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18/04/16
Seis passos para se tornar um hospital digital
Para Claudio Giulliano, presidente da consultoria Folks e-Saúde, no Brasil não há hospital que se possa considerar digital, mas alguns estão no caminho
Bruna Martins Fontes


Antes de começar a se preocupar com sistemas e equipamentos, os gestores do hospital devem traçar um planejamento do nível de digitalização desejado. Pode começar no estágio 1, instalando sistemas informatizados de gestão das atividades auxiliares, e ir até o 7, no qual não se usa mais papel na gestão do atendimento aos pacientes (Imagem: Shutter Stock/Direção de Arte)

Ver-se livre da papelada gerada todo dia no hospital é o sonho de qualquer gestor. A adoção do prontuário eletrônico não só dispensa o papel nas rotinas médicas como agiliza processos e economiza espaço de arquivamento. Esse sonho, porém, ainda está distante do dia a dia dos médicos. “No Brasil, ainda não há hospital que se possa considerar digital, mas alguns estão no caminho”, afirma Claudio Giulliano, diretor-presidente da consultoria Folks e-saúde, especializada em informática na área da saúde. Ele destaca os casos do Hospital Sírio-Libanês e do hospital da Unimed Recife, que obtiveram a pontuação seis em uma escala de digitalização que vai de 0 a 7, segundo o modelo internacional de adoção do prontuário eletrônico, o Emram (Eletronical Medical Registration Adoption Model). “A gestão melhora porque temos dados em tempo real. Conseguimos substituir 95% das cirurgias canceladas de última hora, evitando o gasto de R$ 700 por hora de centro cirúrgico parado”, afirma Kaio Bin, diretor de tecnologia da informação do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira), que tem o prontuário eletrônico 100% instalado desde 2011. O processo para virar um hospital digital é complexo e leva alguns anos. Em dois anos, estima Giulliano, já dá para implantar o prontuário eletrônico; a partir daí, em quatro anos se chega ao nível mais sofisticado de digitalização. Leia, a seguir, quais são os passos essenciais para chegar lá.   

Projeto de infraestrutura
Antes de começar a se preocupar com sistemas e equipamentos, os gestores do hospital devem traçar um planejamento do nível de digitalização desejado. De acordo com o Emram, o hospital pode começar no estágio 1, instalando sistemas informatizados de gestão das principais atividades auxiliares (nos laboratórios ou no setor de radiologia, por exemplo) e ir até o estágio 7, no qual não se usa mais papel na gestão do atendimento aos pacientes e o próprio sistema se encarrega de gerar relatórios analíticos sobre toda a operação (veja no quadro quais são todas as fases).

Em geral, o Sistema de Informação Hospitalar (SIH) engloba tanto dados financeiros e de gestão como informações de paciente, como o Prontuário Eletrônico de Paciente (PEP) e o RIS (sigla, em inglês, para Sistema de Informações de Radiologia). A digitalização das imagens médicas é feita à parte, em sistema de armazenamento e transmissão próprio, o PACS. “A base fundamental é ter o prontuário eletrônico e o PACS”, afirma Giulliano.
            
Investimento em TI 
Definido o tamanho e a complexidade do projeto de digitalização, chega a hora de fazer uma análise da infraestrutura de tecnologia da informação da instituição. Para suportar o armazenamento e o tráfego massivo de dados após a adoção do prontuário eletrônico, será necessário ter um data center robusto e uma rede sem fio (wi-fi) completa, que permita a comunicação entre todos os equipamentos que precisam se conectar para transmitir as informações. Outros itens que devem fazer parte do projeto são um sistema de ECM (sigla em inglês para gerenciamento do conteúdo da empresa), para a automação dos documentos usados em todos os processos, e uma ferramenta de integração de todos os programas que serão usados pelo hospital.

Implantação do prontuário eletrônico
A primeira fase rumo a um futuro sem papelada é digitalizar todos os processos de atendimento do hospital, ou seja, adotar o prontuário eletrônico. Dessa forma, agiliza-se a busca de informações de pacientes – que podem ser compartilhadas com médicos externos – e ganha-se maior controle. “Visualizo, em tempo real, desde a entrada do paciente até a hora em que ele tem alta, com acesso a todos os exames feitos aqui. Os dados digitalizados facilitam a auditoria interna e o faturamento das contas”, diz George Trigueiro Filho, gestor hospitalar do Unimed Recife. O hospital foi inaugurado em 2011, já com prontuário eletrônico, e hoje está no nível 6 do Emram. Outro ganho da adoção do prontuário eletrônico é a economia de espaço. “Nosso arquivo médico não chega a 80 m2”, diz Bin. Sua sugestão é iniciar a adoção do prontuário eletrônico pelo ambulatório, depois passar para a prescrição de medicamentos para, enfim, chegar aos centros cirúrgicos e à UTI.

Certificação digital
Quando o prontuário eletrônico já estiver rodando, o hospital vai precisar obter um sistema de certificação digital. Essa ferramenta permite aos médicos fazer a assinatura eletrônica dos prontuários já digitalizados. “Sem a certificação, o hospital não fica livre do papel, porque o médico ainda tem que imprimir, carimbar e assinar as prescrições”, afirma Bin. Os médicos do Icesp usam assinatura digital desde 2010, e com ela rubricam mais de 300 mil documentos eletrônicos por mês – que deixam de ser impressos.

Controle do fluxo de medicamentos 
Para a fase mais avançada de digitalização, quando o hospital tiver de controlar eletronicamente o tráfego de medicamentos e sua administração aos pacientes, será necessário ter um sistema de controle, que pode ser o de leitura de código de barras ou o de transmissão de dados por radiofrequência (RFID). “O RFID é interessante para o controle de medicamentos caros e para localizar equipamentos de alto custo e instrumentos cirúrgicos”, diz Giulliano. Isso porque todos os itens a serem controlados ganham uma etiqueta que permite seu rastreamento. O RFID também permite fazer o controle de estoque automaticamente – cada vez que um item deixa o estoque ou a farmácia, equipados com antenas nas portas, a saída é registrada em tempo real no sistema. Por fim, é interessante ter também um sistema de apoio à decisão clínica, que, baseado em protocolos médicos, propõe condutas ou gera alertas se perceber algo errado no atendimento.

Checagem beira-leito eletrônica
Na fase mais avançada, o hospital pode adotar a checagem beira-leito digital, que dispensa completamente as anotações feitas em papel. Nessa fase, médicos e enfermeiros portam um smartphone ou um PDA (dispositivo eletrônico portátil) para fazer os registros sobre os pacientes. Se o hospital tiver um sistema de controle de medicamentos por código de barra, esses profissionais podem ter um aparelho para ler a pulseira do paciente e registrar que medicamento foi administrado, e em que hora, para evitar erros nesse processo, como pular uma dose do remédio.

Publicado na revista Diagnóstico n° 30.



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