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11/01/17
Ossos do médico nazista Josef Mengele são usados em curso de medicina forense no Brasil
Daniel Muñoz, chefe do departamento de medicina legal da USP, liderou a equipe que identificou os restos mortais e obteve permissão para utilizá-los em estudos
Da redação

Durante 30 anos, os ossos de Josef Mengele, médico alemão que conduziu experimentos terríveis em milhares de judeus no campo de concentração de Auschwitz, não foram reclamados no Instituto Médico Legal de São Paulo. As informações são do jornal The Guardian.

O médico e chefe do departamento de medicina legal da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Daniel Romero Muñoz, liderou a equipe que identificou os restos mortais de Mengele, em 1985, e obteve permissão para utilizá-los em seu curso de medicina forense. 

Agora, os alunos de Muñoz estão aprendendo o seu ofício estudando os ossos do famoso médico nazista e conectando-os à história de vida do homem que ficou conhecido como o "anjo da morte". 

De acordo com Muñoz, em entrevista ao jornal The Guardian, os ossos serão úteis para ensinar a como examinar os restos de um indivíduo e depois combinar essa informação com dados em documentos relacionados com a pessoa.

Após o fim da Segunda Guerra, Mengele foi perseguido durante anos por realizar experimentos em prisioneiros e enviar milhares deles para as câmaras de gás durante a segunda guerra mundial. 

O carrásco viveu escondido na Argentina, Paraguai e, por último, no Brasil. Morou em Buenos Aires por uma década e depois se mudou para o Paraguai, quando descobriu que agentes do Mossad israelense capturaram o nazista Adolf Eichmann. 

Em 1960, chegou a São Paulo, onde foi abrigado por pelo casal alemão Wolfram e Lisolette Bossert, e depois por uma família de imigrantes húngaros.

Mengele morreu em 7 de fevereiro de 1979, em São Paulo, aos 67 anos, enquanto nadava numa praia de Bertioga, balneário do estado de São Pualo. 

Foi enterrado em Embu, São Paulo, sob o falso nome de Wolfgang Gerhard. Anos mais tarde, autoridades alemãs interceptaram uma carta enviada pelo casal Bosserts à família de Mengele, com notícias de sua morte e alertaram as autoridades brasileiras.

Ainda segundo Muñoz, a sua vida em fuga e o mistério em torno de seu paradeiro são parte do que torna os seus ossos uma ferramenta de ensino útil.

Segurando o crânio de Mengele, Muñoz cita como exemplo um pequeno buraco na maçã do rosto que, segundo ele, é o resultado de uma sinusite de longo prazo. Ele afirma também que um casal alemão que abrigou Mengele no Brasil disse à polícia que o criminoso sofria de abscessos dentários que ele próprio tratava.

Em 1985, o corpo foi exumado e equipes da Alemanha, Israel, Estados Unidos e Brasil confirmaram que se tratava de Mengele. Foram utilizados métodos como exame de contas pessoais de pessoas que o conheciam no Brasil, comparação de manuscritos em cartas apreendidas e análise do crânio recuperado comparado com fotos antigas do criminoso nazista. 

Maria Luiza Tucci Carneiro, historiadora que coordena o Laboratório de Estudo da Etnicidade, Racismo e Discriminação da Universidade de São Paulo, afirmou que espera que o estudo ultrapasse a ciência e entre no campo da história e da ética.

Ainda segundo Carneiro, os estudantes deverão aprender sobre como outros cientistas a serviço do Reich utilizaram o seu conhecimento para excluir grupos étnicos classificados como raças inferiores. "Uma exclusão que culminou em genocídio".



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