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05/06/12
A amplitude das habilidades gerenciais, por Paulo Lopes
Headhunter discute necessidade de equilíbrio dos conhecimentos técnicos, humanos e gerenciais do executivo
Paulo Lopes*

O campo de habilidades gerenciais é muito amplo. Por esse motivo, ele foi sistematizado em três categorias: habilidades técnicas, habilidades humanas e habilidades conceituais. As habilidades técnicas representam o conhecimento específico de um cargo gerencial. Estão, normalmente, atreladas à área de gerenciamento, nos aspectos da produção: conhecimento de método, processo, PCP, equipamentos e logística. Nas finanças: orçamento, fluxo de caixa, análise de riscos e balancetes. Nos recursos humanos: seleção, recrutamento, legislação trabalhista, treinamento de pessoal etc. Quando dizemos que uma pessoa “é do ramo”, sinalizamos que ela domina as habilidades técnicas do setor em que atua.

 

As habilidades humanas são as do gerente, principalmente no trato com as pessoas. Trata-se de uma forte competência para liderar, delegar, motivar, aconselhar, valorizar e comunicar-se. É a habilidade que relaciona a missão de um gestor a outras e dá um sentido de unidade de ação nas operações organizacionais.

 

As habilidades conceituais representam a necessidade de que o gerente tenha uma visão do todo, ou seja, uma visão “macro”. É a habilidade que requer o olhar além das fronteiras de uma área; é preciso entender as relações entre os diversos setores, ou melhor, saber como a organização se relaciona com o ambiente externo. Executivos podem ser competentes tecnicamente e nos relacionamentos interpessoais, mas sujeitos ao fracasso quando incapazes de processar e interpretar corretamente a informação.

 

As habilidades mudam de peso em função do nível hierárquico do executivo. Seu modelo original tem a seguinte configuração: presidente, vice-presidente, diretor, gerente, chefe de departamento, superintendente, empregado. Estudos analisam o desenvolvimento das habilidades gerenciais e definem como sendo habilidades técnicas, habilidades interpessoais, habilidades conceituais e habilidades de comunicação, conforme distribuição pelos três níveis de decisão de uma empresa: gerência de primeira linha, gerência mediana e gerência sênior.

 

Nota-se, portanto, uma importante mensagem: o executivo inicia sua carreira dando um peso muito grande à área técnica e humana, mas, à medida que o tempo passa e ele vai crescendo funcionalmente, concede cada vez menos peso à área técnica, que vai sendo gradativamente substituída pela habilidade conceitual. A habilidade humana permanece constante, apenas se transformando de integral para intergrupal, uma vez que a constatação de relacionamentos gerenciais é intensa. Pesquisas revelam que as qualidades-chaves consideradas fundamentais e valorosas para o executivo são: habilidade para tomar decisões; liderança; integridade; entusiasmo; imaginação; vontade de trabalhar duramente; habilidade de análise; habilidade de apreciar oportunidades; habilidade de fazer acontecer.

 

O gerente deve vivenciar o presente estabilizando atividades, mas também dinamizá-las, pensando no futuro. A tarefa de gerenciamento é conflituosa, já que o gerente deve atingir resultados, motivar pessoas, assegurar certo grau de certeza, segurança e previsibilidade nas operações, sempre visando à produtividade. E, por outro lado, desenvolver ideias novas, pois, sem inovação, a organização perde a capacidade de reagir ao meio ambiente com a devida rapidez.

 

Nota-se, então, que o executivo precisa ser um verdadeiro “malabarista” de demandas conflitantes, dinâmicas e multipolarizadas. Conflitantes porque implicam atender exigências que, em muitos casos, são mutuamente exclusivas; dinâmicas porque variam ao longo do tempo e com alta velocidade; e multipolarizadas porque provêm das mais diversas direções e fontes – com alta dose de pressão e agilidade por respostas. Assim, o executivo não pode fugir de seu difícil papel. Receitas mágicas não existem, e nem fórmulas infalíveis.

 

As principais habilidades inerentes ao gerenciador são: conviver com incertezas – saber aonde se quer chegar – e conviver com ganhos e perdas, pois, se em nossa sociedade só vale ser o primeiro, é importante administrar conflitos. Outro traço importante é caminhar com agilidade do micro para o macro e vice-versa, colocar-se no lugar do outro e procurar o significado dos acontecimentos.

 

A função do executivo caracteriza-se pela necessidade de um constante e enorme esforço pessoal, um trabalho que exige contínua atenção, ação e investimento, mas que acaba por representar a única forma de sair do circulo “vicioso” já estabelecido no cotidiano. Assim, pode-se verificar que as habilidades gerenciais parecem ser muito importantes para a performance do executivo. Contudo, tais características estão fortemente interligadas com o perfil de cada profissional, fator que torna necessária a abordagem individual, sua evolução e tendências para os próximos tempos.

 

*Paulo Lopes é CEO do Grupo Organiza, diretor da Associação Comercial da Bahia, headhunter, coach, palestrante e autor do livro “Segredos de um Headhunter”.

 

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