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01/03/18
Chega ao Brasil novo tratamento contra câncer de mama avançado
Medicação conseguiu frear o avanço de tumores de mama mesmo em casos avançados
Da redação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou a comercialização de mais um tratamento contra o câncer de mama no Brasil. Trata-se do palbociclibe, que é voltado especificamente para os casos avançados, em que a doença já acometeu boa parte da região ou mesmo se espalhou para outros lugares do corpo.

São duas as indicações para essa droga. A primeira envolve mulheres na pós-menopausa com tumores nos seios que são estimulados pelo hormônio feminino estrogênio, mas que não possuem relação com gene HER-2. Essas particularidades podem parecer um pouco complicadas, embora corresponda por mais ou menos 60% dos casos de câncer de mama.

Nessa situação, o palbociclibe entra em cena como primeiro tratamento de escolha em conjunto com o letrozol, um tipo de hormonioterapia que inibe a ação do estrogênio nas células cancerosas. Isso, quando o tumor invadiu outros órgãos.

De acordo com os estudos que garantiram a comercialização, o palbociclibe e a hormonioterapia, juntos, foram capazes de frear a progressão do câncer, em média, por 25 meses. Já quando aplicada em associação com uma pílula sem qualquer efeito real, a terapia hormonal garantiu não mais do que 14 meses de sobrevida livre de progressão da doença.

Mas há ainda outro cenário em que o fármaco pode ser prescrito - em adultas de qualquer faixa etária nas quais aquele tipo de câncer de mama tenha avançado mesmo após o uso de alguma hormonioterapia isolada. Dessa forma, ela entra como uma segunda linha de tratamento, em conjunto com outra substância – o fulvestranto.

Vale destacar que isso não significa necessariamente de mais tempo de vida. As pesquisas mostram, acima de tudo, que a paciente que recebe o palbociclibe permanece um maior período com sua doença controlada – o que já é uma ótima vantagem principalmente em termos de qualidade de vida. Sendo assim, ele inibe a ação de moléculas que incitam a proliferação do câncer de mama e, de certa forma, impede que a doença desenvolva uma resistência contra a hormonioterapia. 

Por atuar de maneira mais seletiva, o palbociclibe oferece menos reações adversas do que as sessões tradicionais de quimioterapia. E pode ser administrado oralmente – sem a necessidade de infusões. O valor do palbociclibe ainda está sendo discutido com as agências reguladoras nacionais. Mas, de início, ela não fará parte da cobertura obrigatória dos planos de saúde. No setor público, uma eventual incorporação deve demorar.

O remédio já está disponível desde 2015 nos Estados Unidos. E, na União Europeia, foi aprovado em 2016.
Há outros tratamentos possíveis para os demais subtipos da doença, em diferentes estágios. Quando o tumor é detectado em seus primeiros passos, a chance de cura é mais alta e envolve métodos mais conhecidos, como a cirurgia.



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