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03/10/16
Ensaios: Construindo a excelência do sistema de saúde
Francisco Balestrin, presidente da Anahp, escreve sobre melhores práticas no setor
Francisco Balestrin*
Qual é o papel do hospital na construção da excelência do sistema de saúde. Esse foi o nosso maior questionamento ao longo de 2015, compartilhado com renomados especialistas nacionais e internacionais em dois workshops e no maior congresso de hospitais já realizado no país.  

Como representante dos hospitais privados nacionais de referência, essa preocupação faz todo sentido. Isto porque, quando recebemos um paciente agudo em um de nossos hospitais, é sinal – na maioria das vezes – que o sistema de saúde falhou. O sistema falha ao não prover as condições necessárias a uma vida saudável. O sistema falha ao não criar mecanismos e estímulos para que o paciente gerencie adequadamente a sua condição crônica. O sistema também falha ao não participar do esforço para que a segurança nas estradas e nas cidades do nosso país seja uma prioridade. 

Para o hospital, chegam, muitas vezes, as consequências destas múltiplas falhas. E, para atendê-lo, devemos estar prontos, ter capacidade e o domínio da técnica para dar a melhor atenção possível. E, mais do que isso, cabe a nós dar mais um passo e discutir como criar valor para esse usuário da saúde. 

O hospital não deve ser mais o começo ou o fim do sistema de atenção à saúde. Ao contrário – o hospital deve assumir o seu papel de elemento nuclear de uma rede integrada de cuidados com a saúde. A discussão sobre valor dos cuidados com o paciente é mais do que o restabelecimento da saúde. E, nesse sentido, temos que considerar pelo menos três grandes desafios. 

Os hospitais não podem criar valor sem considerar a visão do paciente. Estamos na era da informação, e cuidamos de pessoas cada vez mais informadas e conscientes das próprias necessidades. Precisamos empoderar os nossos usuários para que, juntos, tomemos melhores decisões, com melhores resultados sob a ótica do paciente.

Não podemos criar valor sem considerar custos. A sustentabilidade do sistema de saúde precisa ser uma preocupação primordial de cada um de nós que atuamos no setor. A limitação de recursos é um fato inescapável da realidade. É nossa missão para com a sociedade e para com os nossos pacientes, presentes e futuros, fazer o máximo com aquilo que temos.

Não podemos criar valor sem considerar os resultados para o sistema como um todo. Podemos servir melhor à nossa comunidade não apenas ao cuidar com eficácia dos atendimentos em eventos agudos e graves, mas, principalmente, quando evitamos que estes eventos venham a ocorrer, trabalhando para induzir saúde na população.

O hospital tem hoje um papel fundamental de garantir o acesso à saúde. Somos a linha de frente de uma luta contra a dor, a doença e a morte. Temos a missão de ser, nesta batalha, os mais valorosos soldados; mas nosso papel não acaba aí. Devemos também ser os mais astutos generais, mobilizando os recursos, o domínio do estado-da-arte da técnica, da ciência e da estratégia, e os líderes mais capacitados para atingir os nossos fins: uma saúde melhor para os brasileiros.

Os hospitais reúnem todas essas capacidades e podem ser, junto com outros atores, protagonistas importantes das mudanças necessárias para o nosso sistema de saúde. A nossa luta é diária para a melhoria dos nossos processos, para que os protocolos sejam cumpridos e para que os nossos pacientes recebam os cuidados necessários em um ambiente de acolhimento, com segurança e resolutividade.

Para tanto, a nossa visão da construção da excelência assistencial exige, como base, três eixos estratégicos: o da inovação, que permite trazer melhorias constantes no cuidado aos nossos pacientes; o da liderança, que permite que as melhorias sejam implementadas e que os pacientes sejam mantidos no foco das organizações; e o da construção de novos modelos, que olha para a frente e pergunta como precisamos nos organizar para melhor cuidar das pessoas no futuro. 

Assim, a excelência é um exercício permanente – o único capaz de disseminar as melhores práticas para o setor hospitalar como um todo e agregar à cultura brasileira a saúde como um valor maior.

*Francisco Balestrin é presidente do Conselho de Administração da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados) e presidente da Associação Mundial de Hospitais (IHF).

**Ensaio publicado na revista Diagnóstico nº 32.

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