home notícias Gestão
Voltar Voltar
09/01/12
Caro Gestor: como apontar distorções em empresas familiares?
Reflexões de Osvino Souza, professor da Fundação Dom Cabral, sobre questões como gestão familiar e o lado emocional do executivo
Osvino Souza*

Sou gerente de RH de uma clínica cuja estrutura é toda familiar, com parentes ocupando cargos em vários setores do negócio. Não há cumprimento de horários e é clara a falta de competência de alguns dos colaboradores. Como apontar essas distorções sem pôr em risco meu emprego? (M.T.R. – Salvador, BA)

A tarefa que você tem pela frente não é simples e será preciso ter muita habilidade na condução de suas ações. De início, recomendo que você estude um pouco as particularidades das empresas familiares, além de aprender mais sobre gerenciamento de mudanças. As empresas familiares caracterizam-se, por exemplo, por terem valores, certos ou errados, fortemente ligados aos da família. Você não menciona que geração está à frente da gestão da empresa, mas quanto mais a instituição se afasta da primeira geração, maior é o risco que corre de agravamento desses problemas e, infelizmente, de um insucesso empresarial drástico. Estudando os dois assuntos que sugeri, você verá que será preciso trabalhar com os sócios na separação gradual das três dimensões contidas neste tipo de empresa, que são: a família; a propriedade e o negócio. A família precisará ser compreendida, dimensionada, reconhecida e tratada como tal. Algum tipo de governança familiar precisará ser estabelecido e regras precisarão ser definidas e implantadas, no âmbito da família, com o foco na empresa. No que diz respeito à propriedade, ou seja, ao patrimônio da empresa, o(s) sócio(s), proprietário(s), familiares e não familiares, precisarão aprender a separar a propriedade da família da propriedade da empresa e estabelecer um sistema de governança para isto. A gestão do negócio, por sua vez, precisará passar por amadurecimento, com uma profissionalização, que pode contemplar os membros da família, desde que focados no melhor desempenho da empresa, eliminando ou reduzindo as interferências dos familiares que não estejam devidamente capacitados para o exercício da gestão. As três dimensões não são totalmente independentes e, por isso, é preciso entendê-las melhor. A cultura de uma empresa familiar é muito forte e qualquer tentativa de mudança deve respeitá-la, bem como a capacidade de mudança dos seus membros. Abordagens muito prescritivas, que propõem mudanças radicais na governança e na gestão da empresa, costumam não ter sucesso. Por isto, será preciso conduzir o processo sabendo que a mudança irá do indivíduo, passando pelos grupos e chegando à organização como um todo. Você assumirá, então, o papel de agente de mudança. Bom trabalho!

 

Como um executivo deve lidar com o lado emocional no ambiente de trabalho de um grande hospital? (Marlon Dias – Recife, PE)

Em qualquer organização, os executivos deveriam se preocupar com as emoções que estão, inevitavelmente, presentes no ambiente de trabalho. Afinal de contas, as organizações são constituídas de pessoas. O trabalho, por si só, já causa algum tipo de dor emocional. Alguns trabalhadores são mais sensíveis a isto, outros menos, mas, à medida que se reúnem pessoas, cada uma com sua individualidade, suas características e problemas pessoais, em um mesmo ambiente trabalhando juntas em processos, a questão das emoções toma dimensões importantes que, geralmente, interferem negativamente no desempenho da organização. Emoções positivas também estão presentes; no entanto, as negativas são reconhecidas mais frequentemente. As relações interpessoais são complexas e precisam ser compreendidas e trabalhadas. Os executivos, gestores e líderes de qualquer organização deveriam incluir este tema no seu desenvolvimento individual. Nas instituições de saúde, particularmente nos prestadores de serviços, como hospitais e clínicas, a questão ainda toma dimensões maiores, uma vez que lidam com clientes/pacientes e seus acompanhantes, que se encontram emocionalmente sensíveis, demandando atenção especial desde o primeiro contato. Assim, os profissionais destas organizações são desafiados a “doar” suas energias em benefício dos pacientes. Muitas vezes, neste contato, são também “contaminados” pela dor e pelo sofrimento e isto, inevitavelmente, afeta suas próprias condições emocionais. Ou seja, o executivo, gestor ou líder dessas instituições precisa aprender a lidar não somente com as pressões inerentes a qualquer organização (gestão de recursos visando à eficiência, à eficácia e à efetividade dos mesmos, por exemplo), mas também com o agravamento que o “lidar com a doença” traz. Quanto maior a organização, mais complexa é a questão e sua solução, pois, mesmo que o principal executivo tenha consciência e competência para lidar com as questões emocionais, ele precisa contar com que sua equipe gerencial também o faça. Minha recomendação é que, qualquer que seja sua área de formação, você invista no desenvolvimento de sua competência (veja, eu não disse inteligência) emocional. Isto não só terá resultados positivos para a organização, mas também para você.

 

Nosso hospital acabou de investir na formação de uma turma de novos atendentes. Ocorre que, antes da efetivação do contrato, um concorrente esperou o fim do processo de formação e assediou metade da turma. Isso é ético? (A.C – Salvador, BA)

Ética é uma questão difícil de ser tratada no espaço disponível para nosso diálogo. A ética nos negócios tem nuances complexas e não faria qualquer julgamento sobre este fato, principalmente com tão poucas informações sobre o ocorrido. Chama a minha atenção a afirmação de que “um concorrente esperou o fim do processo de formação e assediou metade da turma”. Pergunto: teria sido isto mesmo? Não vou arriscar qualquer resposta. Você tem que estar convicto da sua. O mundo do trabalho mudou significativamente nas últimas décadas. O contrato psicológico de trabalho, que une o empregado à empresa, em vigor nos dias de hoje, é muito diferente do que vigia nos anos 70 ou 80, por inúmeras razões. Desde o acirramento da competição entre as empresas, passando por um contexto econômico muito diferente, até as características das gerações. Há 40 anos, por exemplo, a estabilidade no emprego era um valor importante para os empregados e para as empresas. Isto resultou em sistemas de recursos humanos que incentivavam a permanência do empregado em uma mesma empresa por muitos anos, se possível até a aposentadoria.  Pagamentos de quinquênios, promoções automáticas por tempo de serviço. Era bom? Acompanhei colegas que tiveram um único emprego registrado em sua carteira de trabalho, mas que viveram infelizes por anos, desmotivados e improdutivos no trabalho, e encerraram suas carreiras emocionalmente esgotados. Nos últimos anos, empresas e empregados têm aprendido a conviver com um novo contrato psicológico de trabalho. Empresas não prometem mais estabilidade, até porque seriam promessas falsas. Profissionais, aproveitando o momento econômico positivo com grande oferta de empregos e calcados ainda em valores pessoais fortes, como a busca da “felicidade” e de uma melhor qualidade de vida, escolhem em que organização querem trabalhar. Mudam de emprego com facilidade, muitas vezes precipitadamente. O que os retém no trabalho hoje? Salário? Desafios intelectuais? Satisfação profissional equilibrada com a pessoal (o que isto significa?)? Qual é a nossa parte, como executivos, gestores e líderes nesta história? O que podemos fazer para ter pessoas satisfeitas, motivadas, produtivas, engajadas em nossa empresa, considerando o novo perfil do profissional que está no mercado? Lembrando a matriz SWOT, sobre as oportunidades e ameaças que vêm do ambiente externo, pouco ou nada podemos fazer, mas, sobre nossas forças e fraquezas, podemos agir. Reflita.

 

*Osvino Souza é gerente de projetos e professor da Fundação Dom Cabral nas áreas de Comportamento Organizacional e Desenvolvimento Organizacional.



PUBLICIDADE

Mais lidas


    Warning: mysql_num_rows() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/diagnosticoweb/www/noticia-interna.php on line 309

    Warning: mysql_free_result() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/diagnosticoweb/www/noticia-interna.php on line 322

Newsletter

Cadastre-se e receba as novidades do Diagnosticoweb em seu e-mail

agenda

facebook

© Copyright 2012, Diagnósticoweb . Todos os direitos reservados.