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20/09/16
Claudio Lottenberg: médico que se torna gestor inicia a trajetória um passo à frente
Líder do HIAE afirma que “se não tivesse abandonado o consultório, não teria ajudado a construir tantas iniciativas importantes e que hoje beneficiam
Mara Rocha

O último dia do Fórum Médicos S/A, sexta-feira (16), começou com palestra do presidente do Hospital Israelita Albert Einstein e criador da rede de clínicas Lotten Eyes, o médico Claudio Lottengerb. Um dos executivos mais influentes do mercado de saúde brasileiro, atualmente cotado para assumir o comando da Amil, maior operadora de planos de saúde do país, o gestor falou sobre o desafio de gerir um grande negócio, sem abrir mão da carreira médica, com o tema “Médico, empresário e CEO: uma experiência transversal”. A mediação foi do diretor-geral da Pedra Angular Investimentos, Marcelo Quadros.
Formado em 1984 pela Escola de Medicina da USP, aos 34 anos Lottenberg já possuía Mestrado e Doutorado em Medicina. Segundo ele, o médico que se torna gestor já inicia a trajetória um passo à frente dos demais. “A visão de um médico é superior a de um não médico, e isso favorece a melhor gestão por parte desse profissional”, garante.
Mas há outros elementos tão importantes quanto a formação para o sucesso da carreira executiva. Fatores como os valores judaicos, aprendidos por Lottenberg com o pai, sua maior referência, a embasar as ações do gestor que logo se tornaria. “Tecnicamente a gente sempre está apto a aprender, e a parte técnica está sempre em mudança. Mas é necessário o bom caráter para a qualidade do exercício profissional e de liderança”, acredita o executivo.
A relação com a família também foi fundamental em todas as empreitadas de Lottenberg. “É ela que joga o profissional para cima”, afirma o gestor, enquanto apresenta em slides outras referências de sua vida. “Pessoas que inspiram, que uso como referências de convívio”, conta. Nas imagens, nomes como Reinaldo Brandt, de quem foi vice-presidente quando ingressou pela primeira vez na administração do Einstein, em 1985, o pesquisador cirurgião vascular e endovascular Nelson Wolosker e o proctologista e cirurgião, Sidney Klajner, provável sucessor de Lottenberg no Einstein.
Nem mesmo a escolha da equipe passa despercebida pela gestão do médico. “Procuramos trazer pessoas que são complementares e, ao mesmo tempo, por vezes antagônicas, que possam me mostrar outros lados”, conta Lottenberg, revelando que vê no pluralismo da equipe a forma ideal para obter melhores resultados. 
Novos desafios – Este ano, Lottenberg enfrenta mudanças desafiadoras na carreira de gestor e empresário: a saída em dezembro da presidência do Albert Einstein, após 15 anos no cargo, e a recém-assinada venda da Lotten Eyes, adquirida pelo grupo UnitedHealthcare, que controla a Amil, por cerca de R$ 200 milhões, operação não comentada por Lottenberg durante a palestra. Segundo rumores divulgados recentemente na imprensa nacional, o passo seguinte será assumir o cargo de presidente da Amil, em 2017, informação também não confirmada pelo executivo. 
A Lotten Eyes surgiu nos anos 90, a partir de uma mudança de comportamento observado nos pacientes, como relata Lottenberg. “Antes, as pessoas iam ao oftalmologista trocar de óculos. Elas passaram a ir para deixar de usar óculos. Daí percebi essa movimentação e identifiquei uma tendência antes dos demais”. Acertou em cheio. Fundada em 1989, a rede de clínicas se tornou um case de sucesso e possui atualmente 18 unidades em bairros nobres da capital paulistana, integradas em uma plataforma tecnológica robusta. 
Trajetória no Einstein – Sobre a decisão de se tornar gestor e não abandonar a carreira de médico, Lottenberg acredita ter feito a escolha certa. “Eu tinha uma visão da Medicina muito importante e avançada, quando, no início da carreira, surgiram as oportunidades de gestão e direção, mas eu não queria deixar a assistência. Hoje sei que, se não tivesse abandonado o consultório, não teria ajudado a construir tantas iniciativas importantes e que hoje beneficiam a tantas pessoas”.
Iniciativas como a da introdução do atendimento ao sistema público no Albert Einstein, medida que, na época, causou gerou grande oposição. Apesar da resistência encontrada, a iniciativa foi um sucesso. “Hoje, o hospital atende mais SUS do que privado”, comemora o gestor. As medidas polêmicas não pararam por aí. Em 2016, a instituição abriu a primeira turma de sua Faculdade de Medicina, ação que também suscitou questionamentos por parte da comunidade acadêmica. “Acharam que havia um alinhamento político”, lembra o executivo, referindo-se ao à polêmica chegada dos médicos cubanos ao país. “Mas precisávamos mesmo de mais médicos no Brasil, e abrimos o curso em uma instituição séria e de qualidade”, orgulha-se.
Os arrependimentos de Lottenberg, quem diria, não têm a ver com as escolhas do médico, gestor ou empresário. “Gostaria de ter tido mais experiências internacionais ainda jovem. E teria feito mais esporte, estudado música”, revela.



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