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14/08/13
Distrito Federal terá universidade voltada para formação no SUS
Criada em 2001 e com atividades práticas na rede pública desde o 1º ano, Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) passará por ampliação
iG

Formar profissionais preparados para lidar com as especificidades de atendimento da rede pública de saúde foi o que levou o governo do Distrito Federal a criar a Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS), em 2001. Agora, a instituição que antes formava apenas médicos, ampliou os cursos e se prepara para se tornar Universidade de Ciências da Saúde do DF (Unisus).

Na próxima quinta-feira (15), o projeto que irá alterar a lei de criação da ESCS para transformá-la em universidade será apresentado à comunidade acadêmica e encaminhado à Câmara Legislativa com aprovação prevista para o final do ano.

A proposta nasceu diante das atuais polêmicas relacionadas à formação e insuficiência de médicos no SUS e os estudantes dos dois cursos disponíveis atualmente – Medicina e Enfermagem – realizam atividades práticas na rede pública desde o 1º ano.

De acordo com Gislene Regina de Sousa Capitani, diretora-executiva da Faculdade de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs), entidade da Secretaria de Saúde mantenedora da ESCS, atualmente há um abismo entre o mundo do trabalho e a formação do estudante, "mas os nossos estudantes se formam dentro do SUS e para o SUS”.

Desde o 1º ano os estudantes discutem problemas reais das diferentes regiões e níveis de atendimento da rede. Os professores não dão aulas convencionais. Apresentam as dificuldades da rede, auxiliam em pesquisas quando necessário e fazem os alunos estudarem os problemas. “No começo, assusta. Passamos a vida sentados, ouvindo um professor e eu achava que não ia funcionar. Hoje, defendo com unhas e dentes”, disse Michelly Torres, 22, aluna do 4º ano de Medicina.

Rede pública – O modelo do curso de Medicina da ESCS atende às diretrizes curriculares nacionais, aprovadas dois meses antes da criação da instituição, e que ainda estão longe de ser realidade na maioria das escolas médicas. As orientações para os currículos de Medicina já completaram 12 anos e exigem mais integração entre o ensino e o mundo do trabalho. Especialmente no SUS.

Gislene reforça que os estudantes vão para os hospitais aprender e os preceptores têm de fazer essa integração. "Por isso, os profissionais da rede pública de saúde são fundamentais para o sucesso do projeto para problematizar as aulas com questões reais”, afirma Gislene.

Com a universidade, a diretora espera fortalecer os pontos considerados essenciais para o projeto, como a relação com os serviços de saúde, e resolver antigas pendências, como a falta de autonomia administrativa. Além disso, será possível criar a carreira docente na instituição – atualmente, os 540 servidores e professores são cedidos – e definir eleições diretas para reitor.

A Unisus também deverá duplicar as vagas de medicina - atualmente, são 80 vagas disponíveis por ano - e deverá abrir uma nova graduação. Há um grupo de trabalho avaliando necessidades locais da rede de saúde para escolher esse próximo curso. Todas as graduações da universidade continuarão sendo na área da saúde voltadas para o SUS.

Até 2015, a ampliação também ocorrerá na pós-graduação. Um curso de doutorado na área de Educação em Saúde será montando. Uma das possibilidades será estender uma parceria feita com a Universidade de Maastricht (Holanda) para o mestrado – a universidade holandesa tem um reconhecido programa de ensino na área de aprendizagem baseada em problemas.

*Com informações do iG.



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