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24/09/14
Em artigo, presidente da Anahp escreve sobre governança hospitalar
Francisco Balestrin: setor está empenhado na busca permanente pela melhoria da assistência em saúde como um todo
Folha de S. Paulo

Em artigo publicado na Folha de S. Paulo, Francisco Balestrin, presidente do Conselho de Administração da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados), reflete sobre governança hospitalar e a atual situação dos hospitais privados brasileiros. Segundo Balestrin, o setor encontra desafios cada vez maiores, enquanto avança no seu modelo de governança, "cada vez mais estruturado no sentido de promover a melhoria contínua do nível de assistência e qualidade clínica do cuidado ao paciente, em um ambiente de boas práticas e de excelência". Confira abaixo o artigo na íntegra.

HOSPITAL É COISA SÉRIA

Em todo o mundo, os hospitais são instituições respeitadas e até reverenciadas pelo que representam para o bem mais precioso de uma pessoa, que é a saúde. Suas atribuições vão além da prestação de cuidados diferenciados, do ponto de vista da assistência médica curativa e de reabilitação, para serem reconhecidos pela inestimável colaboração na prevenção de doenças, no ensino e na investigação científica.

Não são raros os países que se tornaram referências internacionais pelas suas especializações médicas, conhecimentos científicos e protocolos assistenciais, originados em suas instituições hospitalares.

No Brasil não é diferente, embora, por aqui, os hospitais já tenham sido comparados a botecos – como ocorreu recentemente em uma reportagem publicada por uma revista de grande circulação nacional. Nada contra botecos. Mas a comparação é, no mínimo, jocosa, e de uma visão totalmente distorcida e até maledicente.

Os hospitais privados brasileiros, a exemplo dos grandes centros internacionais, são instituições de altíssima complexidade, sob todos os aspectos que possam ser analisados – desde a sua estrutura física e arquitetônica, como de gestão, capacitações, procedimentos, logística, comprometimento com a saúde, a qualidade no tratamento e o bem estar de seus pacientes.

A governança hospitalar supera a de qualquer outra atividade econômica, exigindo um esforço intelectual, financeiro e tecnológico acima do padrão, para gerir uma realidade que tende a ser cada vez mais complexa. No Brasil, este cenário ganhou novos contornos, com o aumento da renda, que ampliou o acesso aos serviços de saúde, com os significativos ingressos de novos usuários das operadoras, e com o envelhecimento e a mudança do perfil epidemiológico da população.

Esse desafio exige dos gestores investimento constante na ampliação das instalações, adaptação dos serviços, incluindo estrutura física e capacitação das equipes, bem como aquisição de novas tecnologias, com vistas a atender as demandas atuais e se preparar para as exigências futuras. Isso tudo sem abrir mão do cuidado e da qualidade da assistência, no momento em que, não raramente, pacientes e familiares estão bastante fragilizados.

É fato que há muito para avançar. O setor encontra desafios cada vez maiores, enquanto avança no seu modelo de governança, cada vez mais estruturado no sentido de promover a melhoria contínua do nível de assistência e qualidade clínica do cuidado ao paciente, em um ambiente de boas práticas e de excelência.

A governança clínica dentro dos hospitais tem caráter multifuncional e exige a participação de todo o corpo clínico e de suporte das instituições, dada sua altíssima complexidade. Afinal, envolve pilares tão variados quanto distintos, que vão desde a auditoria clínica participativa, a efetividade da intervenção clínica e a gestão de riscos de eventos adversos, até a educação e treinamento dos profissionais, desenvolvimento da pesquisa, transparência de todos os processos e relações interpessoais, e o uso de tecnologia da informação.

O setor hospitalar também está empenhado na busca permanente pela melhoria da assistência em saúde como um todo, em atendimento a uma das maiores expectativas da população.

Por isso, a partir de um trabalho executado por uma consultoria internacional, que compreendeu entrevistas com importantes personalidades brasileiras, estudo da nossa realidade e análises comparativas com os maiores centros mundiais, reunimos uma série de propostas em um documento inédito no Brasil. A finalidade é contribuir para o fortalecimento e a integração de toda a cadeia da saúde, mantendo os hospitais à frente do importante desafio que o País tem para expandir e melhorar a assistência oferecida à população nos próximos anos.

FRANCISCO BALESTRIN, 58, presidente do Conselho de Administração da Anahp - Associação Nacional de Hospitais Privados
Fonte: Folha de São Paulo – 22.09.2014



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