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19/04/12
Educação executiva e MBAs passam por crise de conteúdo
Para o reitor da Katz Graduate School of Business, escolas de negócios precisam investir em tecnologia e desenvolvimento de habilidades comportamentais
Da redação

Especialistas apontam que a educação executiva e seus famosos cursos de MBA passam por um momento de crise, com professores e reitores estudando formas de se alinhar ao mercado, ao mesmo tempo em que profissionais e empresas questionam o quanto as escolas de negócios atendem às suas necessidades. Para o reitor da Katz Graduate School of Business, John Delaney, da Universidade de Pittsburg, existem saídas para evitar que os MBAs sejam vistos apenas como “commodity”, como os investimentos em tecnologia e o desenvolvimento de habilidades comportamentais. As informações são do jornal "Valor Econômico".

 

Materiais eletrônicos de estudo, por exemplo, permitem um acesso ao conteúdo que conecta mais os alunos. Apesar disso, Delaney acredita que a quantidade de informações circulando dificulta a definição de quais enfoques devem ser dados à quantidade de dados disponíveis, além da concentração das turmas. “A quantidade de interrupções que os estudantes sofrem com telefonemas, mensagens de texto, e-mails e notícias é espantosa”, afirma.

 

O reitor da escola de negócios norte-americana também afirma que outro ponto crítico tem sido o desenvolvimento de habilidades comportamentais como negociação, comunicação e capacidade de tomar decisões. "O dilema é descobrir se são os MBAs que estão em crise ou alguns aspectos da educação executiva é que precisam de mais atenção", afirma. Para Delaney, a responsabilidade é das próprias instituições, que superestimaram seus candidatos. "Elas partem do princípio de que os estudantes chegam com todas essas habilidades já desenvolvidas. É claro que eles são talentosos, mas precisamos ajustar isso neles".

 

Uma das medidas adotadas pela Universidade de Pittsburg foi a criação, há três anos, de um programa de estágio internacional. Com bolsas de estudos, os alunos passam o verão americanos trabalhando em empresas parceiras da escola, entre eles companhias no Brasil, como a Dow Química, o grupo Ultra e a Abbott Laboratories.

 

A Universidade de Pittsburgh foi uma das primeiras escolas internacionais a lançar um programa de educação executiva no país, onde está há 13 anos. Hoje, o Brasil é um dos mercados onde a instituição tem o MBA Global Executivo, simultaneamente ministrado em Praga, na República Tcheca, e na sede americana, em Pittsburgh. "Os brasileiros podem competir com profissionais de alto nível dos Estados Unidos e da Europa", diz ele.

 

Delaney acredita que a educação executiva ainda tem um longo caminho a percorrer. Para ele, o Brasil ainda possui muitas posições no setor de commodities e na indústria, considerados empregos de transição para uma economia desenvolvida. "O próximo passo é evoluir para uma economia do conhecimento. Para isso, é preciso investir em educação", completa.



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