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02/03/16
Alliar (SP) negocia com Delfin (BA) e já é a 3ª maior rede de diagnósticos do país
Criada pelo fundo de investimento Pátria, rede já comprou 23 laboratórios. Grupo não para de crescer e desafio é conviver com mais de 70 sócios
Da Exame

Criada em 2011, a rede de laboratórios Alliar, controlada pelo fundo de investimentos Pátria, já comprou 23 laboratórios de diagnóstico por imagem em todo o país. Em 2015, a rede faturou 950 milhões de reais e tornou-se o terceiro maior grupo de medicina diagnóstica do Brasil, atrás dos líderes Dasa e Fleury. Além disso, outro número impressiona: a quantidade de sócios. Atualmente o Pátria detém cerca de 27% das ações. O restante pertence a um grupo formado por 75 médicos, que tende a crescer com novos negócios. As informações são da revista Exame.

A negociação mais recente já foi aprovado pelo CADE - Conselho Administrativo de Defesa Econômica (órgão que regula a concorrência no país) e está em fase final de negociação. Trata-se da incorporação do Grupo Delfin (BA), maior rede de diagnóstico por imagem da Região Nordeste. 

O modelo com grande número de sócios foi uma condição imposta ao Pátria pelos sócios iniciais que, de outro jeito, não topariam fechar negócio. Diante da expansão do Dasa e do Fleury, em 2010, donos de quatro redes de laboratórios dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, decidiram unir as operações. O grupo considerou a proposta de 12 investidores, mas o Pátria foi escolhido, entre outras razões, por concordar em dar voz aos médicos em relação às decisões relacionadas à qualidade dos serviços. 

Todas as decisões importantes são tomadas por consenso, explica Fernando Terni, presidente da Alliar. No entanto, conforme Fernando Pereira, diretor de expansão da Alliar e sócio do Pátria, o acordo, que demorou nove meses para ser concluído, determina que o Pátria tem soberania em todas as decisões, o que leva os sócios a negociar o tempo todo

É a primeira vez que o Pátria segue esse modelo. Antes, como a formação do Dasa e da rede de ensino Anhanguera, o número de sócios era menor com o objetivo de acelerar decisões. Em entrevista à Exame, Viktor Andrade, especialista de fusões e aquisições da consultoria EY, explica que, em geral, os fundos compram a maioria das ações para ter mais poder de decisão e escolhem apenas uma empresa de destaque para manter o sócio-fundador na gestão.

Mas, além da exigência dos médicos, os sócios do Pátria perceberam que seria vital manter o equilíbrio entre a visão operacional e o ponto de vista técnico. Como os laboratórios de análises clínicas funcionam quase sob uma lógica industrial e os exames precisam ser analisado individualmente por um médico, uma mudança atrapalhada poderia arruinar a reputação do negócio, que depende integralmente de bons médicos, já que o produto final é o laudo do especialista. 

Para os sócios, a gestão compartilhada funciona tanto que eles pretendem perpetuá-la através de um plano de sucessão. O desempenho dos quase mil médicos do corpo clínico dos laboratórios é avaliado e os 20% melhores podem comprar ações da empresa. Até agora 20 médicos já foram incorporados à sociedade dessa forma.

Mas o modelo não é unanime. Segundo o ex-sócio Rogério de Aguiar Ferreira, líder do grupo dos quatro primeiros laboratórios que deram origem à Alliar, os médicos podem dar a opinião nos comitês, mas a decisão final sempre é do Pátria. E esse equilíbrio de governança tende a ficar mais complexo à medida que ingressam sócios de peso. 

Atualmente, depois do Pátria, os sócios com maior concentração individual são Sérgio Tufik e Roberto Kalil, que juntos detêm quase 50% de participação. Há 18 anos os dois fundaram o laboratório CDB, em São Paulo. Em 2014, o negócio foi adquirido pela Alliar e já representa 40% do faturamento da companhia. Após a compra, a sede do Alliar foi transferida para o prédio em que funciona o CDB, na zona sul de São Paulo. 

De uma forma geral, o Pátria vende a participação nas empresas que controla sete a dez anos após a primeira fusão. No caso da Alliar, ainda faltam dois anos e o foco é crescer mais, já que o fundo obteve um financiamento de 100 milhões de reais do BNDS para estender a operação aos 26 estados brasileiros - faltam 18. A companhia já abriu 32 unidades e, até 2017, o plano é inaugurar outras 20 com as várias marcas regionais.



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