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04/07/14
Despesa das grandes operadoras é maior que gastos com tratamentos
Comportamento vai na contramão do mercado de saúde, que entre 2012 e 2013 aumentou mais a receita e os gastos com tratamento, de acordo com dados da ANS
Da redação

Dados da Agência de Saúde Suplementar mostram que, no ano de 2013, das 25 maiores empresas de planos de saúde do País, grupo que representa mais da metade do mercado, oito elevaram mais os gastos administrativos – com publicidade, investimentos e pessoal, dentre outros – do que as despesas com tratamentos de clientes. A receita também cresceu menos. As informações são do iG.

Entre 2012 e 2013, as oito operadoras elevaram, em média, os gastos administrativos em 29%. No mesmo período, as despesas assitenciais, que representam os gastos com o tratamento dos clientes, subiram 17%. A receita, 14%.

Esse comportamento vai na contramão do conjunto do mercado de saúde, que no período aumentou mais a receita e os gastos com tratamento, de acordo com dados da ANS. Juntas, a oito operadoras têm 6,5 milhões de clientes, ou 10% de todo o mercado de saúde suplementar do País. Deste grupo, cinco são Unimeds. Em relação ao total da receita, a fatia de gastos das oito operadoras subiu de 12,3% em 2012 para 14,4% em 2013, superando a média do mercado, que caiu de 14,7% para 13,3%.

Para Adriano Leite Soares, superintendente-executivo da Unimed Brasil, as grandes operadoras costumam manter o percentual entre 8% e 9%. Nas Unimeds, o percentual sobe para 10% a 15%, de acordo com Eudes Freitas de Aquino, presidente da entidade. Um dos motivos para o aumento das despesas administrativas do setor de saúde suplementar, segundo Soares, são as exigências da ANS. 

Ele acredita que o efeito da regulação vai acabar sempre elevando um pouco o custo administrativo. "A prória ANS obriga que as operadoras tenham call center 24 horas, ouvidoria. Existe um custo que é o regulatório", diz. Outro motivo são os processo em que os beneficiários conseguem garantir, na Justiça, tratamento que as operadoras entendem não serem obrigadas a cobrir. 

Para Aquino, muitas das Unimeds estão investindo em recursos próprios e absorção de novas tecnologias, além de suportar a oscilação do mercado. E isso faz com que suas taxas de administração oscilem temporariamente. Já Fernando Poyares, superintendente de Relações Institucionais da Unimed Seguros, acrescenta que as despesas administrativas continuam a representar cerca de 8% da receita – média histórica da empresa.

Segundo ele, a despesa administrativa da Unimed Seguros está absolutamente controlada em 8% e nos últimos três anos ela vem caindo e a operadora tem dado uma média de retorno ao acionista de 25% nos últimos sete anos.

Aquino acredita que o gasto com publicidade é um dos possíveis motivos para a variação positiva, em conjunto com investimentos em tecnologia da informação e aquisições e aumento de pessoal. Segundo o superintendente, em 2013 a Unimed começou a parceria com a CBF, que se estendeu até a Copa. 

Na Unimed Campinas, os gastos com publicidade representaram 10% das despesas administrativas em 2013, e o fato de a ANS não diferenciar essa rubrica na forma como apresenta os dados é um dos motivos para críticas à ANS. José Windsor Angelo Rosa, presidente da operadora, explica que para efeito de gestão, eles separam os custos de publicidade e propaganda do custo administrativo. 

Em nota, a operadora MetLife informa que o aumento da despesa administrativa em 2013 decorre de investimentos para melhorar o atendimento ao cliente. "Entre esses investimentos estão a contratação de equipes especializadas, programas de relacionamentos com os dentistas e o desenvolvimento de uma nova plataforma tecnológica para facilitar a aprovação e liberação de procedimentos odontológicos", informa o documento.

"Graças a esses investimentos, aliados aos esforços conjuntos das áreas comerciais e de relacionamento com o cliente, houve crescimento de 21,6% no número de beneficiários no ano passado.”

O presidente da operadora afirma ainda que existem diferenças entre os números apresentados à agência e os disponibilizados ao público. Segundo ele, a ANS tem uma conta contábil que apresenta uma série de viéses e que vai, inclusive, na contramão do que é recomendado pelos conselhos de contabilidade.

Outra discordância é em relação ao fato de a Unimed Campinas precisar computar, como gasto, as provisões judiciais, que são os valores reservados para eventuais derrotas na Justiça, que nem sempre se confirmam. Em 2013, a Unimed Campinas provisionou R$ 34 milhões – 21% da despesa administrativa – para demandas envolvendo cobrança de impostos.

Angelo Rosa afirma que as diferenças de método levam a operadora a trabalhar com duas contabilidades: uma para a ANS e outra para a administração da operadora. Nessas contas, as despesas administrativas representaram 7,2% da receita líquida.

Questionada se está acompanhando o desempenho dos gastos administrativos de parte das operadoras, a ANS informou que a avaliação isolada da relação entre a variação das despesas assistenciais frente à receita não permite conclusões definitivas, sendo recomendável a utilização de um conjunto de indicadores para isso.

"Todos os atos de gestão de uma operadora em direção fiscal ou direção técnica continuam sob responsabilidade da operadora e de seus dirigentes, não cabendo à ANS definir como serão suas despesas".



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