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05/03/13
Pare de se preocupar com a sua performance

Na noite anterior ao nosso casamento, Eleanor e eu permanecemos desajeitadamente no centro de uma sala ampla, cercados por nossas famílias e amigos íntimos. Não havia uma razão em particular para que estivéssemos desconfortáveis; era apenas um ensaio. Ainda assim, nós éramos o centro das atenções e as coisas não estavam saindo de forma muito tranquila. Nem o rabino nem o cantor haviam chegado e nós não sabíamos onde nos posicionarmos, o que dizer ou que fazer.

 

Levou 11 anos – e muito trabalho – para chegarmos a esse ponto. Eleanor é episcopaliana, filha de um diácono, e eu sou judeu, filho de uma sobrevivente do holocausto. A única coisa que os nossos pais concordaram antes do casamento era que nós não deveríamos nos casar.

 

Uma amiga nossa, Sue Anne Steffey Morrow, uma ministra metodista, ofereceu-se para substituir os oficiantes judeus que estavam ausentes. Ela nos moveu durante o ensaio, posicionou as pessoas, leu as orações e suavizou o nosso humor com algumas poucas piadas oportunas.

 

Quando o ensaio terminou e nos sentimos mais relaxados, ela deu a Eleanor e a mim um pequeno conselho que permanece um dos melhores que eu já recebi.

 

“Amanhã, centenas de pessoas estarão observando vocês no dia mais importante de suas vidas. Tentem lembrar disso: não é uma performance; é uma experiência” .

 

Eu adorei o que ela disse: “tentem lembrar”. Aparentemente, é fácil lembrar, mas na realidade é quase impossível porque muito do que fazemos soa como uma performance. Nós somos rotulados na escola e obtemos avaliações de desempenho no trabalho. Nós vencemos corridas, ganhamos títulos, recebemos aplausos e algumas vezes ganhamos fama, tudo por causa da nossa performance. Mesmo pequenas coisas, como liderar um encontro, uma conversa no corredor ou o envio de um e-mail são seguidos pela silenciosa, mas sempre presente, questão: “Como foi?”.

 

Em outras palavras, nós pensamos que a vida é uma performance porque, bem, de certa maneira, é sim. Nos sentimos julgados pelos outros porque, muitas vezes, somos. E sejamos honestos, não são apenas eles que nos julgam. A maioria de nós consome uma considerável quantidade de energia julgando os outros também. O que, obviamente, apenas reforça a nossa experiência em sermos julgados. E alimenta o nosso desejo de uma performance.

 

Mas aqui está o paradoxo: viver a vida como uma performance não é apenas uma receita para o estresse e a infelicidade; isso também leva a uma performance medíocre.

 

Se você quer melhorar em qualquer atividade, você precisa experimentar com a mente aberta, tentar e fracassar, para voluntariamente aceitar qualquer resultado e aprender com ele.

 

E uma vez que você atinja um resultado satisfatório, precisa querer sacudir de novo e tentar algo diferente. Os melhores desempenhos vêm daqueles que são eternos aprendizes. E a definição de eterno aprendiz é alguém que está constantemente tentando novas coisas. Isso requer performances ruins em grande parte do tempo e, de forma imprevisível, performances brilhantes em algumas ocasiões.

 

Se você encara a vida como uma performance, os seus fracassos serão tão dolorosos e aterrorizantes que você vai parar de experimentar. Mas se você enxerga a vida como uma experiência, os seus desacertos serão apenas parte dessa experiência.

 

O que faz uma performance diferente de uma experiência? Está tudo em sua cabeça.

 

Você está tentando parecer bem? Quer impressionar os outros ou ganhar algo? Está buscando aceitação, aprovação, elogios, uma salva de palmas ensurdecedora? Dói muito quando você não conquista essas coisas? Provavelmente, você está em uma performance.

 

Se você estiver experimentando, por outro lado, você pode explorar o que sentir em determinadas situações. Tentando ver o que aconteceria se...

 

Quando você está experimentando, pode apreciar resultados negativos da mesma forma que os positivos. Claro que aceitação, aprovação e elogios fazem bem, mas essas coisas não determinam o sucesso. O sucesso depende do quanto você imerge completamente na experiência, não importa o que se verifica e o que você aprende disso. É um ganho que você pode obter independente dos resultados.

 

Quando você está tendo uma performance, o seu sucesso é perturbadoramente curto. Assim que você atinge uma determinada milhagem ou recebe uma ovação, não tem mais importância. Sua pergunta inacabável é: o que vem agora? 

 

Quando você está experimentando, entretanto, não se trata do resultado final, mas do momento. Você não está correndo atrás de uma sensação vindoura, está sentindo o momento. Não pode ser manipulado por uma avaliação externa e inconstante porque está sendo motivado por uma avaliação interna estável.

 

Então, como podemos abandonar a performance em favor da experiência? Aqui vai algo que me ajudou: muitas vezes ao dia, eu completo essa sentença: “Isto é o que se sente ao...”.

 

Isso é o que se sente ao receber um elogio. Isto é o que se sente ao se apaixonar. Isto é que se sente ao escrever uma proposta. Isto é o que se sente ao se apresentar a um CEO. Isto é o que se sente em uma situação constrangedora Isto é o que se sente quando se é apreciado.

 

Dizer isso, e sentir qualquer coisa que esteja vindo, me leva instantaneamente à experiência. A performance perde a sua primazia e a minha mente libera-se do foco nos resultados.  Não há maus sentimentos; todos eles fazem a vida mais rica. 

 

No dia do nosso casamento, eu aceitei o conselho de Sue Anne. E quando olho para trás agora – passados 13 anos — os momentos eu que lembro com mais clareza e com mais carinho são as coisas que não ensaiamos, as coisas que deram errado, mas que de alguma forma deram vida ao casamento. Mesmo o nosso ensaio, que claramente não saiu como planejado, com o rabi não aparecendo, foi perfeito por ter nos levado a integrar uma ministra, especialmente importante para Eleanor e sua família, em uma maneira mais substancial do que havíamos pensado.

 

Como uma performance, eu não tenho a menor ideia de como o julgaria. Mas como uma experiência foi perfeito. Uma experiência sempre é perfeita.  

 

*Texto publicado originalmente na Harvard Business Review.

Peter Bregman
Peter Bregman
Peter Bregman é escritor, consultor e colabora regularmente com a Harvard Business Review, Fast Company, Forbes, National Public Radio (NPR), Psychology Today, e CNN, além de ser comentarista semanal na Fox Business News.

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