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20/04/16
Elogiado no impeachment, prefeito de Montes Claros (MG) é preso por desvios na Saúde
Prefeito Ruy Muniz (PRB) é acusado de reter R$ 20 mi em verbas do SUS, sucateando a rede pública para favorecer seu próprio hospital particular. Muniz é casado com a deputada Raquel Muniz (PSD), que votou a favor do impeachment de Dilma
Da redação

São Paulo ­ A Polícia Federal prendeu o prefeito de Montes Claros (MG), Ruy Muniz (PRB), e a secretária municipal de Saúde, Ana Paula de Oliveira Nascimento, nesta segunda­-feira (18). A operação batizada de Máscara da Sanidade 2 ­ Sabotadores da Saúde, investiga fraude que favorece a instituição privada Hospital das Clínicas Mário Ribeiro da Silveira, que pertence ao prefeito e, ao mesmo tempo, inviabiliza o funcionamento de instituições públicas e filantrópicas de atendimento da cidade. Com informações do jornal Estado de S. Paulo, O Dia e Agência Brasil.

De acordo com informações da Polícia Federal, o Hospital Universitário Clemente Faria, a Santa Casa de Misericórdia, a Fundação Aroldo Tourinho e a Fundação Dilson Godinho, que juntas atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) cerca de 1,6 milhão de pessoas de 86 municípios, são as instituições que vinham sendo sabotadas por Ruy Muniz. 

Conforme as investigações, em 2015 o prefeito retirou dos hospitais públicos cerca de 26 mil consultas e 11 mil exames, que deveriam ser pagos pela prefeitura e feitos para a população local, com o objetivo de favorecer o Hospital das Clínicas do qual é dono. 

Ainda segundo a PF, de julho do ano passado até hoje, "o prefeito de Montes Claros, utilizando­-se indevidamente de verbas públicas para dar vazão ao seu projeto criminoso, valendo-­se do cargo público ocupado, tem divulgado nos principais veículos de comunicação uma ampla e intensa campanha difamatória contra os hospitais público e filantrópicos, até mesmo lançando mão de dados e informações falsas".

Muniz foi preso em Brasília e a secretária, Ana Paula de Oliveira Nascimento, em Montes Claros. Os dois foram denunciados ao Tribunal Regional Federal (TRF) da Primeira Região e responderão por falsidade ideológica majorada, estelionato majorado, prevaricação e peculato e dispensa indevida de licitação pública. Caso sejam condenados, ambos podem pegar a pena máxima, que pode ser superior a 30 anos de prisão. 

Durante a operação, a PF cumpriu outros quatro mandados de busca e apreensão nas casas dos suspeitos e na própria prefeitura, além de dois mandados de busca pessoal com o objetivo de recolher os telefones celulares dos acusados.

Em nota, a prefeitura de Montes Claros, informou que recebeu com "serenidade" a decisão judicial e acusa o Ministério Público Federal de agir com motivação política e de criminalizar ações legítimas do governo, "embasadas em pareceres técnicos de servidores concursados que concluíram que os serviços contratados não estavam sendo plenamente prestados". A prefeitura também informa que tem "plena convicção" de que a decisão da Justiça será revertida e o prefeito e a secretária serão soltos e inocentados.

Impeachment - Muniz é casado com a deputada federal Raquel Muniz (PSD), que no último domingo (17), na Câmara dos Deputados, votou a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Na ocasião, Muniz foi homenageado pela esposa, como justificativas para o voto a favor do impeachment. ““O meu voto é pra dizer que o Brasil tem jeito, e o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com a sua gestão”, disse Raquel, que chegou a pular enquanto gritava o "sim".

Em nota, a assessoria da deputada afirma que Ruy Muniz e Ana Paula Nascimento são "pessoas de bem, altamente qualificadas, possuem endereço fixo e prestam um serviço público acompanhado diariamente por centenas de servidores municipais, estaduais e federais". 

Ainda segundo a nota, não há razão jurídica para prisão, "por não haver risco a ordem pública, nem perigo de fuga dos acusados e nem haver qualquer indício de obstrução da justiça. Há sim motivação política na ação do Ministério Público Federal em tratar a questão dos contratos dos hospitais de Montes Claros junto ao Sistema Único de Saúde de forma a criminalizar ações de governo legítimas, embasadas em pareceres técnicos de servidores concursados que concluíram que os serviços contratados não estavam sendo plenamente prestados". 



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