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11/05/15
Arthur Chioro afirma que atendimento primário é prioridade do governo
Ministro esteve em evento com especialistas para discutir como desafogar hospitais
Bruna Fontes

A sustentabilidade financeira do setor de saúde no Brasil e o fôlego dessa indústria para inovar foram tema de debate entre os 13 especialistas em saúde pública e suplementar que participaram hoje (11) da segunda edição do Fórum a Saúde no Brasil, promovido pela Folha de S.Paulo no Museu da Imagem e do Som, na capital paulista. 

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, abriu o evento dizendo que um dos maiores desafios atuais na saúde pública é melhorar o atendimento básico em unidades menores de atendimento para desafogar os hospitais. “O atendimento primário é prioridade do governo. Vamos investir R$ 5,6 bilhões em unidades básicas de saúde”, afirmou Chioro. Mesmo em um momento de corte de gastos públicos, o ministro reafirmou a disposição do governo em investir no atendimento primário. “Aumentamos os gastos de R$ 9,7 bilhões em 2010 para R$ 20 bilhões em 2014, e vamos continuar avançando.”

Outra ação considerada estratégica para o governo, segundo Chioro, é a informatização dos sistemas das UBS, com ações de telessaúde, compartilhamento de informações e formação à distância. “Até 2018, queremos ter prontuários eletrônicos e conectividade em todas as UBS.” O ministro também reafirmou a disposição em avançar na mudança da remuneração dos hospitais para acabar com o modelo baseado em procedimentos. “Hoje, 52% dos recursos transferidos pelo ministério não são mais orientados pela tabela. O ideal é remunerar os hospitais pela qualidade e disponibilidade dos serviços, e não pela quantidade, que estimula o excesso de procedimentos desnecessários.” 

Na sequência, os representantes privados ponderaram que a melhoria do atendimento não depende apenas de aumento de repasse de verbas, e sim do ganho de eficiência. “Boa parte da ação deve ser multissetorial. Precisamos estruturar o país para suportar a crescente carga de pacientes que sofrem com doenças crônicas e degenerativas”, apontou Gonzalo Vecina Neto, superintendente do Hospital Sírio-Libanês.
No momento, os hospitais não estão preparados para essa realidade, segundo os debatedores. “Nosso sistema continua pensando na lógica da emergência: recebe o paciente, dá um remédio e o manda para casa”, concordou Martha de Oliveira, diretora-presidente substituta da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). “A transição do atendimento, que deixa de focar nas doenças infecto-contagiosas para as crônicas e relacionadas ao envelhecimento tem impactado muito os custos de operação”, acrescentou Francisco Balestrin, presidente do conselho de administração da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados).

Segundo Oliveira, em todo o mundo os hospitais enfrentam problemas com aumento de custos agravado por fatores como a incorporação de novas tecnologias e a judicialização. Ela aponta uma saída: investir em centros menores de atendimento para que os hospitais se fortaleçam como o centro de uma rede de serviços. 
“É preciso mudar essa cultura ‘hospitalocêntrica’ e desenvolver novos modelos de atenção primária, como ´home care´”, afirmou Eudes Aquino, presidente da Unimed Brasil. Balestrin concorda com essa visão. Ele aponta que os hospitais no Brasil ofertam, em média, 61 leitos, e muitos têm origem filantrópica – fatores que, combinados, prejudicam sua sustentabilidade financeira. “Falta visão de rede, em que o hospital coordena a gestão de saúde de suas outras unidades”, afirmou Balestrin.

Pouca inovação - Na discussão sobre inovação, sobraram queixas sobre a burocracia e o custo elevado do investimento em pesquisa e desenvolvimento, além de críticas sobre o fraco “espírito animal” dos empreendedores brasileiros. “As empresas têm enorme aversão ao risco. Adrenalina, só sentem quando estão no elevador do BNDES”, ironizou Antônio Britto, presidente-executivo da Interfarma. 

Já Carlos Henrique de Britto Cruz, diretor científico da Fapesp, responsabiliza o governo pela baixa disposição do setor em investir mais em pesquisa e desenvolvimento. “Existe bastante intercâmbio entre a universidade e as empresas. O problema está em obstáculos como o custo trabalhista, a complexidade tributária e a insegurança jurídica no campo das patentes”, afirmou. “Isso anula os esforços do governo para incentivar a inovação.”

Paulo Hoff, diretor-geral do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), apontou também a falta de estímulo para que os pesquisadores gerem patentes e a burocracia para liberar ensaios clínicos. “Levamos mais de um ano para aprovar um ensaio clínico no país, passando por duas instâncias éticas e três regulatórias. Nos países mais avançados, o processo leva três, quatro meses.”



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