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29/10/14
Como cumprir promessas de campanha na área de saúde
Especialistas apontam caminho que o governo deverá seguir
da Redação

Após reeleição da presidenta Dilma Rousseff, especialistas defendem que é necessário assegurar a estabilidade financeira do Sistema Único de Saúde (SUS) para cumprir as promessas de campanha. 

A presidente reeleita prometeu mudar o patamar de qualidade e ampliar o atendimento dos serviços de saúde com a expansão do Programa Mais Médicos. 

Outras das promessas de campanha foram o aumento da rede de unidades de Pronto-Atendimento e o o alargamento das redes de atendimento especializado e qualificação dos serviços hospitalares.

A diretora da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília, Maria Fátima de Sousa, defende que o governo deve aproveitar o apoio que tem no Congresso para aprovar o projeto de lei que destina 10% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país) às ações de saúde. Para a especialista, “a presidenta tem apoio, ela pode criar ainda outros meios de arrecadar fundos para a saúde, como, por exemplo, aumentar as taxas de produtos que sobrecarregam a saúde pública, como álcool e cigarros, e destinar claramente esse dinheiro para o financiamento da saúde”.

A especialista também considera importante para fortalecimento do SUS priorizar o sistema. Com o modelo de atendimento da atenção primária, por meio do Programa Saúde na Família, apenas cerca de 15% a 20% das demandas de saúde iriam para unidades mais complexas, de tratamento intensivo e especializado. “Precisamos ter clareza do modelo que iremos seguir para priorizar investimentos, e não fazer investimentos desordenados”, destacou Maria Fátima .

Para que o modelo seja seguido, Maria Fátima defende a priorização de cursos voltadas para a saúde básica, tanto para médicos quanto enfermeiros, dentistas e outros profissionais de saúde, e ampliação de vagas para estes profissionais nas faculdades. “A formação dos profissionais no Brasil não está voltada para o que o Brasil precisa, que é a atenção básica. Está voltada para o mercado. Precisamos mudar esse quadro”, disse à Agência Brasil.

A pesquisadora do Instituto de Estudos de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro e conselheira da Associação Brasileira de Saúde Coletiva, Lígia Bahia, acredita que o governo deve fortalecer a rede de formação de recursos humanos na área de saúde, principalmente com investimento nos hospitais universitários das instituições federais de ensino. A pesquisadora sugere ainda que “também é interessante aumentar os cursos privados, mas é nas universidades federais que há incentivo à pesquisa, e isso é que fortalece o setor”.

Lígia lembrou que, apesar de ser importante destinar 10% do PIB para a saúde pública, a presidenta Dilma já sinalizou que isso é inviável, por isso sugere que o governo recorra ao dinheiro aplicado nos planos de saúde, como subsídios e isenção de impostos, que somam R$ 20 bilhões. 
“Precisamos que o SUS seja prioridade, e que ele funcione para ricos e para pobres. Investir no sistema privado é reconhecer que o público não funciona”, explicou.

Segundo a pesquisadora, o montante dos plaos de saúde poderia ser usado pelo governo para estruturar a atenção primária, ou seja, o atendimento em postos de saúde, com médicos generalistas, e assim tornar esse tipo de formação atraente, em detrimento de outras especialidades. “Um sistema assim poderia evitar internações por complicações de problemas como diabetes, hipertensão. Mas, para essa atenção primária ser forte, ela precisa de locais decentes, limpos, com bons profissionais de saúde, e não instalações precárias como as que temos.”

A especialista defende que o Brasil precisa de mudança de cultura para que as pessoas tenham uma relação de confiança com seu médico generalista, para que ele encaminhe o paciente para especialistas apenas se necessário, permitindo que o atendimento de média e alta complexidade ficasse desafogado, e quem realmente precisasse dele teria mais acesso.



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