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19/11/12
Procura-se um executivo: Programas de treinee em gestão hospitalar são aposta do mercado
Busca de mão de obra qualificada para cargos de gestão é um dos maiores desafios do setor produtivo brasileiro
Patrícia Andreus


Elis Yamaguchi, do grupo Fleury: novos talentos para vagas de liderança nas áreas corporativas e de operações (Foto: Divulgação)

Procura-se um executivo com experiência no setor de saúde, qualificado, que se encaixe na filosofia da empresa e esteja disposto a assumir novos desafios. Se sua empresa busca um profissional com esse perfil e sente dificuldade em preencher a vaga, não se desespere. Assim como outros setores da economia, o segmento saúde também sofre com a falta de mão de obra especializada. É o que indica uma pesquisa realizada em 26 países pela Manpower, empresa da área de recursos humanos, com sede em São Paulo. Dos 32 mil empregadores entrevistados, de diversos setores da economia, 25% afirmaram encontrar mais dificuldades com a escassez de profissionais qualificados. Realidade que tem feito com que grandes empresas dispensem mais energia na formação de seus próprios quadros. Para o mercado, um cenário que pode ser definido com uma palavra salvadora: trainee. A receita é simples: contratar um profissional qualificado e recém-formado (com poucos vícios na maneira de trabalhar) e colocá-lo em contato com toda a estrutura da instituição: do atendimento à gestão financeira; da logística à área técnica médica.

No Brasil, grandes corporações adotaram os programas de trainees há cerca de 20 anos. No setor de saúde, o movimento começou a ganhar força apenas a partir de 2010. De lá para cá, a aposta em jovens profissionais vem conquistando relevância na estratégia de atrair talentos por parte de grandes organizações. Do ponto de vista do profissional, a possibilidade de ser trainee é vista como uma chance única para dar a largada na carreira  “As empresas de saúde ainda não estão no rol da vitrine do mercado de trabalho que inclui nomes de peso, como a Unilever e a Ambev”, diagnostica o consultor Kléber Piedade, da My Trainee. “Trata-se de um caminho ainda a ser percorrido”. Segundo ele, de forma geral, a adoção dos programas de trainee no setor vem se restringindo a empresas de seguro saúde, laboratórios farmacêuticos e grandes serviços de saúde pertencentes a consolidadores com atuação nacional. “Se comparado a outras indústrias, o setor de saúde ainda tem muito se desenvolver”, reconhece o presidente da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados), Francisco Balestrin. Berço dos treinamentos e capacitação de profissionais no que tange a cargos específicos de saúde, como médicos e enfermeiros, o segmento ainda engatinha na formação de cargos de comando executivo.

Um passo que na maioria das vezes requer um volume de investimento restrito a empresas de médio-grande porte. De acordo com números do próprio mercado, um programa eficaz de formação de trainee não pode ser executado por menos de R$ 1 milhão, durante um ciclo de dois anos de programa. “O grande erro das empresas é não saber exatamente o que é um programa de trainee”, avalia o consultor Márcio Lopes, da Organiza, empresa de consultoria empresarial especializada em RH. “Muitas organizações ainda têm a percepção de que se trata de um programa de estágio avançado”.

Ele explica que boa parte do investimento feito no programa de trainee é destinado à formação de um staff qualificado para receber, orientar e analisar o jovem profissional. “A empresa deve ter em vista que a seleção de trainees é um procedimento dispendioso, mas que vai reter profissionais de ponta e com potencial para serem os futuros gestores do negócio”, pondera Lopes. 

Salário de até R$ 5 mil – O Grupo Fleury decidiu, em 2011, tomar para si o desafio de formar lideranças para a sucessão dos postos da companhia. A estratégia incluiu aproximação com universidades, o fortalecimento da marca e a busca por talentos que estejam alinhados aos valores da companhia. “É um trabalho difícil. O mercado de saúde está se desenvolvendo e precisamos de pessoas qualificadas e sensíveis às especificidades do setor”, aponta a diretora de Recursos Humanos do Grupo Fleury, Elis Yamaguchi. “Além disso, a competição em busca de novos talentos é cada vez mais acirrada no mercado”

Somente para efeito comparativo, cada candidato a trainee está buscando oportunidade em até 16 programas ao mesmo tempo. Por isso, oferecer o melhor salário, que chega a até R$5 mil, é apenas parte do processo para a atração de novos líderes. No caso do Fleury, o primeiro passo foi entender o que pensam os candidados a trainee. “Descobrimos que as pessoas escolhiam nossa empresa porque acreditavam realmente nela”, revela Elis. Outra medida foi avaliar com os líderes do Fleury o alinhamento do programa com os objetivos estratégicos da organização. “A constatação foi a de que os executivos da empresa não estavam aderindo à moda de mercado de ter um programa e, sim, buscavam pessoas para a sua sucessão”, afirma a gestora. 

Perfil do candidato – Para formatar o projeto, duas consultorias foram contratadas. Uma para criticar os perfis e o processo que a companhia tinha montado. Outra, com expertise no processo de seleção. 

Com duração de dois anos, o programa possibilita inicialmente que os trainees passem por um período de imersão nas diversas áreas de operação. No segundo ano do programa, as áreas finais de atuação são definidas, e os trainees participam de fóruns de discussão com a diretoria executiva e lideram um projeto de impacto expressivo para o negócio. O desenvolvimento das atividades é acompanhado com feedbacks constantes, além do processo de mentoring, avaliação de desempenho e de potencial. Ao final do programa, os trainees poderão assumir posições de liderança nas áreas corporativas e de operações.

O perfil do candidato foi definido como alguém inovador, com habilidade de comunicação e capaz de transformar seu potencial em soluções eficazes. O salário do programa é compatível com as práticas de mercado, e os trainees também têm direito a outros benefícios trabalhistas, além de ajuda de custo para pessoas de fora de São Paulo no primeiro mês do programa. Até o final deste ano, o Grupo Fleury espera concluir sua primeira turma de trainees, com 25 profissionais. 

Prata da casa – A Sociedade Beneficente São Camilo implantou seu programa de trainee há três anos. “Atualmente, 80% do nosso corpo diretivo é composto de ex-estagiários”, revela Daniela Conte, gerente de Recursos Humanos da Rede de Hospitais São Camilo, de São Paulo. É a prova de que os programas de trainee cumprem a função a que se prestam: desenvolver pessoas para a liderança no mercado de saúde.

Com uma rede composta por 27 hospitais, quatro clínicas e um plano de saúde, a Sociedade São Camilo oferece vagas para seu programa de trainees nas funções de enfermeiro e administrador hospitalar. Os trainees administradores hospitalares atuam 44 horas semanais ,por dois anos. Os interessados devem morar no estado de São Paulo e  fazer a inscrição entre os dias 1º e 20 de outubro, pelo site www.saocamilo.com.  Entre os pré-requisitos para participar do processo seletivo estão  não ter experiência na área e ter concluído a graduação entre dezembro de 2010 e dezembro de 2012 em uma universidade, com nota mínima três no Enade. A seleção é realizada em quatro etapas: análise de perfil, avaliação on-line de conhecimentos específicos, dinâmica de grupo com gestores de RH e entrevista individual com o diretor da área.

“O programa realiza uma inclusão corporativa, formando profissionais completos, com conhecimentos técnicos na área, além da gestão e do comportamental. Os profissionais saem preparados para atuar de acordo com os mais rigorosos padrões de excelência dos hospitais acreditados. É realmente uma oportunidade singular”, afirma o diretor de Recursos Humanos da São Camilo, Claudio Collantonio. Ele explica que a unidade oferece aos administradores hospitalares, no decorrer do programa, uma bolsa de estudos de 100% no curso de pós-graduação in company, ministrado pelo Centro Universitário São Camilo.

“Os profissionais terminam o programa com alto nível de conhecimento teórico e prático”, acredita Collantonio. “Acreditamos que a pesquisa leva à mudança e à evolução dos cuidados na saúde”, explica Andrea Baldin, chefe do Setor de Educação Continuada da unidade.

Trainee por admiração – Felipe Vianna, formado em biomedicina, é trainee de operações de atendimento, tem 25 anos e foi de Goiânia a São Paulo para participar, e ficar, no programa de trainee do Grupo Fleury. 


Felipe Vianna é trainee de operações de atendimento no programa do Grupo Fleury (Foto: Divulgação)

“Me inscrevi porque admirava a empresa. E o que ela propunha era a preparação para liderança. Somos submetidos a situações que exigem isto de nós. É claro que ainda com a supervisão dos gestores. Mas o que eles venderam desde o início está sendo rigorosamente cumprido. O aprendizado diz respeito a ser conhecedor do core business da empresa. Conhecer todas as áreas e a sinergia entre elas. Por ter feito biomedicina, a área de medicina diagnóstica foi mais fácil para mim, mas eu nunca tinha tido contato com os processos, gestão de pessoas. E aqui me foi dado treinamento e situações reais em que tive de aprender e lidar com isso. Como eu vim com olhar técnico, a minha preocupação sempre foi a precisão. Além dela, outro fator que é primordial aqui é a atenção com o cliente. O trainee é selecionado pelo casamento de valor com a empresa. Ao final de 2012, eu espero ser efetivado com um cargo no nível da coordenação. Em São Paulo ou em outro lugar. Aqui as chances são enormes e minha expectativa é muito boa”.

*Matéria publicada na revista Diagnóstico, n°16.



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