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07/07/14
A competitividade dos serviços privados de saúde no Brasil - Final

Recentemente, a Folha de S. Paulo, destacou que numa palestra pública de uma alta autoridade da indústria farmacêutica, o mesmo fez sucesso ao dizer que a inovação no setor saúde, no Brasil, é como Pilates, todos falam bem, mas poucos fazem. Risos, mas trágico.

Nas três últimas edições da revista Diagnostico, com este mesmo título, mostrei exemplos de inúmeras inovações tecnológicas que estão transformando o setor saúde no mundo, os possíveis riscos econômicos e de sobrevivência para as empresas privadas do setor no Brasil e a contínua aceleração das inovações de ruptura, o que ressalta a urgência do tema.

Nesta ultima parte, se apresenta a natureza do desafio para a rápida construção, nessas empresas, de uma capacidade adequada de gestão da inovação, necessária para fazer frente às ameaças e oportunidades mencionadas.

Para começar, como se trata de um tema complexo e novo, se requer uma compreensão uniforme do mesmo ao interior da empresa, o que pode ser feito com apresentações conceituais e metodológicas focadas na realidade específica de cada empresa. Entretanto, há empresas nas quais não existem as mínimas condições para se investir na inovação, sem uma profunda transformação organizacional. Assim, para seguir adiante, se recomenda realizar um diagnóstico organizacional específico, com o fim de avaliar a magnitude do esforço requerido para construir uma capacidade interna de gestão da inovação na empresa. Por sua importância para a sobrevivência da organização e complexidade, esta capacidade deve corresponder a uma função organizacional de importância semelhante ou superior às funções financeiras, mercadológicas ou operacionais. Deve ser confiável para responder, entre outras questões, a:

-Porque inovar? O que acontece se não inovamos?
-Quais inovações são críticas para nossa sobrevivência, competitividade, crescimento e lucratividade?
- Para quem inovar, em quais segmentos do nosso mercado?
-Quanto investir em inovação?
-Com quem inovar, dentro e fora da cadeia de fornecimento?
-Quando nossas inovações devem estar no mercado?
-Como levar a cabo essas inovações?
-Como avaliar o retorno no investimento e o sucesso das inovações?

Poucas empresas no país apresentam uma função organizacional dedicada somente para a gestão da inovação, com recursos humanos, orçamento e medidas de avaliação de desempenho próprios, que lhes permita inovar continuamente com sucesso, para garantir aumentos progressivos de sua competitividade e lucratividade.

A Clinica Mayo, nos EUA, estabeleceu há muito um centro para a inovação em ação, o qual tem mais de 100 projetos de inovação realizados, centrados no Redesenho da Prática Médica, Instalações e equipamentos, registros médicos, na transformação da saúde comunitária, nos serviços de saúde à distância e na segurança de pacientes em UTIs. O recente anúncio do licenciamento da base de dados de toda a prática médica da Mayo é resultado da ação do centro

As funções típicas da gestão da inovação na empresa, que incluem ativos tangíveis e intangíveis incluem, entre outras:
- A definição da estratégia de inovação da empresa e sua integração com a estratégia competitiva e de cooperação da mesma, incluindo a analise de tendências, gestão da inteligência tecnológica e competitiva e a mineração em bases de dados de patentes.
- A identificação e conformação da carteira de projetos de inovação, seu financiamento, sua implementação e avaliação, incluindo medidas e critérios de avaliação dos resultados.
- A gestão das atividades de influência no desenho de políticas publicas e obtenção de recursos financeiros propiciados por incentivos fiscais e financeiros de governos.
- A gestão dos riscos da inovação na empresa.
- A valoração dos aspectos propícios à inovação na cultura da organização e a eliminação das resistências organizacionais à mudança,
- A gestão das ideias, criatividade e atividades de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, internas ou externas`a empresa, incluindo a gestão eficiente de redes sociais.
- A gestão da integração entre as mudanças tecnológicas, organizacionais, estratégicas e de outra natureza na empresa.
- A negociação e implementação de contratos de transferência de tecnologia ou aquisições de outras empresas com ativos tecnológicos de interesse, e a gestão de sua absorção e melhora.
- A gestão do conhecimento e dos ativos tecnológicos da empresa, incluindo sua comercialização.
- A incorporação seletiva de tecnologias como big data e analytic software, internet das coisas e outras nos sistemas, processos e atividades da empresa, incluindo suas próprias metodologias.

E importante notar que algumas das empresas privadas do setor saúde já apresentam um embrião destas funções, relacionado com a implementação de tecnologias de informação e comunicação nos seus processos e sistemas de decisão e controle, que facilitaria a rápida construção de uma capacidade adequada de gestão de inovação na empresa. Nada parece ser mais urgente.

*Artigo publicado na edição 25 da revista Diagnóstico.

Fernando M. Machado
Fernando M. Machado
Fernando M. Machado é mestre em Administração pela Univesidade de Aston (Inglaterra) e presidente da Focototal Ltda. Foi diretor de Tecnologia das Nações Unidas entre os anos de 1981 e 2006.
08.09.14
A Competitividade dos serviços privados de saúde no Brasil - Ameaças e oportunidades na porta da frente - Epilogo

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