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25/08/15
Cresce o número de cursos de medicina sem estrutura no país
Segundo levantamento inédito do Conselho Federal de Medicina (CFM), nenhuma instituição de ensino médica do país tirou a nota máxima na última avaliação do Inep
G1

Um levantamento inédito do Conselho Federal de Medicina (CFM) revelou que as faculdades de medicina se transformaram em balcões de negócios, com a qualidade do ensino em segundo plano e sem a estrutura adequada para formar médicos. De acordo com o Conselho, o número de faculdades disparou nos últimos anos. Em sua maioria, são instituições particulares e com mensalidades que chegam a R$ 11 mil. Em alguns casos, o preço não significa qualidade. Com informações do CFM e do Fantástico.

De acordo com José Hiram Gallo, conselheiro do Conselho Federal de Medicina, a abertura de cursos médicos virou um balcão de negócios e a medicina brasileira está em decadência. Para Carlos Vital, presidente do Conselho Federal de Medicina, a medicina precisa de campo de prática e os alunos precisam ser levados às enfermarias.

Na nova Faculdade Mineirense (Fama), sediada em Mineiros, por exemplo, as salas de aula e laboratórios estão prontos. Mas falta o espaço para a formação prática. Os últimos dois anos do curso são dedicados ao estágio, chamado de internato, que é diferente da residência, que vem após a formatura, como especialização.

Para cada vaga de curso de medicina, o MEC exige um mínimo de cinco leitos do SUS, ou conveniados, para o internato. A Fama abriu 200 vagas. Logo, seriam necessários mil leitos. Mas ainda não há hospital universitário, consultórios, nem campus exclusivo pra faculdade de medicina. Além disso, a rede pública da região, com 379 leitos, não comportaria o número de alunos. Seriam necessários mais 600 leitos para cumprir a exigência do MEC.

Segundo o diretor da faculdade, Alessandro Rezende, convênios foram realizados para que haja mil leitos e, para atingir a cota, a faculdade promete vagas de estágio em Goiânia, a mais de 400 quilômetros de distância.

Carlos Vital observa que a distância é absolutamente incompatível com o processo de ensino de aprendizado. Além disso, a Secretaria Estadual de Saúde de Goiás diz que o convênio não existe. Nelson Bezerra, da Secretaria Estadual de Saúde de Goiás, disse ao fantástico que nenhum contato foi realizado. Devido à falta de leitos para o estágio, o MEC não autorizou a abertura do curso. Mas a faculdade conseguiu uma liminar na Justiça para funcionar e os alunos que passaram no vestibular começaram as aulas nesta segunda-feira (24), pagando mensalidade de R$ 7 mil.

De acordo com Maria do Socorro de Souza, presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), o profissional de medicina que vai se formar na Fama pode sair mal formado. Ela acrescenta que, além de ser caro para a família, é um custo caro para a sociedade, porque muitos deles podem dispor do crédito educativo.

Nos últimos cinco anos, de acordo com o levantamento do CFM, 81 escolas médicas foram abertas. Esse número é quase a metade do total de faculdades de medicina criadas em mais de 200 anos. Para o governo federal, a abertura de novas faculdades é necessária porque faltam médicos no Brasil.

Para Luiz Cláudio Costa, secretário executivo do Ministério da Educação, o país está muito abaixo do que se espera com o número de médicos. Atualmente, o Brasil possui 1,8 médico por mil habitantes. A média das Américas, incluindo Estados Unidos, é de 2,2. E a da Europa é 3,3. Costa. reforça que o Brasil está muito abaixo ainda do desejável no mundo, até perto dos países vizinhos. 

O professor titular da Faculdade de Medicina da USP, Milton de Arruda Martins, especializou-se em educação médica e estudou o surgimento recente de escolas de medicina. Segundo Martins, o número de faculdades existentes hoje seria suficiente para ultrapassar até os padrões europeus. Ainda segundo Martins, a falta de médicos no país poderia ser resolvida com a expansão do número de cursos de medicina que já existem. Para martins, o que o Brasil precisa é de médicos com formação de qualidade.

Em Porto Velho, são três faculdades de medicina. Nenhuma possui local próprio para estágio. Na Universidade Federal de Rondônia, alunos fazem estágio no Hospital Estadual João Paulo II, que apresenta excesso de alunos, às vezes oito para dez leitos, situação que incomoda até os pacientes. Segundo um funcionário da instituição, os alunos ficam a maior parte do tempo sem supervisão.

Na Hospital Infantil Cosme e Damião, também em Porto Velho, vários estudantes atuam sem nenhum professor acompanhando. O representante de Rondônia no Conselho Federal de Medicina, José Hiram Gallo, alertou que poderiam até morrer por falta de um atendimento adequado. Para o coordenador de estágio da Universidade Federal de Rondônia, José Ferrari, a presença do professor é indispensável.

Mas as condições precárias de estágio são apenas uma das deficiências das escolas de medicina brasileiras. O estudo do Conselho Federal de Medicina mostra também que nenhuma faculdade de medicina do país tirou a nota máxima na última avaliação do Inep, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais. Numa escala de um a cinco, mais da metade teve nota menor ou igual a três.

O estudo também chama a atenção para a abertura de escolas em cidades que não têm estrutura para estágio. Nos últimos dois anos, foram 20 casos. Mário Scheffer, professor da Faculdade de Medicina da USP, analisou médicos formados no interior nos últimos 30 anos e concluiu que apenas um em cada cinco permanece na cidade onde se formou.

O estado de São Paulo concentra o maior número de escolas médicas do país: 44. O Conselho Regional de Medicina do estado é o único que aplica uma prova para recém-formados. Nos últimos três anos, o desempenho das particulares foi bem pior que o das públicas. No ano passado, 67% dos alunos da rede pública foram aprovados na avaliação. Na rede privada, apenas 35% passaram.

As informações são do Fantástico, da Rede Globo.



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