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03/01/12
Cresce a procura por gestores para contratos temporários
Modelo custa menos às empresas e a economia se traduz em honorários agressivos de até R$ 100 mil mensais
Da redação

Cresce cada vez mais o número de empresas brasileiras que optam por contratação de executivos a tempo determinado. A explicação para isso é a escassez de talentos nos níveis mais altos de gestão. Os novos contratos, no geral, estão relacionados à estruturação de uma subsidiária de uma multinacional no país, à construção de uma planta industrial ou ao início de um projeto de profissionalização. Esse tipo de negócio custa menos às empresas e a economia se traduz em honorários agressivos, que podem chegar a até R$ 100 mil mensais, como afirma Adriana Prates, sócia da consultoria Dasein. As informações são do Valor Econômico.

 

Segundo Prates, "os executivos são contratados como diretores estatutários, que não têm os mesmos encargos da CLT e por essa razão acabam custando menos para a empresa". O caráter transitório de muitos dos contratos ainda é motivo de preocupação para alguns executivos, mas o mercado brasileiro deve se acostumar ao modelo. Para a executiva, o sistema é muito popular nos Estados Unidos e na Europa, onde o temporário de alto escalão é chamado de "interim manager" (algo como gestor interino, na tradução para o português). "Nessa estrutura, as pessoas têm horários menos rígidos para trabalhar, o que atende às demandas de qualidade de vida bastante valorizadas pelos executivos mais experientes", afirma.

 

Apesar da preocupação, nos últimos dois anos cresceu o número de consultas de profissionais interessados em entender o novo modelo, como explica a advogada trabalhista Adriana Calvo. Segundo ela, "o diretor estatutário é um prestador de serviços com um tipo de contrato diferente da CLT. Além disso, ele é eleito por um conselho ou por uma assembleia geral".

 

Valseni Braga, diretor geral do Sistema Batista Mineiro de Educação, precisou passar pelo crivo do conselho para assumir o grupo, que tem 11 unidades educacionais e mais de mil funcionários. Há três anos, motivado pelo desafio profissional, o executivo decidiu sair da Infraero, onde trabalhou por mais de duas décadas, para reestruturar a instituição, projeto que durará pelo menos mais dois anos. Parte do trabalho do executivo tem sido definir o planejamento estratégico da empresa, estruturar áreas como a de marketing e comunicação e contratar profissionais.

 

Inspirada no modelo de "interim manager", a Eksper iniciou suas operações no país há um ano. Desde então, tem percebido aumento crescente na demanda por temporários em áreas como finanças e recursos humanos. "Ele é recomendado quando a empresa precisa conquistar novos mercados, criar unidades de negócios ou fazer uma transição organizacional", afirma Donizetti Moretti, um dos gestores interinos da Eksper. Segundo ele, é importante que esse tipo de executivo tenha um perfil adequado para os projetos temporários. A flexibilidade é um dos pré-requisitos e permite que o profissional trabalhe em mais de um projeto ao mesmo tempo, o que pode ser vantajoso tanto para o executivo quanto para a companhia.

 

O economista Edgar Viana esteve de ambos os lados. Ele começou a carreira como executivo da área financeira e chegou a ser CFO nos dois modelos, como empregado e como estatutário. Duas passagens recentes aconteceram na francesa Veolia, empresa de tratamento de água e resíduos, e na Essencis Soluções Ambientais. "São realidades diferentes. O estatutário tem uma responsabilidade maior, em alguns casos, precisa ter uma visão muitas vezes de dono sobre o negócio", compara. A carga de comprometimento adicional, segundo ele, pode não compensar o salário mais alto. "É uma posição que permite muitos desafios e possibilidades, mas também é mais estressante. O bônus pode não compensar o ônus", afirma.



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