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08/09/14
Entrevista: Falta de diálogo acentuou crise na Santa Casa (SP)
Candidato derrotado nas eleições da maior instituição filantrópica de saúde da América Latina, o médico José Luiz Setúbal afirma que seu grupo político foi banido do comando da entidade
Reinaldo Braga


José Luiz Setúbal, da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo: resultado nas urnas mostrou que a visão assistencialista prevaleceu sobre a proposta de governança focada em resultados (Foto: Ricardo Benichio)

Revista Diagnóstico –  Há mais de dez anos, boa parte das Santas Casas em operação no país fecharam as portas ou profissionalizaram a gestão para continuar existindo. Qual o risco da Santa Casa de São Paulo não se reerguer?
José Luiz Setúbal – Cada Santa Casa tem um problema diverso, apesar do mesmo nome, cada uma funciona de uma maneira e a solução para uma não necessariamente serve para todas. A Santa Casa de SP é uma exceção, tem hospital privado, tem OSS e tem SUS direto. É um hospital de ensino, de alta complexidade e estratégico para a saúde pública. Possui fontes alternativas de receitas e um patrimônio imobiliário enorme. Acredito que necessita de uma força tarefa envolvendo membros da sociedade, membros da irmandade e setores de governo, para que juntos possam ajudá-la a se reerguer. Existe o risco disso não ocorrer, mas com trabalho e uma reformulação geral pode ser reerguida

Diagnóstico – O bate-chapa das últimas eleições que reelegeram a atua gestão foi uma evidência de uma crise política já instaurada dentro da instituição? Que peso essa divergência teve nos rumos da instituição?
Setúbal – Não acredito em crise política na Santa Casa, mas em ideias diferentes de como conduzir a gestão. Tínhamos uma visão mais moderna, baseada no princípio de que uma instituição filantrópica deve gerar resultados. Do outro lado, havia uma visão mais antiga e focada no assistencialismo. Venceu a mais tradicional – o que era até esperado pela análise do colégio eleitoral, mais velho e tradicionalista. Não creio que essa divergência de ideias agravou a crise administrativa, uma vez que ela foi anunciada antes e que aconteceria, mesmo se não houvesse mudança de rumo na gestão, como, de fato, ocorreu. 

Diagnóstico – O senhor já tinha previsto esta crise em depoimentos e artigos publicados na grande imprensa. Ela ocorreu também na dimensão que o senhor imaginava?
Setúbal – A surpresa foi a velocidade com que o agravamento do quadro se deu. Ainda assim, meu prognóstico era otimista, se as medidas corretas fossem tomadas. Meus depoimentos, sejam na imprensa, sejam na comunicação à irmandade, sempre foram para mostrar onde havia erros e como poderíamos solucioná-los. Sempre pela minha visão administrativa e no que eu acreditava ser o melhor para a Santa Casa, mas que não foi a visão escolhida.

Diagnóstico – O senhor é a favor de uma intervenção no comando da Santa Casa? 
Setúbal – Não estudei o assunto, mas acredito que uma intervenção seria uma medida drástica e só aconteceria na descoberta de fatos muito graves.

Diagnóstico – Há uma crítica comum sobre a incapacidade de médicos em gerir grandes serviços de saúde, principalmente quando o profissional continua exercendo a atividade médica. Poderia comentar?
Setúbal – Muitos hospitais privados e públicos são bem administrados por médicos, e muitos possuem administradores hospitalares que não são médicos. Acredito que a pessoa que está na administração de um hospital ou de uma empresa necessita estar preparada para esta função, não importando a faculdade que tenha cursado.

Diagnóstico – Por que o senhor acha que não conseguiu ser eleito?
Setúbal – Acredito que as minhas ideias eram muito inovadoras para a Santa Casa. Muitas pessoas tinham medo que as mudanças pudessem afetá-las e outras se sentiam em dívida com o atual provedor.

Diagnóstico – O senhor é a favor de uma mudança na lei para permitir que provedores recebam salários?
Setúbal – Sou presidente de uma fundação e não recebo remuneração como nenhum presidente de fundação. No caso do provedor, ele não é o responsável pela administração, papel que cabe ao superintendente, que é um profissional contratado para isso. Na campanha, falávamos em reestruturação da governança corporativa baseada nas orientações do IBGC. Sou contra o amadorismo, acho que todos que cumprem funções profissionais devam receber por isto.

*Leia a entrevista completa na edição 26 da revista Diagnóstico.




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