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14/10/13
Entrevista: setor médico-hospitalar tem um alto índice de corrupção
Susana Falchi, da HSD Consultoria, aponta a necessidade de mapear o perfil dos executivos que entram para o ramo
Da redação


Susana Falchi, da HSD Consultoria: pesquisa com 5.000 executivos de 135 empresas das Américas, da Europa e da Ásia (Flavio Guarnieri/Divulgação)

Integrante do Comitê de Recursos Humanos do Instituto Brasileiro de Gestão Corporativa, a consultora Susana Falchi coordenou recentemente uma pesquisa com 5.000 administradores de  empresas, de 135 corporações, na Ásia, Europa e Américas. E o resultado foi inquietante. Cerca de 20% dos executivos entrevistados cometem desvios de conduta. Uma definição ampla, que inclui desde assédio moral ao pagamento de propinas a funcionários públicos para conseguir contratos. Prática comum, segundo a pesquisa, e que está presente em setores-chave da sociedade, a exemplo do mercado de saúde. Curiosamente, Susana afirma que em muitos casos as empresas contratam pessoas com esse perfil especificamente para fazer o trabalho sujo junto a governos, sem manchar o nome da organização interessada. E duvida que casos como o escândalo do metrô de São Paulo, envolvendo a Siemens e a Alstom, ocorram sem a anuência das matrizes das empresas. “São ações que precisam ter a aprovação externa, especialmente quando envolvem bilhões de reais”, disse à Diagnóstico a executiva, que é CEO da HSD Consultoria.

Os executivos sul-americanos são mais corruptos quando comparados a americanos e europeus?
Os dados da pesquisa não permitem essa comparação, mas o cenário brasileiro é altamente permissivo em razão da impunidade. Justamente por isso é importante que no ambiente empresarial exista um controle, um código de conduta dizendo o que acontece quando um executivo age de modo não ético. 

É possível acreditar que, num caso como o da Siemens e da Alstom, a alta direção da empresa não saiba sobre as ações pouco éticas da matriz no Brasil?
Está comprovado que em uma série de resultados (de licitações) há relações, estratégias envolvidas. Episódios que acontecem no Brasil e que, quase sempre, não aconteceriam em nações onde as leis são mais severas. Justamente pela complexidade, episódios como esse precisam ter aprovação externa, especialmente quando envolvem bilhões de reais. Há corporações, inclusive, que fazem isso de forma contumaz – em alguns casos, chegam a contratar executivos para executar o trabalho sujo, como pagar propina em nome da empresa para que ela não apareça.

É comum premiar executivos que descumprem as leis em benefício da organização?
É difícil afirmar, porque não é algo feito às claras. O que observamos, e a pesquisa mostra isso, é que da totalidade das pessoas que atingiram o topo da carreira, 20% apresentavam desvio de caráter. Em algum momento, se presume, elas foram valorizadas por isso. Eu já ouvi do presidente de uma companhia a seguinte declaração: ele nos rouba, mas traz resultados. 

Isso explica por que é tão difícil para uma corporação admitir publicamente que um executivo foi demitido por desvio de conduta?
Em uma empresa de capital aberto, por exemplo, isso pode inclusive comprometer a credibilidade de mercado dessa empresa para investidores externos. Então, esses assuntos são tratados de forma absolutamente sigilosa. 

Há formas de minorar os riscos de uma gestão fraudulenta?
Uma sugestão é mapear o perfil comportamental das pessoas que estão dentro dessa gestão. É possível conseguir, através de uma metodologia específica, identificar pessoas com desvio de caráter. É sempre recomendável a realização de uma auditoria nesses ambientes.

Que segmentos econômicos estão mais propensos a desvios de conduta dos executivos?
Todas essas empresas que atuam muito com o governo acabam incorrendo mais nesse tipo de comportamento. A pesquisa não indica isso, mas a gente observa que essas empresas tendem a buscar mais profissionais que sejam flexíveis em relação à conduta ética.

Como os gestores de hospitais podem se precaver de maus executivos?
As fraudes no setor de saúde, que tem um índice de corrupção acentuado, são muito complexas e não se limitam à gestão. Conheço o setor e, como qualquer outro, há pessoas muito sérias e outras nem tanto. O comissionamento de médicos para usar determinados equipamentos e  o duplo faturamento de produtos são exemplos sabidos de má conduta no setor. Não sei o quanto os órgãos fiscalizadores estão preparados para fazer o controle. No que tange aos executivos, é mais do que importante mapear o perfil de quem se candidata a uma vaga no setor médico-hospitalar.

Entrevista publicada na revista Diagnóstico n° 22.



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