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18/12/13
Diretor executivo da HIMSS defende autonomia do setor de TI em saúde
Alemão Uwe Buddrus, executivo da mais respeitada associação de TI em saúde do mundo, revela que a difusão do prontuário eletrônico não é um problema apenas no Brasil
Adalton dos Anjos


Uwe Buddrus, diretor executivo da HIMSS Analytics Europe (HAE): “A legislação é um grande obstáculo para troca de informação em saúde” (Foto: Nard Schreurs)

O mHealth pode revolucionar o setor de saúde na Europa ajudando a poupar 18% dos gastos em saúde na União Europeia, segundo pesquisa da PwC. Como avalia esse prognóstico?
Uwe Buddrus – É difícil estimar uma percentagem da economia gerada sem uma clara definição sobre o que é mHealth e sobre o que se considera em termos de custos da saúde. Contudo, não há dúvidas de que o uso das tecnologias móveis nesta área oferece um potencial significativo. Isto começa pelo acesso remoto aos registros médicos eletrônicos (EMR) e a possibilidade de ver e documentar dados clínicos no ambiente do prestador de cuidados, o que melhora o processo e reduz a possibilidade de erros médicos. É preciso pontuar também o uso das tecnologias móveis pelos pacientes em suas casas, através da automonitorização ou das teleconsultas, o que abre um leque de oportunidades na gestão de doenças crônicas.

No Brasil, a adoção dos prontuários eletrônicos vem esbarrando em uma questão singela: a baixa aderência dos médicos ao sistema. Trata-se de um fenômeno local?
Buddrus – A baixa disposição para o uso das tecnologias por parte dos médicos é uma barreira comum à adoção dos prontuários eletrônicos nos Estados Unidos e na Europa. As razões mais frequentes para a rejeição são a falta de planejamento na reestruturação dos processos e a não inclusão dos utilizadores, além das falhas de gestão na mudança organizacional e a ausência de diretrizes claras por parte da administração. Afinal de contas, se os líderes não forem impulsionadores no uso das tecnologias, por que razão deverá a equipe fazer uso delas?

Como evitar que os gigantes do setor de solução em TI da saúde utilizem o que para muitos é visto como prática monopolista, ao dificultar, por exemplo, que uma solução de prontuário eletrônico de um concorrente do setor seja incorporada ao seu sistema?
Buddrus – A maioria dos principais players do segmento de TI tem reputação de tornar a integração dos seus sistemas com os de empresas concorrentes um processo bastante difícil. Contudo, com uma demanda crescente por parte dos compradores em ver cases de integração bem sucedidos, antes da assinatura do contrato, é preciso mudar as estratégias na oferta dos prontuários eletrônicos. Estas empresas têm que abrir suas soluções de software à interoperabilidade de forma a manter o seu sucesso.
          
De que forma a crise econômica europeia de 2008 ainda repercute no mercado de TI em saúde na região?
Buddrus – Em 2010, uma larga percentagem dos hospitais afirmou sentir o impacto da recessão econômica nos investimentos em TI – 71% dos hospitais espanhóis, 65% dos italianos, 29% dos franceses e 20% dos alemães. Surpreendentemente, esta tendência inicial não se encontra refletida nos investimentos dos últimos três anos. Espanha e Itália continuam a implementar sistemas de TI, especialmente sistemas clínicos. Somente o mercado alemão continua estagnado.

Quais as principais oportunidades na prestação de serviços em TI no mercado global? 
Buddrus – As oportunidades são diversas. Em primeiro lugar, existem os serviços de integração de sistemas, já que a maioria dos fornecedores de tecnologias têm softwares antigos. Há também o software como serviço (SaaS) ou modelos de hosting remoto – especialmente para soluções dedicadas, colaborativas, ditado e reconhecimento de voz. Outras possibilidades são o suporte de usuários, desde a formação até a manutenção dos sistemas e a reengenharia de processos de TI para empresas. 

Os níveis 6 e 7 do Emram – programa que traz um padrão de medida global para avaliar os níveis de aplicação do prontuário eletrônico em hospitais – são os mais difíceis de ser alcançados. O que esses escores traduzem em termos de eficiência?
Buddrus – Os hospitais em estágio 6 e 7 do Emram são fortemente automatizados e atingiram um nível muito elevado de escopo funcional e de integração dos sistemas de informação. Durante o processo de avaliação, é solicitado a estas instituições que demonstrem suas capacidades tendo por base o datawarehouse clínico. Procura-se assim verificar o uso destes dados na conexão das atividades clínicas com os resultados econômicos. É exigido que estas instituições comprovem que prestam cuidados de saúde de forma mais eficiente que outras em estágios mais baixos. Contudo, todo este processo é feito de uma forma mais implícita que explícita.

A legislação continua sendo o maior obstáculo ao avanço da TI na saúde?
Buddrus – Sim, em especial, a legislação sobre segurança de dados, que restringe a troca de informação em saúde, com reflexos no engajamento dos pacientes. Na Alemanha, por exemplo, a regulamentação de produtos médicos determina que qualquer software que suporte diretamente o diagnóstico ou terapia é um produto médico e requer certificação. Assim sendo, esta lei é uma séria barreira ao desenvolvimento e implementação de sistemas avançados de apoio a decisões que desenvolvam protocolos clínicos. 

Entrevista publicada na revista Diagnóstico n° 23.



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