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10/10/13
Setor de saúde busca competitividade através de gestão profissional
Organizações perceberam que precisam profissionalizar a administração e buscam talentos fora da área médica
Da Redação

Para compor seu quadro de administrativo, organizações de saúde em um cenário de competitividade empresarial perceberam que precisam profissionalizar a administração e já buscam talentos em setores de negócio, fora da área médica. Segundo Haino Burmester, professor da FGV-Eaesp (Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas), não é mais possível fazer a gestão de forma amadora. "As instituições se tornaram maiores e mais complexas", afirmou. As informações são do Valor Econômico.

Pelo viés de mercado, em que recursos são disputados e os pacientes recebem o status de "usuário", o negócio torna-se mais estratégico em relação a planejamento. Nesse contexto, segundo Burmester, temas como liderança, resultados, gestão de informação e de pessoas ganham destaque no dia a dia de hospitais e laboratórios.

por outro lado, esses ambientes possuem grandes particularidades no gerenciamento dos processos e das atividades realizadas. No âmbito dos recursos humanos, é necessário lidar com uma grande quantidade de especialistas como médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e nutricionistas. Cada um em defesa de seus interesses em ambientes de pesada carga emocional. 

Intensivo também é o setor de tecnologia, sofisticado no conjunto de equipamentos usados nas operações. Especificamente em relação à evolução dos hospitais de ponta brasileiros. De acordo com George Schahin, diretor-presidente do Hospital Santa Paula, a excelência do corpo clínico dos anos 80 e o foco na tecnologia da década de 90 somou-se, nos anos 2000, à necessidade de ser um bom prestador de serviços de hotelaria.

A estrutura complexa precisa satisfazer não apenas a demanda de pacientes e seus acompanhantes, mas também dos próprios médicos e requer um contingencial humano de alta qualidade em áreas de apoio, além de "uma acreditação nacional e internacional" da instituição. Isso sem esquecer as operadoras de planos de saúde, importantes fontes pagadoras que pressionam para que os atendimentos sejam realizados a custos menores. "Gerir tudo isso não é uma equação fácil", diz Schahin.

Em primeiro lugar, é preciso passar pela capacidade de equilibrar o assistencial e o gerencial, afirma Libânia Alvarenga Paes, coordenadora do CEAHS (Curso de Administração Hospitalar e Sistemas de Saúde) da FGV-Eaesp. Isso significa detectar problemas e prover soluções "sempre lembrando do cobertor curto: se enxugo um processo, posso prejudicar o paciente", diz. "O gestor precisa saber, por exemplo, contratar um consultor de TI e se o resultado que ele trouxe é bom. É preciso desenvolver uma visão mais estratégica em relação ao negócio, conciliando uma assistência segundo princípios éticos com a preocupação de que o hospital precisa sobreviver economicamente".

Na busca por esse tipo de administrador híbrido, surgem duas possibilidades. Uma é capacitar profissionais de saúde em técnicas de gerenciamento - caminho que predomina, segundo Libânia -, e importar gestores de outros ramos de negócio. Em relação à primeira opção, as instituições ainda se preocupam em fomentar a qualificação de seus administradores. "Ainda tendemos a privilegiar alguém bom tecnicamente em saúde em relação a quem possui mais arrojo gerencial", afirmou Fábio Patrus, superintendente de gestão de pessoas e qualidade do hospital Sírio Libanês e coordenador do Grupo de Gestão de Pessoas da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados).

No Sírio-Libanês, todos os 180 líderes, de supervisores a superintendentes corporativos, passam por programas de especialização, informa Patrus. O hospital desenvolveu, em parceria com a Fundação Dom Cabral, um MBA lato sensu para a formação de gestores em saúde com duração de dois anos e um mestrado profissional em tecnologias e gestão de saúde. Patrus destaca que dá prioridade ao recrutamento interno no momento de  eleger seus gestores - entre 60% e 70%, são oriundos dos quadros da instituição.

Quando há busca no mercado, ela se concentra em profissionais que atuam ou atuaram na área da saúde. Aqueles que chegam de outros setores, precisam ser passar por um rápido aprendizado em relação às particularidades da administração hospitalar. "Ainda tendemos a privilegiar alguém que seja muito bom tecnicamente em saúde em relação a quem possui mais o arrojo gerencial", diz Patrus.

No Hospital Israelita Albert Einstein, 77% das posições de liderança foram preenchidas internamente em 2012 - um salto em relação a 2011, ano em que 29% dessas vagas foram ocupadas por pratas da casa, e 2010, quando a porcentagem foi de 11%, contabiliza Miriam Branco, diretora de recursos humanos.

Ela explica que, para conseguir os maiores índices de aproveitamento dos funcionários do próprio hospital em cargos de gestão, existe um PDO - Plano de Desenvolvimento da Organização - que mapeia futuros líderes e prepara essas pessoas para funções gerenciais em um MBA em parceria com o Insper. Com duração de um ano e meio, o programas está em sua oitava turma. Anualmente o Einstein banca 12 bolsistas que seleciona em seu quadro. Entretanto, executivos de outras áreas também ganham espaço entre os postos de comando da organização, especialmente em setores como TI e financeira. 

O superintendente corporativo Henrique Sutton de Sousa Neves é um dos que chegaram para consolidar a profissionalização da gestão do Einstein. Neves é formado em direito e possui especialização em gestão em Harvard. Entre 2004 e 200 foi consultor do próprio Einstein. Segundo ele, o mundo da medicina é complexo. "Raramente é um mesmo profissional que entenderá todos os aspectos do assunto tratado", afirma.

De acordo com ristina de Araújo Lasevicius, coordenadora do curso de graduação em tecnologia em gestão hospitalar do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), nesse tipo de curso em geral, a maioria dos matriculados já possui familiaridade com o segmento, ou porque percebem a necessidade de fazer o curso, ou porque os próprios chefes recomendaram. O programa do Senac dura três anos e inclui disciplinas relativas a políticas de saúde, gestão de finanças, operação de cadeia de suprimentos, gestão da tecnologia de informação em saúde, ética, marketing, hotelaria, arquitetura hospitalar entre outras.

Segundo Claudio Colucci, coordenador geral da pós-graduação lato sensu, a predominância entre os estudantes da pós em administração hospitalar do Centro Universitário São Camilo também é de profissionais que atuam no setor da saúde e que tiveram um crescimento de função. O São Camilo oferece também um curso de graduação em administração voltado para a atuação em hospitais e busca credenciamento para ministrar, em 2014, um programa a distância de tecnólogo em gestão hospitalar, com duração de três anos.

Se cresce a tendência de os médicos se especializarem em práticas de gestão, tornam-se mais raros os que conseguem conciliar funções clínicas e administrativas. "Os que fazem carreira de gestor começam a abandonar suas carreiras médicas", afirma Enrico de Vetori, sócio da área de 'life science e healthcare' da consultoria Deloitte. "Não dá mais para administrar em tempo parcial, a jornada tem de ser exclusiva", corrobora Burmester.

Com informações do Valor Econômico.



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