home notícias Gestão
Voltar Voltar
02/01/12
A saúde impulsionada pela logística dos processos
“A falta de estruturação de processos inviabiliza a adequada mensuração da sustentabilidade”, diz Maisa Domenech
Maísa Domenech*

Diante das dificuldades atuais e desafios futuros, cada vez mais o investimento na logística dos processos nas instituições da área de saúde deve galgar posições mais importantes, tornando-se parte da sua estratégia. Apesar da inegável complexidade em se gerir um serviço deste segmento, a cada dia se torna mais claro que tal complexidade pode ser minimizada de forma importante se as estratégias logísticas forem alinhadas às estratégias do negócio, em virtude dos reflexos gerados em custos, qualidade e agilidade.

 

Como mencionado em artigos anteriores sobre o tema, a sinergia entre as equipes, o conhecimento e a visão sistêmica dos processos internos contribuem para o aprimoramento e a otimização das atividades, reduzindo a movimentação desnecessária de pessoas (clientes internos e externos), oferecendo qualidade de serviço superior, mais segurança, menor prazo de atendimento e minimizando possibilidade de erros. Consequentemente, torna-se possível obter redução de custos e correção de gargalos que impactam no objetivo principal das instituições de saúde: o atendimento ao paciente.

 

A fragmentação dos quadros organizacionais e a falta de interação entre as diversas funções, ainda muito comuns na área de saúde, resultam em repetições de processos, desperdícios e morosidades. As informações são distorcidas, desatualizadas ou desarticuladas, e as linhas de autoridade e responsabilidade, distintas e desintegradas. Todo este panorama se traduz em falta de controles efetivos e perdas.

 

Com grande frequência, percebemos na área de saúde a pouca importância dada a tais processos, assim como o desconhecimento sobre o volume de perdas ao longo do fluxo dos mesmos. Tais perdas se iniciam no momento em que o paciente adentra as instituições, muitas vezes no primeiro contato com as equipes de linha de frente (recepções), se propagam durante a prestação do serviço e continuam durante o processo de faturamento, contas a receber (através das glosas), dentre outros. Mesmo quando informatizadas, as organizações comumente subutilizam tais sistemas e/ou possuem diversos problemas nos seus dados cadastrais, sejam referentes aos pacientes, tabelas de preços ou demais dados contratuais. Não pouco frequentes, também, são as informações disseminadas internamente nestas instituições de que mesmo os melhores sistemas informatizados de gestão não funcionam. Porém, de modo geral, durante a reorganização de tais fluxos e ajustes nos papéis dos recursos humanos envolvidos, estes mesmos sistemas passam a fornecer as informações tão esperadas.

 

A falta de estruturação de processos compromete a obtenção de indicadores confiáveis, inviabilizando assim a adequada mensuração da sustentabilidade.

 

O reconhecimento da necessidade de controle do custo total contribui com o desejo de reorganizar, combinar funções logísticas e, como resultado, obter uma organização integrada. A preocupação com a medição do desempenho de custos e serviços ao cliente, assim como o fornecimento de informações para a tomada de decisões, tem contribuído de forma importante em outros ramos de atividade para reduzir a pressão de como organizar funções individuais, tornando-se também fundamental na melhor administração do processo logístico total. Tal assimilação muitas vezes exige que as empresas organizadas de modo tradicional sejam desagregadas e depois recombinadas de maneiras novas e singulares.

 

O conceito da organização de processos é visto como resultado de fatores como o desenvolvimento de um ambiente de trabalho formado por equipes autoadministradas como meio de fortalecer os colaboradores e gerar sinergia e desempenho máximo; aumentar a produtividade que resulta de processos gerenciais e não de funções; e o rápido compartilhamento de informações precisas, que permite a integração de todas as facetas da organização. Dentro deste cenário, a tecnologia da informação compõe a base da empresa, substituindo a hierarquia convencional.

 

A organização de processos funcionalmente integrados oferece uma única lógica para orientar a aplicação eficiente de recursos financeiros e humanos em toda a extensão da cadeia de serviços.

 

Num cenário de carência de recursos financeiros e dificuldades cada vez maiores de sobrevivência das instituições de saúde do nosso País, faz-se necessário verificar os impactos das práticas atuais e atender às necessidades cada vez maiores em busca do uso inteligente dos recursos em geral e da segurança dos pacientes que necessitam dos nossos serviços. A otimização dos custos, a confiabilidade, a visibilidade, a rastreabilidade, o monitoramento e a capacidade de emitir alertas sobre desvios, a tempo de ações corretivas evitarem as falhas, são requisitos indispensáveis em serviços de saúde.

* Maísa Domenech é engenheira civil, pós-graduada em Administração–Hospitalar, consultora e diretora da ADM Consultoria em Saúde, Coordenadora do Núcleo de Hospitais e Laboratórios da AHSEB e representante técnica da Febase no DSS da Confederação Nacional de Saúde (CNS).



PUBLICIDADE

Mais lidas


    Warning: mysql_num_rows() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/diagnosticoweb/www/noticia-interna.php on line 309

    Warning: mysql_free_result() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/diagnosticoweb/www/noticia-interna.php on line 322

Newsletter

Cadastre-se e receba as novidades do Diagnosticoweb em seu e-mail

agenda

facebook

© Copyright 2012, Diagnósticoweb . Todos os direitos reservados.