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11/11/13
Aché está à procura de um novo diretor-presidente
Companhia busca um executivo com perfil financeiro que faça a empresa cada vez mais rentável para garantir o lucro das famílias controladoras
Da redação

Considerada uma das mais rentáveis empresas do setor farmacêutico devido a um diversificado portfólio de medicamentos, a estratégia do laboratórios Aché é se tornar uma empresa cada vez mais rentável para garantir o lucro das três famílias controladoras: Dellape Baptista, Siaulys e Depieri. Em processo de sucessão, a empresa está avaliando candidatos para a posição de diretor-presidente. As informações sã do Estado de S. Paulo.

Desde fevereiro é coordenada por um comitê de gestão, do qual fazem parte os diretores executivos Manoel Arruda Nascimento (gestão de demanda); Celso Sustovich (novos negócios) e Vânia de Alcântara Machado (comercial), apoiados pelo presidente do Conselho de Administração, Adalberto Dellape Baptista. O comitê foi criado após a saída do executivo José Ricardo Mendes da Silva, considerado o homem de confiança dos Depieri.

Venda bilionária - Acionistas do grupo, que encontra-se na segunda geração, tentaram vender o laboratório no ano passado. Segundo fontes do setor, gigantes globais, como a inglesa GlaxoSmithKline (GSK) e a suíça Novartis, demonstraram interesse, mas o Aché não confirma que esteve à venda. O negócio estaria avaliado em cerca de R$ 15 bilhões - aproximadamente 25 vezes o Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia. Para o setor farmacêutico, o valor é considerado estratosférico.

Para se ter uma ideia, no mercado internacional os ativos farmacêuticos giram em torno de 8 a 10 vezes o Ebtida. Em aquisições de peso realizadas no País - como o da Mantecorp pela Hypermarcas, e a Multilab pela Takeda -, os múltiplos giraram em torno de 20 vezes o Ebtida. Algumas companhias globais chegaram a avaliar o Aché por ser considerado um dos melhores ativos farmacêuticos do País, mas as negociações esbarraram no preço. O valor inflacionou muito e o cenário macroeconômico não está entre os mais otimistas?, diz uma fonte do setor.

?Esta não foi a primeira vez que tentaram vender a empresa. Muito se fala em divergência entre os acionistas, mas tuddo indica que os controladores criaram regras de convívio e que apenas se toleram, estando mais interessados em tirar lucro?, segundo uma outra fonte do setor. Nos últimos três anos, os sócios retiraram dividendos que responderam por quase 100% do lucro da empresa.

Outros negócios - Os controladores mantêm negócios independentes, além da participação no Aché. A família Baptista, por exemplo, controla a empresa de empreendimentos imobiliários Partage. Os Siaulys, redes de hotéis de luxo, como o Unique. Os Depieri investem no mercado financeiro. As famílias também estão entre os acionistas da BR Pharma, braço de varejo farmacêutico do BTG. Nos últimos anos, o Aché tentou abrir seu capital, mas não levou o projeto adiante devido a incertezas do mercado.

Nos últimos anos, a farmacêutica se consolidou no setor. Em 2003, incorporou a alemã Asta Médica do Brasil. E em 2005 deu seu maior salto, através da compra da Biosintética Farmacêutica, que possibilitou à companhia entrar no segmento de genéricos - atualmente, os produtos são vendidos sob a marca Genéricos Biosintética. Em 2010, a empresa adquiriu 50% da Melcon, de Anápolis (GO), marcando sua entrada no setor de hormônios. Em 2011, a companhia tentou fazer uma joint venture com a inglesa GSK para produtos inovadores, mas a aliança não foi adiante.

O Aché tem aproximadamente 280 marcas de produtos em 695 apresentações de medicamentos sob prescrição, isentos de prescrição e genéricos, e também atua nos setores de dermatologia e nutracêuticos, de margens mais atraentes. Além disso, o grupo compõe a Bionovis, superfarmacêutica criada através do apoio do governo federal para produzir medicamentos biossimilares, que tem entre os sócios a EMS, Hypermarcas e União Química.

Assim, fondes do setor informam que a notícia de que o Aché poderia mudar de mãos preocupou o governo, pois o acordo de acionistas da Bionovis não permite a participação de capital estrangeiro.



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