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03/10/13
EMS entra na briga com multinacionais em escala global
Carlos Sanchez coleciona desafetos para fazer da EMS a maior fabricante de remédios nacional e investe como nunca para mostrar que também pode inovar
Da redação

São Paulo - O mercado farmacêutico mundial, há décadas, é dominado por empresas como Johnson & Johnson, Pfizer, Roche e Glaxo, que faturam dezenas de bilhões de dólares e estão entre as mais lucrativas do mundo. Ganhar — e gastar — muito dinheiro é uma questão de sobrevivência nesse mercado. Juntas, as dez maiores farmacêuticas investem 70 bilhões de dólares por ano em novos remédios. 

Até agora, nenhuma empresa brasileira havia se aventurado a competir com as multinacionais em escala global. Mas o empresário Carlos Sanchez - controlador da farmacêutica EMS, com sede em Hortolândia, no interior de São Paulo, e líder na indústria farmacêutica brasileira de genéricos - está entrando. As informações são da Exame.

A EMS de Sanchez, líder nacional na produção de medicamentos genéricos, concentra suas esperanças em um escritório na cidade de Rockville, a poucos quilômetros da capital americana, Washington. A intenção é estar perto do monumental complexo governamental de pesquisas farmacêuticas National Institutes of Health, onde são investidos 30 bilhões de dólares por ano em novas drogas e, desde julho, funciona a Brace Pharma, primeira etapa do sonho americano de Sanchez.

Chefiada pelo austríaco Vincenz Plorer, executivo vindo da suíça Novartis, a empresa possui 300 milhões de dólares para investir em pequenas companhias de biotecnologia. O comitê científico responsável por identificar os alvos tem nomes como o cientista austríaco Eric Kandel, ganhador do Nobel de Medicina em 2000.

O primeiro investimento da Brace foi uma participação na Gliknik, fundada há cinco anos em Baltimore, que testa medicamentos para câncer ósseo e de cérebro. Segundo Kandel, a EMS é uma empresa muito bem-sucedida em genéricos, e o investimento em inovação é "uma maneira brilhante de diversificar”. “Não faltam cientistas que precisam de recursos”, completou.

A proposta é lançar remédios de nicho, com potencial de venda de até 200 milhões de dólares por ano — campo que, para os executivos da empresa, é pouco coberto pelas multinacionais, que historicamente se dedicam a remédios para doenças de massa, como colesterol ou hipertensão. A empresa está à frente de concorrentes como Eurofarma, Aché, Neo Química e Medley. 

O complexo modelo de negócios é uma das razões do sucesso da EMS. O grupo possui quatro empresas diferentes: EMS Sigma, Legrand, Germed e Nova Química. Cada uma com uma estratégia comercial própria, concorrendo entre si, embora usem a mesma estrutura produtiva e corporativa. Como resultado, Sanchez pode ter cinco ou seis genéricos iguais vendidos com marcas e por equipes diferentes. Não é considerada a estratégia mais rentável do mundo, mas, ao fim do processo, as farmácias estão cheias de produtos da EMS.

Brigas judiciais - A EMS começou a ganhar terreno após manter contato direto com as farmácias, oferecendo incentivos para que os balconistas sugerissem aos pacientes a troca de medicamentos de marca pelos similares. Na época, os concorrentes faziam campanha diretamente com os médicos. Mas, como aconteceu com outras farmacêuticas nacionais, o verdadeiro salto da EMS veio com a legislação que criou os genéricos, em 2000 e Sanchez foi um dos empresários que mais investiu nesse segmento. 

Em 2006, a EMS chegou ao topo do mercado brasileiro e, nos últimos três anos, distribuiu 450 milhões de reais em dividendos. Sanchez passou a colecionar obras de arte e, recentemente, comprou um quadro do espanhol Pablo Picasso, em um leilão em Nova York.

Nos negócios, possui um estilo que o indispõe com muita gente. Uma de suas estratégias é lançar genéricos antes da concorrência, assim que a patente de um medicamento expira e, por isso, já afirmou que considera seus advogados mais importantes para o sucesso da empresa do que a equipe de farmacêuticos. 

No lançamento do citrato de sildenafila, genérico do Viagra - medicamento para impotência, cuja patente caiu em 2010 - a EMS foi a primeira a pedir o registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em julho de 2009. A autorização saiu em maio de 2010 e inundou as farmácias com genéricos do Viagra no dia seguinte à perda da patente pela Pfizer, em junho. 

No caso do Lipitor, remédio para redução de colesterol da Pfizer que é um dos maiores sucessos da história, Sanchez foi ainda mais agressivo. A EMS conseguiu uma liminar evitando que a Pfizer estendesse a patente por seis meses. 

um mês antes que o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) liberasse a fabricação para toda a indústria, Sanchez derrubou a patente na Justiça. mais uma vez, seus advogados fizeram com que ele chegasse antes.

O executivo também é acusado de copiar embalagens de remédios de sucesso para confundir o consumidor. Quando as multinacionais donas das marcas o questionaram em reuniões de associações de classe, Sanchez respondeu que elas deveriam recorrer à Justiça. E em 2006, Sanofi, Bayer, Boeh­ringer, Proc­ter&Gamble e Bristol-Myers entraram na Justiça contra a prática. A EMS fez acordos extrajudiciais com algumas, como Sanofi e Bristol-Myers, mas ainda há alguns processos em curso.

Em relação ao lançamento do genérico do Viagra, a EMS entrou com pedido de registro antes das outras. Mas o processo foi aprovado em nove meses, enquanto o da Pfizer, detentora da patente, demorou um ano e meio, e isso levou muitos no setor a acusar a Anvisa de beneficiar uma empresa em detrimento das outras. De acordo com um ex-dirigente da Anvisa, a multinacional foi prejudicada intencionalmente. Ele informou que a Pfizer já produzia o Viagra e poderia simplesmente reduzir o preço. Por isso, a Anvisa deu prioridade à EMS”. A diretoria da Anvisa nega qualquer diferença de tratamento.

Embora o investimento nos Estados Unidos seja a sua nova estratégia, Sanchez pretende investir em outras frentes. A guerra de preços nos genéricos e a alta do dólar derrubaram a rentabilidade da EMS em 2012 — o lucro caiu 30%.

Para recuperar a margem e cumprir a meta de dobrar de tamanho a cada três anos, o empresário conduz o maior plano de investimentos da história da EMS. Está prestes a inaugurar novas unidades industriais em Brasília, Manaus e Jaguariúna, no interior de São Paulo, que custaram 450 milhões de reais e servirão para a fabricação de antibióticos, hormônios e remédios para o tratamento de câncer.

Além disso, a EMS está desenvolvendo 20 remédios com pequenas mudanças em relação aos originais e tentando criar medicamentos biológicos próprios. Nessa nova fase, os advogados não vão poder ajudar tanto.

*As informações são da Exame.



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