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24/03/15
Banco do Brasil resiste a socorrer plano de saúde de funcionários
Seguro administrado pela Cassi enfrenta uma grave crise financeira que poderá consumir as suas reservas livres, de R$ 400 milhões
Valor Econômico

O plano de saúde dos funcionários do Banco do Brasil, administrado pela Cassi -- empresa de autogestão que administra o plano dos funcionários do banco -- enfrenta uma grave crise financeira que poderá consumir cerca de R$ 400 milhões de reservas livres ainda esse ano. Caso o desequilíbrio não seja equacionado, o plano corre o risco de uma eventual intervenção da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). As informações são do Valor Econômico.

O BB, que patrocina o plano com uma contribuição de 4,5% da folha de pagamento de salários, declarou que não irá colocar nenhum centavo a mais. Em negociação com os funcionários, a entidade insiste em soluções que lidem com o problema pelo lado do gasto ou no aumento das contribuições dos funcionários, que atualmente é de 3% do salário. 

Cada eventual aumento de 1% na contribuição do BB à Cassi obrigaria a instituição a fazer uma provisão adicional de R$ 1,3 bilhão no balanço. A provisão é obrigatória para cobrir despesas futuras com o plano dos funcionários aposentados.

Nos últimos anos, o plano registra déficit devido ao aumento nos custos da saúde muito acima da inflação, enquanto as contribuições do BB e dos funcionários, por estarem ligadas à evolução dos salários subiram menos. 

Para chegar a um acordo em comum, as associações e sindicatos que representam os funcionários ainda estão discutindo entre si. Muitos defendem que o BB cubra o déficit sozinho. Outros concordam em aumentar a contribuição dos funcionários, desde que o BB acompanhe. Uma parcela menor dos funcionários aceitou discutir alguns pontos, como uma maior coparticipação dos associados em alguns procedimentos médicos. Quase todos os funcionários são contra o corte de coberturas.

O BB afirma que, em 2007, aceitou aumentar sua contribuição de 3% para 4,5% do salário de todos os funcionários. Em contrapartida, foi incluído um artigo no estatuto da Cassi afirmando que sua responsabilidade é limitada a esse percentual. Atualmente, o BB possui R$ 5,8 bilhões provisionados em balanço para cobrir custos de funcionários que se aposentarem.


De acordo com Carlos Neri, diretor de relacionamento com entidades patrocinadas do Banco do Brasil, a obrigação do BB está definida estatutariamente. Ele afirma que não há nada que obrigue o BB a aumentar a contribuição ou a cobrir os déficits. 

Douglas Scortegagna, ex-­diretor de saúde da Cassi, eleito pelos funcionários, declarou que o BB tem afirmado que não vai colocar mais recursos, mas é bem provável que reveja essa posição, dependendo da proposta dos funcionários.

Já Fernando Amaral, vice-presidente de relações institucionais da Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (Anabb), afirma que "talvez a saída seja um aporte de recursos que não obrigue o BB a fazer provisionamentos em balanço".

Os problemas financeiros se restringem ao Plano de Associados, que é o plano da Cassi para os funcionários ativos e aposentados do BB, que atende 400 mil pessoas. A Cassi também administra um outro plano, o Cassi Família, voltado para familiares até terceiro grau dos funcionários, com mais 400 mil pessoas. Nesse caso, a situação é considerada confortável porque as mensalidades do plano são reajustadas de acordo com os custos de mercado e variam segundo o perfil dos associados.


A proposta de orçamento do Plano de Associados para esse ano foi rejeitada pelos representantes do BB na administração da Cassi porque projetava um déficit de R$ 250 milhões. Conforme simulações atuariais, há o risco do resultado negativo ser maior do que isso, consumindo as reservas ainda neste ano. Isso configuraria um estado de insolvência, deixando o plano exposto a uma intervenção da ANS.

Sem orçamento, o plano opera em regime de contingenciamento, que autoriza apenas pagamentos essenciais. "Ainda segundo Neri, mais de 17 propostas foram colocadas na mesa para resolver o desequilíbrio.

Programas como o fornecimento de medicamento, cuidados especiais a doentes crônicos e programas antitabagista estão entre os pontos mais polêmicos. O BB afirma que alguns programas custam caro, estão fora dos padrões atuais do mercado e atendem uma parcela relativamente menor dos associados. Já os funcionários, de uma forma geral, acreditam que esses programas preventivos reduzem os custos totais do sistema.

A Cassi tem uma gestão compartilhada, na qual o BB indica o presidente, o diretor de finanças e o de administração. Os representantes eleitos pelos funcionários ocupam três outras cadeiras, responsáveis por administração dos planos e contato direto com os associados. As decisões são tomadas por consenso, sem o chamado "voto de minerva".

As informações são do Valor Econômico.



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