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23/01/13
Crise econômica deixa rombo de cerca de US$ 500 mi na OMS
Redução das doações e atrasos nos pagamentos dos países fizeram entidade promover cortes nos programas de combate às doenças crônicas. Brasil está em dia com as contribuições
Estado de S. Paulo

Genebra - Maior agência de saúde do mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS), é vítima da atual crise internacional e será obrigada a instaurar um pacote de austeridade que inclui o fim de programas de a determinadas doenças, demissão de quase mil funcionários, inutilização de 2,5 mil impressoras e corte de voos em classe executiva.

No final de 2012, o buraco nas contas da entidade atingiu o ápice com a falta de US$ 547 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) para financiar o orçamento de US$ 3,4 bilhões. Desde 2011, houve um corte de 20% nos programas de combate a doenças crônicas e de 10% na liberação de recursos para programas nacionais de tuberculose e malária. Outros 25 programas sofreram uma redução de 13%.

A OMS, nos últimos 20 anos, se posicionou como principal meio na definição de políticas de saúde em todo o mundo e os governos passaram a desenvolver o que ficou conhecido como "diplomacia da saúde", ao usar questões sociais e doenças para defender seus interesses. O resultado foi uma ampliação sem precedentes das funções da OMS, inclusive com a construção de novos edifícios para abrigar funcionários.

De Ebola a novas gripes, passando por aids, obesidade, álcool, envelhecimento, poluição e até acidentes de trânsito, a entidade multiplicou seus programas. Agora, diante da necessidade de a OMS definir o orçamento até 2015 nos próximos meses, os governos deixaram claro que não têm como manter o financiamento à entidade.

Mas para funcionar, a entidade conta com uma contribuição obrigatória definida com base no tamanho do PIB de cada país. Mas, de acordo com documentos obtidos pelo jornal Estado de S. Paulo, dezenas de países estão com os pagamentos atrasados, uma divida que ultrapassa US$ 100 milhões.

O maior devedor é o governo norte americano, com US$ 36 milhões. A Grécia, no quinto ano de recessão, deve US$ 3,2 milhões, e a Espanha, com o desemprego em 25%, deve US$ 11 milhões. O Brasil está em dia com as contribuições. 

As contribuições voluntárias de governos e entidades é outro pilar financeiro. Mas a crise fez dezenas de países anunciarem que não tinham como justificar as doações, já que, ao mesmo tempo, cortavam verbas de hospitais.

Demissões - A solução para evitar o colapso foi cortar gastos e realizar demissões. Os planos da OMS, que terão de ser aprovados em maio pelos ministros, realizaram uma redução de gastos de US$ 200 milhões.

Cerca de mil, dos 8 mil funcionários da entidade, foram demitidos desde 2011. E as demissões foram além do escritório central de Genebra. Na África, 304 pessoas foram demitidas. O diretora-geral da OMS, Margaret Chan, admite que a organização diminuiu. E o objetivo agora é não aumentar os gastos nos próximos seis anos. Em 2012, a OMS gastou US$ 700 milhões só em salários. 

Alguns funcionários indicaram tensão diante do clima de indefinição. Cerca de 6 mil viagens de funcionários foram abolidas em 2012. A regra para voar em classe executiva também mudou. Antes, um voo que durasse mais de seis horas era na classe executiva. Agora, as viagens têm de ter no mínimo nove horas - medida que gerou uma economia de US$ 28 milhões.

Outro objetivo é ampliar o número de doadores, justamente para não ficar dependente dos países. O responsável pela reforma financeira da entidade, Thomas Zeltner, destaca que 60% do financiamento vem de apenas dez países.

E uma das metas é conseguir mais dinheiro dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China). No biênio 2010-2011, o Brasil fez doações voluntárias de US$ 2,8 milhões, de US$ 1,5 bilhão destinado por governos à OMS. Apenas Bill Gates doou US$ 447 milhões, 160 vezes mais que o Brasil.



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