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22/05/14
Chile está entre os primeiros no ranking de qualidade hospitalar
No quinto artigo da série Os Ideais da América Latina, o CEO e gerente geral da Clínica las Condes, Gonzalo Grebe Noguera, reflete sobre a evolução e os desafios do mercado de saúde chileno
Gonzalo Grebe Noguera*

Não há dúvidas de que a saúde privada no Chile cresceu de forma importante durante os últimos anos. Testemunhamos constantes construções de novos hospitais, ampliações, incorporações de novas tecnologias e técnicas, que posicionaram o Chile entre os primeiros nos rankings de qualidade hospitalar. É assim que realmente avançamos muito na melhoria contínua da qualidade. Podemos ter algumas discrepâncias nas metodologias que se aplicam para acreditar a qualidade, mas as organizações se ordenam, padronizam seus processos, buscam comparar-se com indicadores objetivos e concretos que permitam verificar a qualidade da medicina que se entrega com o fim de buscar de maneira permanente melhores resultados para o cuidado dos pacientes.

A análise macroeconômica nos dá a ideia de que esta indústria tem muito espaço para seguir crescendo. No Chile, o gasto em saúde representa 7,7% do total do Produto Interno Bruto (PIB), muito abaixo da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – entidade sediada em Paris e que reúne mais de 30 países –z, que consomem uma média de 9,5% do PIB, segundo dados de 2012. Se a comparação é feita a partir da perspectiva dos custos per capita, no Chile se gasta um total de US$ 1.560 e os países da OCDE consomem um total de US$ 3,4 mil per capita (Gráfico 1). Por outro lado, a população chilena está envelhecendo, com o aumento da expectativa de vida, e a estimativa para o ano de 2030 é de que 48% da população esteja acima dos 40 anos (dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE). Além disso, é importante salientar que o grupo dos adultos é a faixa etária que mais gasta em saúde (Gráfico 2).

Tendo em conta estas realidades sociodemográficas, está claro que esta indústria deve se encarregar de forma urgente dos problemas que estão se alastrando e que cedo ou tarde vão gerar um impacto negativo em nosso desenvolvimento futuro. Os principais problemas que devem ser abordados são os seguintes: 

• Isapres (Instituciones de Salud Previsional): o sistema de saúde chileno conta com um sistema primário de seguros público e privado que permite aos pacientes financiar seus serviços de saúde nas redes associadas a estes sistemas e na forma livre de escolha. Por lei, 7% do salário do empregado deve ser destinado a pagar algum dos sistemas e as pessoas acessam os distintos prestadores. Quando o sistema não lhe permite financiar 100% dos custos, o usuário deve pagar do próprio bolso a diferença não coberta. Não há dúvidas que as Isapres são muito importantes para o desenvolvimento e crescimento dos prestadores do mercado privado. No entanto, o setor vive conjunturas que se traduzem em cenários complexos. Esta indústria não cresce em número de beneficiários; somente 17% da população está inscrita neste sistema. O número atual de beneficiários é equivalente ao que existia no ano de 2001 e a rentabilidade do sistema se manteve, diminuindo coberturas nas redes especializadas. Todo este contexto produziu um cenário em que a maioria destas redes faz parte do mesmo grupo, dono das Isapres. Isto aumenta as barreiras na entrada e, finalmente, impede uma competição saudável. O sistema requer uma modificação urgente, cujo fim se oriente a devolver as condições de competitividade, permitindo que novos atores sejam incorporados e que sejam capazes de permitir a chegada a uma maior parcela da população. Sem dúvidas, o sistema tem sido positivo, mas não pode seguir se transformando no seguro de poucos. Se os novos integrantes do sistema Isapres vêm apenas de uma obrigação legal, não se pode limitar nem controlar a liberdade de escolha do usuário. É uma obrigação do Estado gerar condições possíveis para esta indústria.

• Recursos humanos especializados: o Chile tem uma média de 1,6 médicos para cada mil habitantes, muito inferior à dos países da OCDE, que contam com 3,1 médicos para cada mil habitantes. (Gráfico 3) Durante os últimos oito anos, as matrículas para o curso de medicina aumentaram 57%, sendo absolutamente insuficientes para atender à demanda. Por outro lado, a concentração dos especialistas na região metropolitana e, adicionalmente, no setor privado, gera importantes gaps entre a medicina oferecida no interior e na capital, e a qualidade da medicina do setor privado versus o público. Foi rompido o oligopólio formador de especialidades que mantinha as universidades mais importantes do país, mas o custo deste movimento será pago pelo governo durante muitos anos, pois se sabe que o tempo necessário para formar especialistas e subespecialistas pode durar pelo menos dez anos, e o intervalo gerado é imenso.

• Qualidade dos prestadores: este é um tema difícil de abordar, já que ao mesmo tempo em que a vontade política tem sido muito forte em impulsionar a certificação da qualidade das clínicas e hospitais, os resultados estão muito longe do esperado e evidenciaram os gaps que existem entre o sistema público e o privado, e até mesmo dentro do setor privado. Citando uma conjuntura atual, por exemplo, hoje existem apenas 69 prestadores acreditados em nível nacional. Destes, 22 correspondem a clínicas privadas e 11 a hospitais públicos.

O problema não está apenas nestas desigualdades entre a indústria e na dificuldade que muitas têm tido em conseguir a certificação, mas também, em o que fazer com os resultados. E se assumimos como uma ferramenta válida, surgem as perguntas: “Qual a diferença em ser atendido em um hospital acreditado ou não?”, “E um reacreditado?” Hoje a impressão é que não há diferenças. O Fonasa (Fondo Nacional de Salud) e as Isapres não distinguem seus prestadores e a oferta ao paciente, nem o fazem ver como algo diferenciador. Não é um tema trivial, mas é algo tremendamente relevante quando se trata da saúde da população e em um sistema de avaliação impulsionado pelo governo do Chile. A saúde privada no Chile avançou muito durante os últimos anos. Quando um estrangeiro nos visita, ele se surpreende com a qualidade de nossa infraestrutura, de nosso equipamento, de nossos serviços, de nossos resultados clínicos e de nossas normas. O que foi construído custou muito, mas devemos avançar urgentemente nos temas enunciados para não congelar este desenvolvimento ou até retroceder a este grande avanço. A saúde dos chilenos não é apenas um problema de governo. O setor privado tem contribuído muito para o desenvolvimento desta área no país e deve seguir cooperando. Estas questões devem ser abordadas e gerar mecanismos de solução, definindo de forma correta os incentivos e, em alguns casos, permitindo que o mercado opere de forma correta.

*Gonzalo Grebe Noguera é CEO e Gerente Geral da Clínica las Condes. Formou-se em Engenharia Civil e Industrial com MBA pela Pontifícia Universidad Católica. Foi gerente de operações do centro de saúde

Artigo publicado na revista Diagnóstico n° 24.



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