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28/11/11
Meta Internacional de Segurança – Identificação correta de pacientes

Um procedimento, de certa forma simples, quando não conduzido de forma adequada, pode causar sérios problemas. Ter a certeza de que o indivíduo que está sendo atendido ou tratado é de fato o paciente correto requer atenção de cada profissional de saúde. O momento de se identificar o paciente é, de fato, uma das grandes oportunidades de se cometer falhas ou erros no processo de cuidado. A inclusão dessa meta internacional está baseada em estatísticas internacionais que apontam a alta incidência de problemas com a identificação incorreta de pacientes. Essas falhas ou erros estão em geral relacionados com o registro incorreto do nome, seja em fichas de atendimento ou admissão ou no próprio prontuário, com a frequente incidência de homônimos e com a condução inadequada da verificação do nome do paciente, quando, por exemplo, o profissional não faz conferência com documentos de identidade com foto, principalmente quando o paciente está incapaz de responder sobre sua identificação.

 

O manual de acreditação internacional CBA-JCI esclarece o objetivo e a justificativa para a implementação da meta: “Os erros de identificação de pacientes podem ocorrer em praticamente todos os aspectos do diagnóstico e tratamento. Os pacientes podem estar sedados, desorientados ou não totalmente alertas; podem mudar de leitos, quartos ou setores dentro do hospital; podem ter deficiências sensoriais; ou podem estar sujeitos a outras situações que possam levar a erros de identificação. O propósito desta meta é duplo: em primeiro lugar, identificar de modo confiável o indivíduo como sendo a pessoa para a qual se destina o serviço ou tratamento; em segundo lugar, assegurar o devido serviço ou tratamento àquele indivíduo.”

 

A base para a implantação desses requisitos está na definição e estabelecimento de documentos institucionais chamados no manual de políticas e procedimentos. Esses documentos descrevem as diretrizes e práticas que devem ser adotadas por todos os profissionais que prestam cuidados, uniformizando o processo para a correta e segura identificação de cada paciente. A identificação correta pressupõe o uso de dois identificadores distintos, sendo que as instituições acreditadas, em sua maioria, têm utilizado o nome completo do paciente e a data do nascimento ou o número do prontuário do paciente. Outra lógica corrente é o fato de que o número do quarto ou do leito onde está o paciente não deve ser utilizado como identificador, uma vez que o paciente pode mudar várias vezes de local dentro da instituição. O uso de pulseiras de identificação tem sido a prática mais freqüente nas instituições acreditadas, incluindo a utilização de cores diferenciadas conforme o local ou área de atendimento ou admissão de cada paciente, tornando mais fácil a sua visualização e diferenciação em meio ao conjunto geral de pacientes. Essa distinção por cores também tem sido utilizado para sinalizar uma condição de risco ou vulnerabilidade de cada paciente, como, por exemplo, risco para quedas ou o fato de que o paciente ter uma deficiência auditiva ou visual. Essa estratégia pode ser entendida como um aprimoramento do processo de identificação do paciente.

 

Vale ressaltar que no trabalho de consultoria que desenvolvemos como parte do programa de implantação e educação do Programa de Acreditação Internacional CBA-JCI, a etapa mais difícil não é exatamente a da elaboração e estabelecimento de documentos que descrevem todos os procedimentos. Sem dúvida, a dificuldade está na necessidade de se estabelecer a mudança no padrão de conduta dos profissionais frente aos novos requerimentos propostos pelos padrões do manual internacional. A meta internacional de identificação requer que cada paciente seja efetivamente identificado antes de se administrar medicamentos, sangue ou hemocomponentes, antes da coleta de sangue e de outras amostras para exame e antes da administração de tratamentos e da realização de procedimentos. A maior prioridade de investimento é o do treinamento e educação de forma regular e periódica, visando estabelecer uma consciência e mobilização pautadas no claro entendimento da necessidade e do benefício do procedimento de identificação como uma etapa de segurança importante no processo de cuidado. A simples atitude mecânica dos profissionais frente a um procedimento descrito não garante sucesso na implementação da meta internacional.

 

Identificar corretamente par prestar o melhor cuidado ao paciente certo!

Heleno Costa Júnior
Heleno Costa Júnior
Heleno Costa Júnior é diretor de Relações Institucionais e Coordenador de Educação do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA). Também é especislista em Administração Hospitalar pela UERJ e em Acreditação Internacional pela Joint Comission International.

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