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28/11/11
Caro Gestor: Demissão por discordar de processos antiéticos?
Professor Osvino Souza, da Fundação Dom Cabral, responde a questionamento de executivos do setor de saúde
Da redação

Trabalho como gerente financeiro de um hospital e me deparo com frequência com procedimentos – principalmente de cobrança junto às operadoras – nem sempre éticos. Tenho dez anos de casa e ultimamente essa situação tem me incomodado muito. Já pensei em pedir demissão, mas tenho 52 anos e tenho medo de não conseguir outra colocação. Faltam apenas dois anos para me aposentar. O que devo fazer? Anônimo – Salvador, Bahia

 

Quando se fala em ética, entramos em um campo muito delicado. Embora nos pareça uma questão óbvia, aprendemos com a vida, com o tempo e com nossas experiências que o óbvio é relativo. Cada um de nós tem sua própria formação, sua própria experiência, seus próprios princípios e valores, formados a partir de uma infinidade de conjunções de situações que são únicas.

 

Cada um de nós sabe quando as coisas ao nosso redor não andam bem e começam a nos incomodar. Costumo dizer que, quando somos pressionados a fazer algo que fere nossos princípios mais fundamentais, reagimos imediata e fortemente. Questões como falta de honestidade não são aceitáveis pela maioria de nós. Se você não está se sentindo bem no seu trabalho porque alguns de seus princípios mais intocáveis estão sendo agredidos, acredito que um bom caminho a ser seguido seria promover um diálogo interno sobre o que o está incomodando, até para se certificar que as coisas que você crê ver estão realmente acontecendo.

 

Há situações que não deixam dúvida, considerando nossos valores. Se o fato for constatado e não houver qualquer possibilidade de mudança ou correção daquilo que está errado, aí é preciso pensar em “mudar de lugar”, já que neste lugar “não dá para ficar”. Mudar de lugar não significa necessariamente mudar de empresa ou de emprego. Pode-se, e tenho visto isto acontecer muitas vezes, mudar dentro da mesma empresa. Buscar novos ares, novos afazeres, mesmo que isto pareça algo muito difícil ou até impossível, é sempre saudável para o indivíduo e para a organização. Toda mudança começa nas pessoas e você pode precisar encarar este fato. Toda mudança exige coragem e determinação.

 

Talvez seja necessária alguma ajuda externa que possa auxiliá-lo a organizar as ideias, entender melhor a si mesmo, seus pontos fortes e fracos para tomar a decisão com mais segurança e encarar o desafio que certamente virá. Recomendo a leitura de um artigo de Peter Drucker, chamado “Gerenciando a si próprio” (“Managing Oneself”). Procure na internet, ele poderá ajudá-lo a entender um pouco mais o que estou tratando aqui. Você ainda é muito jovem, tem todas as chances no mercado de trabalho.

 

 

 

Apesar do esforço em melhoria do atendimento e investimentos em gestão, percebo que o hospital onde trabalho não consegue transferir para os colaboradores alguns dos ensinamentos básicos de atendimento ao público. Dizem que a dificuldade de se cumprirem regras e procedimentos pode ser cultural. Isso precisa mesmo ser levado em conta? Luis C. – Salvador, Bahia  

 

O atendimento ao público é um fator crítico de sucesso para qualquer negócio, particularmente para os prestadores de serviços. Os hospitais não escapam desta regra e ainda há muitas outras agravantes. Uma delas é que hospitais lidam com pacientes e acompanhantes em momentos de fragilidade. Nesta questão, a cultura do país, da região e da própria empresa é fator importante, que pode afetar o desempenho dos colaboradores. Regras e procedimentos são indispensáveis nas organizações, em maior ou menor grau. A questão é fazer com que todos os envolvidos os vejam como importantes e favoráveis ao bom desempenho da instituição e do indivíduo.

 

Os programas de desenvolvimento de pessoas precisam considerar as questões culturais que envolvem a organização. Os treinamentos não podem ser somente técnicos, precisam também ser comportamentais, ou seja, devem considerar as necessidades de mudança cultural, que, associadas à melhoria do desempenho técnico, transformam as empresas em organizações de excelência.

 

Adultos aprendem melhor quando os programas consideram seus interesses e respeitam seu modo de ver as coisas. Precisam perceber que o treinamento faz sentido e que lhes trará algum tipo de vantagem no trabalho, facilitando-o ou aumentando sua capacidade de obter sucesso. Enfim, mesmo quando estamos tratando de treinamento, é preciso se certificar de que os colaboradores estejam cientes da sua importância para a empresa e para si próprios, e tenham suas necessidades atendidas no que diz respeito à estratégia adotada.

 

 

 

Sou dono de uma clínica de pequeno porte em Pernambuco, juntamente com meu sócio. Já estamos com 60 anos e nossos filhos não têm interesse pelo setor de saúde. Fiz e recebi algumas sondagens de empresas interessadas em adquirir a clínica, mas os valores propostos sempre ficaram abaixo do que achamos valer o negócio.  Essa é mesmo a melhor saída? A.M – Recife, Pernambuco

 

Pelo que entendi, nem seus filhos e nem os filhos de seu sócio têm interesse em assumir a condução da clínica. Não havendo interesse na família pela continuidade do negócio, a primeira opção que vem à mente é a venda. No entanto, surge a questão de sua expectativa quanto ao valor a ser negociado, que em princípio deve considerar não apenas o valor dos ativos, como imóveis, equipamentos, móveis e assim por diante, mas também o valor da marca e da carteira de clientes, dentre outros ativos intangíveis.

 

O melhor procedimento, nesse caso, é contratar uma consultoria especializada em avaliação de empresas para obter uma opinião profissional do valor da clínica. Muitas vezes, influenciados por questões emocionais, sentimentos naturais em quem dedicou boa parte de sua vida para a construção de um empreendimento, supervalorizamos o negócio. Daí a importância de uma avaliação imparcial e idônea.

 

Outra questão relevante é se a iniciativa é compartilhada por seu sócio. É fundamental que ambos estejam de acordo, uma vez que a preferência pela compra é dele, caso apenas você esteja interessado em se desfazer do negócio. É preciso verificar como isto está prescrito no contrato de constituição da empresa e em outros documentos aplicáveis.

 

Com 60 anos você ainda tem muita vida pela frente. Está seguro sobre a decisão de encerrar a carreira de empresário e gestor? Quem sabe não deveria pensar em assumir uma posição de conselheiro, deixando as atividades de gestão para profissionais que podem dar outro rumo para a questão, até mesmo comprar a empresa. Sugiro que você estude e conheça um pouco mais sobre modelos de governança de empresas familiares. Além disso, pergunte-se: há alguma razão ligada à desmotivação com o negócio? Há algum outro conflito que pode estar levando-o a pensar desta forma? É importante esgotar as possibilidades para que não haja arrependimentos posteriores. Há também a questão da manutenção de suas atividades “pós-aposentadoria”. Isto tem tudo a ver com sua saúde física e mental. Você já planejou sua rotina pós-venda da empresa? Para quem dedicou sua vida ao trabalho, a falta deste pode ser muito dolorosa. Pense sobre isso e boa sorte! 

 



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