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23/12/14
Atendimento na Santa Casa de São Paulo pode ser suspenso na sexta (26)
Em reunião de representantes da categoria com a superintendência, médicos da entidade pedem a renúncia do provedor Kalil Rocha Abdalla
Estado de S. Paulo

São Paulo - A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo pode suspender o atendimento na próxima sexta-feira (26), caso não consiga efetivar nos próximos dias um empréstimo de R$ 40 milhões com a Caixa Econômica Federal. Atualmente, possui a entidade uma dívida superior a R$ 400 milhões e novas ameaças de suspensão de contratos por parte de fornecedores. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A informação foi dada aos médicos da entidade na tarde da última segunda-feira (22), quando foi realizada uma reunião de representantes da categoria com o superintendente da Santa Casa, Irineu Massaia. O encontro teve a participação de oito funcionários que integram o movimento Santa Casa Viva, criado na manhã de segunda, e que pede a renúncia do provedor da instituição, Kalil Rocha Abdalla.

Presente na reunião, o médico José Gustavo Parreira, representante do movimento, informou que, conforme Massaia explicou, para obter o crédito a entidade tenta viabilizar um empréstimo com a Caixa e que precisa oferecer um imóvel de igual valor como garantia. Além disso, o trâmite precisa ser aprovado pela Mesa Administrativa da instituição, e isso teria de acontecer hoje, terça-feira, quando o órgão se reúne de forma extraordinária para discutir o pedido de licença do provedor, anunciado anteontem.

Conforme Parreira, o superintendente disse que já tentou colocar isso em votação na mesa duas vezes, mas não foi aprovado. Ainda segundo o médico, a situação é mais grave do que se imagina. Ele explica que, se a alienação do imóvel não for aprovada nesta terça-feira (23), não apenas o pronto-socorro irá fechar, mas o hospital inteiro, porque não haverá dinheiro para itens essenciais, como oxigênio para os pacientes.

Segundo a assessoria de imprensa da Santa Casa, que confirmou a realização da reunião, a situação da instituição se agravou ainda mais ontem, quando a empresa que presta serviço de lavanderia e os fornecedores de alimentação e combustível anunciaram que poderão parar por falta de pagamento. A Santa Casa afirmou que, caso não consiga nos próximos dias condições para obter crédito, haverá um "agravamento do plano de contingência" anunciado na semana passada, podendo culminar na interrupção de serviços.

Caso o empréstimo com a Caixa fracasse e a alienação do imóvel não seja aprovada, a entidade deverá comunicar as secretarias estadual e municipal da Saúde sobre novas regras para o atendimento a pacientes. A partir da próxima sexta-feira, é possível que alguns setores do complexo tenham o serviço totalmente interrompido e que outros, como o pronto-socorro, façam apenas o primeiro atendimento dos casos graves e transfira pacientes para outras unidades.

Plano - Na última quinta-feira, quando a superintendência da entidade anunciou o plano de contingência, a instituição informou que iria diminuir o número de procedimentos eletivos (aqueles considerados não urgentes) realizados, como consultas, exames e cirurgias. Além disso, é possível que haja recusa ou transferência de pacientes com quadros considerados menos graves. No dia anterior, a empresa que presta serviços de limpeza e manutenção havia anunciado a suspensão do contrato por falta de pagamento e mais de 1.100 funcionários da companhia que atuavam no hospital foram demitidos.

Cerca de 7 mil funcionários da entidade sofrem com o atraso do pagamento de dezembro e do 13º salário. A primeira parcela do benefício já estava atrasada desde o final de novembro e a segunda, que deveria ter sido paga até o último dia 20, não foi depositada. Para que os pagamentos sejam regularizados, a Santa casa propôs aos funcionários que esperem até o dia 29 de dezembro. Caso o empréstimo com a Caixa seja efetivado, boa parte dos R$ 40 milhões será utilizada para regularizar as despesas com a folha de pagamento.

Pressão - Diante da crise, os integrantes do movimento Santa Casa Viva decidiram fazer um ato pacífico na frente da Provedoria, na manhã desta terça, para pressionar os membros da mesa a aprovarem a alienação do imóvel para o empréstimo. A pauta da reunião é a aceitação ou recusa do pedido de licença de Abdalla, mas a questão do empréstimo deve ser apresentada pelo superintendente.

Membros da irmandade e funcionários, que exigem a renúncia definitiva, criticaram o pedido de licença do provedor. A reunião de hoje foi convocada por Abdalla após pressão dos membros da Provedoria, que enviaram carta ao provedor ressaltando que sua licença precisaria ser votada pela Mesa Administrativa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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