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11/03/13
Negócio das Arábias: Arab Health recebeu delegação com 41 empresas brasileiras
Realizada entre os dias 28 e 31 de janeiro, em Dubai, segunda maior feira do mundo despertou atenção do trade de saúde mundial interessado em expandir negócios no Oriente
Da Redação


Compradores árabes no stand da alemã Siemens, em Dubai: demanda por produtos de alta tecnologia (Fotos: Divulgação)

O trade de saúde mundial – e o Brasil em particular – vem descobrindo os encantos do Oriente Médio e do Norte da África. Além das mais de 336 milhões pessoas que vivem dentro de seus limites geográficos, o Mena, como a região ficou conhecida – do inglês Middle East and North of Africa –  é vizinho dos dois países mais populosos do mundo China e Índia. De olho nesse gigantesco mercado em desenvolvimento, companhias de todo o mundo vão se encontrar entre 28 e 31 de janeiro na Arab Health, uma das maiores feiras hospitalares do mundo, em Dubai. Uma missão com representantes de 41 indústrias brasileiras do setor médico-hospitalar embarca no final do mês de janeiro para os Emirados Árabes Unidos, com o objetivo de vender pelo menos US$ 13 milhões em produtos made in Brazil para uma das regiões que mais investem em saúde atualmente no mundo.

Embora o valor de negócios gerados na feira do Oriente Médio fique bem abaixo dos U$ 22 milhões que as empresas brasileiras venderam na última edição da maior feira do mundo no setor, a Medica, em Dusseldorf (Alemanha), a congênere árabe apresenta duas vantagens para o Brasil. 

A primeira é que o Oriente Médio oferece uma abertura aos produtos da indústria hospitalar brasileira maior do que se encontra na Europa, que concentra gigantes do setor. Dados da Associação Brasileira de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo) indicam que os compradores árabes responderam por 11% de tudo o que foi vendido em 2012 pelo Brazilian Health Devices, um grupo de 140 empresas nacionais que exportam produtos desse setor.

“Comparativamente, frequentar a Medica tem uma importância maior no sentido de manter contato com o pessoal da área”, avalia a diretora de Marketing e Comércio Exterior da Abimo, Paula Portugal. “ A Arab Health, por sua vez, é uma feira bastante efetiva em termos de concretização de negócios”. O segundo fator que anima os empresários brasileiros é a perspectiva de crescimento do setor em uma região do mundo rica em recursos naturais como petróleo e minério, que começa a investir fortemente em infraestrutura na área de saúde para atender à demanda de uma população que em grande parte ainda não tem acesso adequado a serviços de saúde.

Há cinco anos, o International Finance Corporation (IFC), órgão do Banco Mundial dedicado à redução da pobreza no planeta, emitiu um relatório afirmando que a região do Mena vivia um boom em investimentos em healthcare, com os governos locais se abrindo à participação de grupos privados no setor. O IFC considera que há uma tendência a os sistemas de saúde locais sejam “dramaticamente redesenhados” com a construção de hospitais e clínicas ao longo dos próximos anos em toda a região.  

Claro que as recentes crises políticas que afetam alguns países importantes da área, como a Síria, esfriaram momentaneamente o ímpeto de investidores estrangeiros. Para alguns empresários, entretanto, não há dúvidas sobre o futuro do setor no Mena. Fabricante de incubadoras e de outros produtos para o atendimento neonatal, a brasileira Fanem, que está presente à Arab Health há 11 anos, abriu uma fábrica na Índia e um escritório de representação em Amã, capital da Jordânia em 2011, para atender melhor os mercados do Oriente Médio e do Norte da África, que naquele ano já representavam 35% das exportações da Fanem. Entre os maiores mercados da companhia estão Marrocos, Iraque e Arábia Saudita.

O CEO da empresa, Cicero Schleder, não gosta de falar em números, mas deixa claro a importância que a Arab Health tem para os negócios. “Por causa do contexto político e social conturbado em que boa parte dos países da região estão inseridos, às vezes, é difícil visitar alguns clientes. A feira possibilita esse contato”, afirma Schleder.

segunda do mundo – Criada em 1977 pelo grupo inglês Informa Life Sciences Exhibitions, e organizada com apoio do Ministério da Saúde dos Emirados Árabes Unidos, Arab Health conta este ano com 3.500 expositores de 142 países. Ainda não chega perto da grandiosidade da Medica, a maior feira do setor, realizada em Dusseldorf, na Alemanha, mas tem ambições de alçar voos maiores. “Nosso objetivo é crescer juntamente com o mercado de saúde, nos níveis local, regional e internacional. O setor de saúde nos Emirados Árabes Unidos vem assistindo a uma expansão constante nos últimos anos e tem resistido razoavelmente bem à crise financeira”, afirmou à Diagnóstico o diretor-gerente da Arab Health, Simon Page, para quem a feira é  segunda maior do mundo, atrás apenas dos alemães da Medica.

Vários fatores contribuíram para esse crescimento, como os investimentos do governo em infraestrutura, crescimento demográfico, aumento da incidência de doenças crônicas e mudanças no estilo de vida. Uma das prioridades do grupo – cuja holding  tem sede na Europa e opera em outros negócios como Construção e Finanças – é realizar pesquisas em novos mercados na Ásia e na África. O objetivo é identificar territórios que estejam preparados para a expansão da saúde e, por extensão, o portfólio da marca Arab Health.

“A Arab Health vê o mercado de saúde na África como um dos que serão mais procurados para investimentos no mundo”, aposta Page. Com 11% da população mundial, a África Subsaariana deve chegar a 2016 com um mercado de saúde em torno de US$ 35 bilhões. Para o executivo, um sintoma dessa expansão é a presença cada vez maior do grupo Informa no continente africano através de feiras. Em 2011, foi lançada a Africa Health, em Joanesburgo, África do Sul, que terá a sua terceira edição no próximo mês de maio, com 400 expositores de 51 países, um crescimento de 37% em relação ao ano anterior, segundo os organizadores.

Desde o ano passado, a Informa se associou à egípcia Arab African Conferences & Exhibitions para a organização da Mediconex Cairo Health. E em maio deste ano, será lançada a Saudi Health Conferences and Exhibitions, em Riad. Um momento de ebulição no setor de saúde da África, que está sendo observado atentamente pelos ingleses que atuam em Dubai. “A decisão de lançar a EgyptPharm, exposição farmacêutica líder norte da África, juntamente com a edição de 2013 do Cairo Mediconex Saúde, no Centro de Conferência Internacional do Cairo, foi baseada no interesse sem precedentes que o mercado farmacêutico do Egito recebeu de empresas farmacêuticas mundiais”, analisa Page.  

Apoio da apex – Outra brasileira que está de olho no crescimento do setor no mundo árabe é a Schioppa, tradicional empresa familiar paulista líder no segmento de  rodas e rodízios na América Latina. “Como a Arab Health é a maior feira hospitalar do Oriente Médio, buscamos  conquistar mais clientes e reputação fora do país”, explica o diretor-gerente da empresa, Mário Schioppa Neto. Segundo ele, o mercado árabe é um dos mais exigentes do mundo e vem se tornando cada vez mais importante para as empresas do setor médico-hospitalar que oferecem produtos inovadores e de alta tecnologia, aliado a custos reduzidos. “O governo brasileiro, através da Apex-Brasil, enxergou o Oriente Médio com um mercado estratégico há 10 anos”, afirma o presidente da Apex-Brasil, Mauricio Borges. “Um esforço que vem se traduzindo na capacidade brasileira de produzir alta tecnologia e de inovar”.

Para seduzir ainda mais o mercado da região, a Apex lançou mão de um outro artigo fortemente associado ao Brasil e que faz muito sucesso no Oriente, o futebol. No dia 29 de janeiro, durante um café da manhã promovido pela Abimo, com a participação de clientes do Oriente Médio e África, serão sorteadas duas viagens ao Brasil no próximo mês de junho, com direito a passagens, hospedagem e ingressos para a final da Copa das Confederações, no Rio de Janeiro. Entre os países que vão se enfrenta na prévia da Copa de 2014, Japão e um representante africano – ainda não definido – terão presença garantida na competição. Pelo menos nos negócios, a torcida da indústria brasileira já mudou de cor.

*Matéria publicada na revista Diagnóstico, n°18.



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