questões fundamentais do negócio e saber o que se espera deles, no papel de sócios ou futuros sócios. A família empresária deve desenvolver um protocolo para tratamento das questões que envolvam a convivência de seus membros, com o negócio. A existência de regras claras, que sejam de conhecimento de todos os membros da família, possibilita reduzir as ambiguidades da convivência família-negócios, aumentar a segurança do posicionamento familiar e reduzir as eventuais disputas internas.

III. Projetar uma organização profissional – Negócio familiar organizado, reduz significativamente o espaço para conflitos entre sócios e familiares. No outro extremo, se estiver voltado para priorizar a dimensão familiar (com o fim de atender às necessidades e expectativas da família empresária), deixará de atender – a médio prazo – às demandas e especificidades do mercado, tornando-se estrategicamente vulnerável.

IV. Incorporar pessoas competentes, à estrutura do negócio – Empresas são, em essência, as pessoas que nela trabalham. Para servi-la devem ser contratados profissionais competentes, preparados para agregar valor ao negócio. Três regras básicas para contratação de pessoas, no negócio familiar: a) definição do perfil do cargo (e não da pessoa) que se deseja contratar; b) comparação das competências, habilidades e atitudes do candidato, com o perfil previamente desenhado, através de estratégias de seleção; c) observação estrita da regra de ouro para contratação: não contrate quem você não poderá demitir (é o caso da contratação de parentes, amigos e assemelhados), a menos que o processo de seleção revele compatibilidade total do perfil do cargo, com o candidato em questão.

V. Definir formalmente, cargos, funções e responsabilidades – Nos negócios familiares existem sementes que podem dar origem a conflitos dentro do desenho da organização, pois é tênue a relação entre membros da família, cargos que ocupam e relações de hierarquia (relação chefe-subordinado). Um exemplo: se houver conflito entre dois membros da família porque um deles dá ordens para colaboradores da equipe de outro membro da família, será importante esclarecer a relação entre essas áreas, seus líderes e aclarar o mal-entendido, com uma negociação formal entre os dois membros da família.

VI. Descrição das trajetórias de vida e carreira: Planos – Estratégia que vem sendo discutida e aplicada, com grande sucesso, mais recentemente. Tem como objetivo, não permitir a existência de ambiguidade no planejamento da vida profissional de lideranças familiares, conforme as circunstâncias do negócio da família, expectativas, interesses e habilidades pessoais, do membros da família empresária. A descrição das trajetórias profissionais reduz a incerteza daqueles familiares que se preparam para ocupar posições importantes na organização, mas também indica aqueles que não desejam tal trajetória.

VII. Encapsular o conflito – É tentador para qualquer ser humano envolvido em um problema, buscar alianças para compartilhar insegurança e mesmo, frustrações. Esta atitude, no ambiente de um negócio familiar pode aumentar a dimensão de um conflito, que poderia ser resolvido no âmbito das pessoas envolvidas. Imagine a situação em que um familiar está à procura de parcerias para agir contra outro membro da família, no ambiente do negócio. A atitude correta seria encapsular o conflito e resolvê-lo diretamente com o parente envolvido na questão. Membros de famílias empresárias envolvidos com a gestão dos negócios devem ter em mente a possibilidade de causar impactos não superáveis, sempre que tiverem a tentação de comentar situações profissionais, com outros membros da família, ou da organização.

*Artigo publicado na edição 26 da revista Diagnóstico.

Eduardo Najjar
Eduardo Najjar
Eduardo Najjar é expert brasileiro em Family Business. Consultor e palestrante associado da Empreenda, coordenador do GrandTour Family Business Internacional. É professor na ESPM e, além da Diagnóstico, é colunista do Blog do Management (Exame.com).

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