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12/12/11
Paulo Lopes: As mudanças no perfil do gestor do século XXI
Headhunter analisa as características mais desejáveis nos executivos do terceiro milênio
Paulo Lopes*

O perfil do executivo tende a sofrer modificações ao longo do tempo devido à reestruturação das empresas, às mudanças no relacionamento com os clientes e ao alto índice de competitividade do mercado. Na projeção do perfil do gestor internacional do século XXI, constata-se que há uma sensível mudança nas características desse profissional, principalmente em relação à diversificação de suas necessidades, da localização geográfica das sedes das empresas onde trabalham, do crescimento do número de países representados e dos seus níveis hierárquicos. A seguir, as características mais desejáveis nos executivos da atualidade, com denominações que representam um conjunto de atributos possíveis: alpinista, navegador, empreendedor, viajante e malabarista.

 

O “navegador” expressa a evolução das caravelas aos astronautas. A metáfora indica a percepção da necessidade de atualização tecnológica, em função da complexidade das viagens, e a evidência de que é preciso dominar os instrumentos disponíveis. Ele não perde o norte; evolui da observação das estrelas ao desafio das viagens entre elas; sabe especificar e usar os instrumentos; avalia e define rotas alternativas; comunica com clareza sua posição.

 

A representatividade do “alpinista” deve-se aos seguintes traços: esportivo, coloca sua vida em risco a cada empreitada, atua com alto grau de eficiência, sempre estimulado pela visão do conjunto que lhe impulsiona e o faz, após a façanha realizada, sonhar novamente e arquitetar sua próxima escalada. Destacam-se no conjunto de atribuições a definição clara de missão e objetivos, sem perder de vista as fases intermediárias; o planejamento detalhado com avaliação de riscos e alternativas; decisões consistentes; eficácia nas relações custo/benefício e trabalho em equipe, para a equipe, com a equipe.

 

A presença marcante das características do “empreendedor” mostrou a forte tendência dos diretores em serem “conhecedores de negócios” e não somente de suas funções. Ficou clara a necessidade de visão de conjunto, presente nas modernas estruturas organizadas, tendo em vista a satisfação do cliente. Os traços que formaram seu perfil estão relacionados à competência em gerir, motivar, unir e trabalhar com pessoas, considerando que são elas que formam o capital humano, representando os recursos que mais precisam de atenção hoje nas empresas. Suas características são: clara noção dos riscos; usa a intuição como instrumento da gestão; profundo interesse pelo gênero humano; persistência e perspicácia; trabalha e decide com variáveis não dominadas; transita bem nos ambientes pluralistas e multiculturais.

 

O “malabarista” apresenta o mais polêmico conjunto de traços do executivo do século XXI. A organização clássica, racional, cartesiana sempre criticou aqueles que desenvolviam várias tarefas ao mesmo tempo. Falta de foco e de sentido prioritário eram críticas constantes àqueles que desenvolviam uma gama de atividades simultâneas. Hoje, a organização horizontal e a redução dos níveis hierárquicos exige do executivo alto grau de flexibilidade e agilidade. Contemporaneamente, é fundamental a competência para manter “12 pratinhos rodando ao mesmo tempo”, correndo quando um precisa de cuidados prioritários para se manter em equilíbrio, sem tirar os olhos dos outros; ter a propriedade de atuar em diversas atividades simultâneas, sem perder a noção de prioridade.

 

O perfil do “viajante” parece o mais fácil de ser preenchido, mas é um dos mais complexos. A competitividade global, a necessidade de uma polivalência cultural, atualmente, obriga todos os gerenciadores a estarem abertos a novas culturas, novos hábitos e costumes. Em países extensos, como o Brasil, o executivo precisa entender o país, suas diferentes características regionais e, depois, abrir-se para o mundo, que fica cada vez menor. São características do viajante: aprender em cada viagem; entender outras culturas, idiomas e histórias; preparar a educação da família para algo mais cosmopolita.

 

O executivo do século XXI é uma combinação dos cinco perfis citados, sendo muito importante ter todas as características e procurar mantê-las atualizadas por meio de um constante autodesenvolvimento. Em algumas situações é fundamental ser mais alpinista, em outras ser mais empreendedor, por exemplo.

 

Em se tratando do perfil do executivo brasileiro, destacam-se os atributos necessários para atender às mudanças geradas pela globalização. A integridade é fundamental; depois, gerenciamento de inovação; visão estratégica; capacidade de liderar, delegar e decidir; conhecimento da empresa; capacidade de integrar as diversas áreas funcionais, de focalizar resultados, negociar, suspender situações de estresse e frustração e administrar conflitos; apresentar motivação, inclusive para o autodesenvolvimento; ética no trato das questões profissionais e sociais e habilidade nas relações interpessoais.

 

E mais: capacidade de correlacionar fatos com repercussão para a empresa, autogerenciamento, experiência, predisposição ao risco e à mobilidade pessoal. Ser proativo, empreendedor, intuitivo, humilde, reativo e criativo. Capacidade para tratar com culturas diversas é tão essencial quanto conhecer culturas de outros países, os negócios internacionais e outros idiomas. Estar aberto a novas ideias, saber dimensionar o tempo, viabilizar e implementar ideias, gostar do que faz, desenvolver pessoas, solucionar problemas, conhecer processos de alianças e joint ventures. Antecipar ameaças e oportunidades são outras atribuições do executivo do terceiro milênio.

 

*Paulo Lopes é CEO do Grupo Organiza, diretor da Associação Comercial da Bahia, headhunter, coach, palestrante e autor livro "Segredos de um Headhunter".



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