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13/11/13
Benefícios são pouco reconhecidos no mercado brasileiro
Levantamento inédito revela que 60% dos trabalhadores não estão satisfeitos com os benefícios que recebem de suas empresas. Cerca de 84% dos entrevistados citaram o seguro de saúde como prioridade
Da redação

Um levantamento inédito realizado pela MetLife, seguradora de vida, planos odontológicos e previdência privada, sobre as tendências na América Latina de benefícios para funcionários, constatou que, no Brasil, 60% dos empregados não estão satisfeitos com os benefícios que recebem de suas empresas. Ao mesmo tempo, apenas 41% das empresas acreditam que os benefícios oferecidos agradam plenamente os profissionais. Foram ouvidos 250 empregadores e 500 empregados de empresas com 50 ou mais funcionários. As informações são do Valor Econõmico.

No país, o plano de saúde é o benefício mais valorizado. Cerca de 84% dos entrevistados citaram o seguro de saúde como prioridade. E 78% citou o benefício como o item mais adquirido entre as opções oferecidas pelas empresas. Em segundo lugar no ranking apareceu o seguro dental (63%). Do lado da oferta, 71% dos empregadores consultados proporcionam planos de saúde aos funcionários, mesma porcentagem dos que afirmaram incluir seguro de vida em seus pacotes.

Apesar da aparente sintonia entre demanda e oferta, a insatisfação dos trabalhadores deve servir alertar as empresas, mesmo que o pacote de benefícios seja visto por elas como importante para atrair e reter talentos. No país, 90% dos empregadores afirmaram que pretendem aumentar a satisfação profissional através do uso desse recurso, enquanto 85% o mencionaram como meio para aumentar a produtividade do trabalhador, segundo o levantamento.

Maria Morris, chefe mundial da área de benefícios da MetLife, afirma que as companhias precisam investir em ferramentas de educação para esclarecer seus funcionários sobre os planos de benefícios oferecidos. Segundo ela, boa parte da insatisfação provêm da desinformação, e essa responsabilidade também é das seguradoras de saúde e dos demais ofertantes dos serviços. Ela resalta que as orientações devem ser passadas por caminhos diversos, tanto pela internet como pessoalmente. 

O estudo demonstra que 43% dos empregadores disseram acreditar que efetivamente educam os funcionários a respeito dos programas de benefícios. Segundo José Hipólito, sócio da Growth Desenvolvimento de Pessoas e Organizações, as empresas sempre foram pouco atentas à comunicação, mas têm procurado deixar mais claro o que oferecem, o valor dos benefícios para o profissional e o quanto eles custariam se fossem contratados por pessoa física

Os números da pesquisa estão em acordo com a ideia de que os benefícios melhoram a percepção dos trabalhadores em relação às companhias. Ao todo, 57% dos que os recebem afirmaram estar "extremamente" satisfeitos com seus empregos, ante um percentual de 52% entre os funcionários sem benefícios.

Segundo Juliano Ballarotti, diretor da Hays, os benefícios são uma maneira menos custosa para o caixa empresarial em relação a aumentar os salários. "Por isso, os benefícios têm sido cada vez mais alavancados". Mas o consultor enxerga um problema: os profissionais estão mais informados sobre o que está disponível no mercado. "As empresas precisam analisar essa oferta e saber customizá-la para a realidade delas", diz.

Por essa lógica, é preciso alinhar o benefício ao perfil do funcionário. De acordo com Ballarotti, um funcionário casado e com filhos, por exemplo, vai considerar o seguro saúde como um dos principais benefícios. Já alguém mais jovem, pode valorizar uma bolsa-auxílio para os estudos.

Um fator que tem ganhado destaque na configuração da demanda dos trabalhadores é a renda depois da aposentadoria. Sete entre dez brasileiros se preocupa em ter condições de sobreviver com ela, segundo o levantamento da MetLife. cerca de 75% demonstraram estar apreensivos sobre como conseguir pagar pela assistência médica após se aposentar.

Nesse cenário, os planos de previdência privada se tornaram a menina dos olhos dos funcionários, e os empregadores perceberam isso. Uma pesquisa revelou que metade das multinacionais que operam no Brasil tem algum tipo de plano de pensão privada para seus empregados. Entre os funcionários, quatro em cada dez afirmaram possuir um plano privado de aposentadoria.

Segundo Andrea Sotnik, consultora sênior de capital humano da Mercer, especialmente em níveis mais altos da hierarquia, esse tipo de benefício pode fazer diferença no momento da negociação de uma oportunidade de trabalho. Além disso, muitas empresas oferecem produtos mais direcionados e atrativos para o perfil dos profissionais que costumam contratar.

Uma das vertentes da aquisição de um plano de previdência privada é a do benefício voluntário, aquele que é pago integral ou parcialmente pelo funcionário. A pesquisa da MetLife indica que 49% dos profissionais considerariam fortemente pagar por um plano pessoal de aposentadoria. Dos empregadores, sete entre dez que atualmente não optam por benefícios voluntários estariam interessados em adotar a modalidade; 60% dos pesquisados já oferecem seguro de vida e 45%, seguro dental por esse modelo.

Henri Barochel, líder da área de remuneração executiva do Hay Group, reforça que, para minimizar custos, as corporações também lançam mão da coparticipação. "No caso dos planos de saúde, em algumas situações, o segurado arca com uma porcentagem do valor de determinados exames", exemplifica.

Uma característica verificada pelo estudo no México, mas não relevante no Brasil e no Chile, foi a oferta de benefícios não financeiros. Entre eles, as empresas mencionaram flexibilidade de horário de trabalho (79%), compartilhamento de trabalho (74%) e trabalho remoto (42%).

Essas concessões, considera Barochel, ocupam ainda um posto de coadjuvante nas cartelas de benefícios das companhias brasileiras. Na opinião de Ballarotti, da Hays, apesar de ainda secundárias, iniciativas relacionadas ao equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional estão "cada vez mais evidentes" entre as práticas de atração e retenção de recursos humanos. "Há dez anos, ninguém falava em qualidade de vida. Hoje, esse é um forte motivo da mudança de emprego", ressalta.

Antes, porém, de ampliar investimentos em vantagens não monetárias, o empresariado brasileiro precisa consolidar a lição de casa, aprimorando os pacotes de necessidades mais básicas, sinaliza Maria Morris, da MetLife. "Ainda há muito trabalho a ser feito nesse sentido".



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