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12/09/14
Cúpula da Santa Casa de São Paulo foi contratada por fornecedor da unidade
Membros da direção, Antônio Carlos Forte e Hercílio Ramos receberam R$ 100 mil a título de consultoria do grupo que fornece insumos à instituição
Folha de S. Paulo

Dois integrantes da cúpula da Santa Casa de São Paulo, maior hospital filantrópico da América Latina, receberam, a titulo de consultoria, cerca de R$ 100 mil do grupo empresarial que fornece suprimentos para o hospital. Um deles é o superintendente da instituição, Antonio Carlos Forte, que tem entre as suas atribuições prioritárias a fiscalização de contratos com fornecedores. O outro integrante é o tesoureiro Hercílio Ramos, responsável pelos pagamentos. As informações são da Folha de S. Paulo.

Antonio Carlos Forte confirmou o recebimento do dinheiro e reconheceu haver conflito de interesses. Ele afirma que tratava-se de algo que o incomodava. "Por isso nós paramos de fazer". Mas ele nega ter beneficiado a Logimed, empresa que pertence ao grupo Andrade Guitierrez, e que fornece materiais hospitalares à Santa Casa, nos cinco anos em que vigorou o contrato de consultoria.

Os dois receberam o dinheiro através da empresa Apocatú, criada em setembro de 2008 e que tem como sede a casa do tesoureiro, na zona norte da capital. Ainda segund Forte, a partir disso, ele e o tesoureiro passaram a prestar serviço de consultoria para a Andrade Gutierrez no setor de saúde. Ainda em 2008, a Santa Casa contratou a Logimed, criada em junho do mesmo ano pela Andrade Gutierrez, para fornecedor remédios e materiais, como gaze e esparadrapo. 

Ao ser questionado sobre as consultorias prestadas pela Apocatú, Forte disse que precisaria checar informações. Em seguida, citou um projeto para uma casa para idosos, que, segundo ele, não chegou a ser criada. O superintendente disse ainda que não presta mais serviços para a Andrade Gutierrez. Mas admite que prestava serviços para a Logimed. 

Kalil Rocha Abdalla assumiu a provedoria da Santa Casa em 2008 e foi eleito para o terceiro mandato consecutivo em 2014. Durante sua gestão, a dívida da instituição passou de R$ 70 milhões para aproximadamente R$ 400 milhões. Com fornecedores, a dívida é de cerca de R$ 50 milhões e metade desse valor tem a Logimed como credora.

Atualmente, as contas da instituição são alvo de uma auditoria contratada pela Secretaria de Estado da Saúde. Forte não soube explicar por que os contratos foram assinados com a Andrade Gutierrez Telecomunicações Ltda., braço do grupo que atua no setor de telecomunicações . 

Conforme o tesoureiro, não há conflito de interesses e somente nesta sexta-feira (12) ele poderá dar mais detalhes com relação a todos os contratos, já que foram cinco anos de trabalho. Ele afirma ainda que a maioria dos contratos é para a formação de PPPs (parceiras público privado).

Forte e Ramos afirmam que os serviços de consultoria prestados por eles ao grupo Andrade Gutierrez não foram ilegais e não prejudicaram a instituição. Para não trazer prejuízos à Santa Casa, Ramos disse que ambos trabalhavam na atividade de consultoria à noite e nos fins de semana. 

Eles confirmaram terem sido contratados pelo grupo para prestar consultoria na área de saúde, mas divergem sobre o real destinatário dos serviços. O superintendente afirma que trabalhava diretamente para a Logimed. Já o tesoureiro, para a Andrade Gutierrez Telecomunicações. 

A Santa Casa tem uma gestão profissional e outra voluntária. Na profissional, os funcionários são remunerados e o cargo máximo é o do superintendente. Na voluntária, os "irmãos" elegem a mesa presidida pelo provedor e composta entre outros cargos pelo tesoureiro. 

Ramos é o atual tesoureiro. Ele afirma que tem liberdade de fazer consultoria, porque não é empregado da Santa Casa. Já Forte reconhece que o serviço poderia dar margem a essa interpretação e, por isso, diz, o suspendeu. Além disso, diz que decidiu cobrar após prestar serviços de forma gratuita. No entanto, Forte não falou sobre o valor do seu salário, mas afirmou que está "abaixo do valor de mercado", em torno de R$ 30 mil. A Andrade Gutierrez não quis se pronunciar. Nem o provedor, Kalil Abdalla. 

Maior hospital filantrópico da América Latina, no dia 22 de julho a Santa Casa de São Paulo chegou ao ápice de uma crise financeira que se arrasta há pelo menos seis anos, quando fechou o pronto-socorro por 28 horas. O hospital deve R$ 50 milhões a fornecedores que, segundo o provedor, Kalil Abdalla, recusaram-se a entregar materiais. A instituição tem orçamento de R$ 1,3 bilhão e uma dívida total de cerca de R$ 400 milhões. 



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