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13/11/12
Não haverá punição para formandos de medicina que boicotaram exame
Direção do Cremesp garantiu que nenhuma prova será anulada. Dados servirão apenas para a categoria avaliar a qualidade do ensino
Da Redação

O Conselho Regional de Medicina (Cremesp) até ameaçou os estudantes de São Paulo, que pretendiam boicotar o exame, de serem impedidos de obter o registro profissional. No último domingo (11), quase três mil formandos de dez municípios paulistas realizaram a prova criada em 2005 para avaliar a qualidade do ensino médico do Estado. O teste passou a ser obrigatório este ano.

Entretanto, a direção do conselho garantiu que não haverá punição para quem aderiu ao protesto. Segundo Denise Barbosa, diretora das delegacias do interior e coordenadora da delegacia de Campinas, nenhuma prova será anulada, os dados não serão apenas divulgados e não haverá nenhum tipo de ranking com a classificação das escolas. 

“Antes do início da prova, os delegados do Cremesp passaram em todas as salas e explicaram aos alunos que não haveria punição para quem aderiu ao boicote. A obrigatoriedade está em responder as alternativas do caderno de respostas”, disse. Barbosa afirmou ainda que os dados servirão apenas para a categoria avaliar a qualidade do ensino, sem que haja consequências para as pessoas que fizeram o exame. 

Com 289 participantes inscritos, em Campinas foram 7 abstenções - número considerado dentro do previsto. Na Famema, aproximadamente 15 alunos, de uma turma com 80, participaram. Alguns alunos também usaram o caderno de perguntas para deixar recados ao Cremesp. Os que aderiram ao boicote, saíram logo após o tempo mínimo de permanência (uma hora) e foram recebidos com festa pelos estudantes. Para André Citroni, aluno do 2º ano de Medicina da Unicamp e um dos coordenadores do movimento, a prova não vai melhorar a educação e a saúde no País. 

A mobilização foi mais intensa na Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e na faculdade de Medicina de Marília (Famema). O movimento foi organizado em resposta à obrigatoriedade da prova a partir deste ano, e os líderes estudantis defendem a adoção de uma avaliação progressiva durante o processo de graduação.

Ameaça - Este ano as regras foram modificadas pelo Cremesp. Com a concessão do registro profissional condicionado à realização do exame, os participantes foram obrigados a assinar a lista de presença e não poderiam deixar a prova em branco. No entanto, o desempenho na prova não será levado em conta.

De acordo com Renato Azevedo Junior, presidente do Cremesp, com o boicote, a prova seria retirada do cômputo geral para não prejudicar o desempenho da escola. Se fosse identificada a marcação da mesma letra, a prova seria encaminhada para o departamento jurídico da entidade. A atitude poderia ser interpretada como uma não realização da prova, que poderá ser invalidada. Assim, o candidato teria o registro barrado.

Aprovação - Nesta segunda-feira, o Conselho Federal de Medicina (CFM) declarou apoio à iniciativa do Cremesp de submeter os formandos de medicina a provas antes da concessão do registro profissional. 

Desiré Carlos Callegari, conselheiro e primeiro secretário do CFM, afirmou que qualquer medida que busque a qualidade da formação será bem-vinda. “O conselho federal vai apoiar essas iniciativas. Não só em São Paulo, mas também em outros estados que queiram fazer”, disse. De acordo com o CFM, o Brasil possui 197 escolas médicas. Desse total, 78% são privadas.

O tema foi debatido em audiência pública no Senado Federal, na última quarta-feira (07). O Projeto de Lei do Senado (PLS) 217/2004, de autoria do senador Tião Viana (PT-AC), propõe a instituição do Exame Nacional de Proficiência em Medicina como requisito para o exercício da profissão.

Com a lei, os conselhos poderão negar o registro aos formandos que não atinjam a pontuação exigida. Atualmente, as entidades exigem a participação no exame, mas não podem negar o registro se o estudante não acertar uma quantidade mínima de questões.

*Com informações do Estado de São Paulo, Uol e Agência Brasil.

Leia mais:
>> Avaliação para médicos formandos esquenta debate sobre exercício da atividade



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