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19/03/15
Crise econômica afeta saúde mental dos europeus
Estudos publicados destacam efeitos na saúde mental de gregos e portugueses
Filipe Sousa

Um estudo, publicado na revista médica BMJ Open, analisou as taxas de suicídio na Grécia de 1983 até o final de 2012 – um período de 30 anos marcado por altos e baixos na economia.

“Apesar de ter, historicamente, uma das menores taxas de suicídio no mundo, a Grécia tem sido o país europeu mais afetado pela retração financeira global,” diz o estudo.

Segundo o ELSTAT, órgão oficial de estatística da Grécia, mais de 11 mil pessoas cometeram suicídio entre 1983 e 2012 – na maioria homens, numa proporção de mais de 9 mil homens para mais de 2 mil mulheres.

As medidas de austeridade remontam a junho de 2011, e foram acompanhadas por um aumento de 35% nos casos de suicídio que se prolongou por 2011 e 2012.

A taxa de suicídios nos homens começou a subir cerca de 13% em 2008, quando teve início a recessão econômica. 

Em contraste, a adesão da Grécia ao Euro em janeiro de 2002, um evento significativo de prosperidade, foi associada com uma queda abrupta, ainda que breve, de 27% nos casos de suicídio entre homens.

Segundo os pesquisadores, a instabilidade econômica afetou principalmente os homens que eram os principais responsáveis pela renda familiar, na comparação com as mulheres. No entanto, os suicídios entre mulheres também aumentaram juntamente com eventos associados à austeridade. A partir de maio de 2011, a taxa de suicídio entre as mulheres gregas aumentou quase 36% e, como aconteceu com os homens, se manteve até 2012, conta a publicação Medical News Today.

Já o Financial Times alerta que as consequências da crise na saúde mental da população grega têm sido descuradas, já que outras questões mais urgentes se impõem, como a fome e a pobreza, contudo, sublinha que o aumento dos diagnósticos de depressão e o aumento exponencial dos suicídios espelham bem esta nova realidade.

"Todos os tipos de transtornos psicológicos têm aumentado - ansiedade, depressão, abusos, comportamento anti-social...", adianta Argyro Voulgari, psicólogo clínico no Centro Helênico para a Saúde Mental e Pesquisa. Neste centro, o número de crianças e adolescentes em acompanhamento subiu 51% entre 2006 e 2011.

A permanente incerteza sobre o futuro, o aumento exponencial do desemprego, tornaram-se nos principais geradores do “stress crônico” entre os helênicos.

Paralelamente ao acréscimo de transtornos psicológicos, a Grécia assistiu ao estrangulamento dos seus serviços de saúde, sujeitos aos cortes orçamentais impostos pela Troika, o que tem se traduzido na fragilização dos serviços e cuidados que deveriam ser disponibilizados aos cidadãos.

Existe alguma esperança com a chegada do partido Syriza ao poder defendendo o fim das medidas de austeridade na Grécia, tendo aprovado medidas de apoio social que asseguram necessidades básicas como habitação, alimentação e energia.



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