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20/05/14
Custo de plano de saúde e perda de renda comprometem qualidade de vida dos aposentados
Queixas foram feitas em audiência na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal, na semana passada
Dea Barbosa, do P&P Saúde Suplementar

O aumento no valor das mensalidades dos planos de saúde e o rebaixamento da renda devido ao corte de 50% das gratificações recebidas no período da ativa são causas do empobrecimento dos aposentados do serviço público federal. As queixas foram feitas em audiência na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal, na semana passada.

A audiência foi sugerida pelo senador Paulo Paim (PT-RS), para debater a qualidade de vida dos aposentados, e reuniu representantes de entidades do setor.

A diretora da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps), Cleuza Faustino do Nascimento, defendeu o retorno da paridade salarial entre aposentados e servidores da ativa e pediu a extinção da política de valorização das gratificações, em favor da melhoria do salário básico. Segundo ela, quando o servidor se aposenta, só incorpora a seu pagamento 50% das gratificações recebidas.

O assessor jurídico da Fenasps, Luis Fernando Silva, salientou que o modelo remuneratório baseado nas gratificações vem sendo adotado ao extremo em diversos órgãos. No Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS), por exemplo, 70% dos salários já seriam vinculados a gratificação de desempenho, sendo apenas de 30% a remuneração básica. Nesse caso, a renda do servidor cai 35% assim que se aposenta.

Com relação aos planos de Saúde, Luis Fernando disse que cerca de 500 mil “vidas”, entre servidores contribuintes e dependentes, estão vinculados à Geap - Fundação de Seguridade Social. Ele criticou a decisão da entidade de mudar a forma de custeio de seus planos: no lugar do sistema de contribuição solidária, em que as pessoas que menos usam financiam os que mais utilizam, adotou regime com base na idade e faixa salarial. A revisão dos valores das mensalidades teve início em 2012 e causou  impacto negativo do sistema para quem ocupa as faixas mais altas de idade. 

O interventor da Geap – Previdência,  Aubiérgio Barros de Souza Filho, que na época respondia  pela área de saúde da instituição, afirmou que a revisão do modelo foi necessária por causa do desequilíbrio atuarial. Segundo ele, o problema maior estava na área dos planos de saúde e os estudos indicaram a necessidade de um reajuste de 17% naquele momento. Mesmo assim ele explicou que foi adotado apenas 12%, para minimizar o sacrifício imposto aos associados e foram aplicados valores relativamente maiores para os mais jovens.

Pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, a secretária de Gestão Pública, Ana Lúcia Amorim de Brito, afirmou que os servidores a caminho da aposentadoria de fato exigem atenção e cuidados. A secretária  reconheceu a existência de “discrepâncias” na aplicação do sistema e revelou que já há iniciativa para correção gradativa das distorções.

O senador Paim disse ao final que o debate cumpriu o objetivo de mostrar a realidade enfrentada pelos aposentados. Depois, apelou para que a Geap e o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão levem em conta as dificuldades e reivindicações dos servidores. (Fonte: Agência Senado)



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