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28/01/15
Especialista irá coordenar inclusão de Bioética na saúde
Indicado pelo Cremesp, cardiologista Max Grinberg acaba de lançar um blog na internet para fortalecer o debate da ética no setor
Eduardo César

O professor e cardiologista Max Grinberg foi indicado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP), para coordenar o trabalho de inclusão da Bioética na comunidade médica. Diretor da Unidade de Válvulas do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Incor - HC FMUSP) e membro do conselho do Cremesp, Grinberg acaba de lançar o blog Bioamigo, cujo objetivo é se tornar um fórum para reflexão de questões éticas frequentes na vida dos profissionais de saúde. Área do conhecimento voltada para o estudo, reflexão e discussão de questões éticas e morais na medicina, a Bioética é o principal tema do blog e o objetivo será o de refletir questões como conceito que Grinberg denominada de "Bioética da beira do leito”. "Trata-se de uma metáfora sobre cuidados na relação entre o médico e o paciente, sobre como cuidar melhor da saúde nesse tipo de relação", disse Grinberg, em entrevista ao portal Diagnósticoweb.

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Diagnósticoweb – O que significa o conceito "Bioética da beira do leito"?
Max Grinberg – A Bioética, de uma forma abrangente, é a ética da vida. É um termo que se refere a como conviver melhor com a natureza. A expressão "beira do leito" é mais específica para o caso da medicina. Trata-se de uma metáfora sobre cuidados na relação entre o médico e o paciente, sobre como cuidar melhor da saúde nesse tipo de relação.

Diagnósticoweb – Quais são os principais dilemas éticos que os médicos precisam lidar durante o exercício da profissão?
Grinberg – Os dilemas éticos mais importantes são aqueles em que há, na medicina, um acervo a ser aplicado. Ou seja, aquilo que poderia ser útil e eficaz para determinada situação de um paciente, e essa é a base da "Bioética da beira do leito". Ao mesmo tempo, sabemos que qualquer método pode implicar em enganos, que são as adversidades. Há também o respeito às preferências e valores do paciente. O médico pode recomendar aquilo que ele acredita ser o melhor, mas ele precisa analisar se esse "melhor conceitual", que é o que a medicina fornece, é o melhor para a individualidade do paciente. Precisa saber se, em alguma circunstância, esse método poderia causar danos ao paciente e, ao mesmo tempo, precisa respeitar a vontade do paciente. E esse é um dos conflitos mais importantes que a "Bioética da beira do leito" aborda, porque é o que acontece no dia a dia. É o que eu chamo também de "crise da beira do leito", em que o médico recomenda algo, mas o paciente e, inclusive seus familiares, entendem de outra maneira, não necessariamente em concordância com o médico. O médico não deve executar nada que não seja com o consentimento do paciente, a não ser em caso de emergência. 

Diagnósticoweb – Durante a formação, os médicos brasileiros são preparados adequadamente para esses dilemas éticos e morais que vão enfrentar na prática?
Grinberg – Sim e não. Na Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, desde o primeiro ano, existe no currículo acadêmico a disciplina Bioética. O problema é que, a motivação para entender o que realmente é importante e viver na prática essas dilemas, isso só vai acontecer depois que o profissional está formado. Esse processo de aprendizado também é fundamental durante a residência médica e deve acontecer à medida em que o profissional ganha experiência. E é nesse momento que o médico passa a perceber a importância da Bioética para a resolução desses "conflitos na beira do leito". Muitas faculdades no país já têm a disciplina Bioética inserida no currículo acadêmico. O problema é que essa questão, muitas vezes, está num plano secundário, e isso acontece porque, em alguns casos, o profissional em formação está mais preocupado com a parte técnica, que é operar, receitar um remédio, chegar a um diagnostico. Portanto, isso depende da maturidade do profissional.

Diagnósticoweb – Como a Bioética se relaciona com os avanços tecnológicos na medicina? As novas tecnologias trazem novos problemas éticos?
Grinberg – As novas tecnologias significam novos benefícios, mas também novos potenciais de adversidades. Portanto, elas precisam ser analisadas. É uma relação benéfica e eficaz do ponto de vista conceitual, mas que também pode trazer alguns danos. Além disso, é preciso também individualizar, porque o que acontece com um paciente pode não acontecer com outro. Então, à medida que acontece o progresso da medicina, novos dilemas surgem, como nos casos da células troncos e genoma. E todas essas novidades abrem um leque de novos conflitos, dilemas e necessidades para se entender melhor as questões éticas. E para isso, a Bioética é um fórum extremamente apropriado para essa discussão, pois associa a questão técnica e científica com a questão humana. 

Diagnósticoweb – Os médicos sabem lidar com questões como a morte? Como é a relação entre médicos e pacientes terminais?
Grinberg – No Brasil, essa questão tem evoluído muito bem. Além disso, é uma tendência. Em 2010, passou a vigorar no novo Código de Ética Médica o conceito de Ortotanásia, uma forma mais humana de lidar com a fase terminal do paciente, como por exemplo, não insistir em procedimentos invasivos quando se souber que eles serão inúteis. Esse conceito, no inicio, foi muito combatido pela população em geral, visto como uma forma de incitação ao homicídio. Então, é uma discussão que está evoluindo bem, um processo que está sendo bem discutido e eu acredito que a tendência é positiva.
 
Diagnósticoweb – Pode-se dizer que a medicina enfrenta uma crise ética devido às recentes notícias sobre "máfia das próteses"? Como o Sr. percebe essas denúncias através dos meios de comunicação?
Grinberg – Isso, na verdade, está lidando com exceções. Não é o padrão ético do médico brasileiro. São situações que de fato acontecem em muitos países. Mas, com certeza, o medico brasileiro tem uma preocupação ética muito forte. E, como todas as profissões, há desvios que precisam ser ajustados. Mas não podemos falar em uma crise ética. Muito pelo contrário. Atualmente, o jovem está cada vez mais informado sobre ética e a Bioética é um alicerce muito importante, porque é pedagógica, é uma ferramenta para tentar evitar que esses tipos de desvios aconteçam.



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