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20/05/14
Ética: Falar sobre erros médicos com os pacientes é importante
Em artigo publicado no The New York Times, médico Dhruv Khullar reflete sobre o erro médico e defende que profissionais iniciantes sejam treinados para enfrentar este tipo de situação
Da redação

"Sinto muito. Eu errei". Essas palavras são duras de dizer, principalmente para um médico, aidna mais quando significa a vida de um paciente. Dhruv Khullar, médico residente no Massachusetts General Hospital e Harvard Medical School, conta, em artigo publicado no The New York Times, que já enfrentou situações semelhantes e que o problema é mais comum do que se imagina.

há alguns anos, Khullar admitiu em uma emergência uma paciente jovem com vômitos e febre. Por vários dias ela sentiu os sintomas que sugeriam uma infecção urinária que já haviam atingido os rins. "Então, começamos um tratamento com tobramicina, um antibiótico com efeitos colaterais potentes. Mais tarde, soubemos que ela já havia recebido uma dose na emergência - e isso era preocupante, porque isso aumentava o risco de prejudicar os rins". Segundo Khullar, não houve danos e o paciente logo saiu do hospital recuperado. 

Mais tarde, ele revelou que a paciente afirmou que preferia não saber sopbre o episódio da dupla dosagem. "Não tinha lhe causado qualquer dano, além da ansiedade de uma internação assustadora". Para Khullar, as pesquisas sugerem que a maioria dos pacientes preferem saber se um erro ocorreu. "Mas a resposta da minha paciente revela a complexidade do tema".

Em novembro de 1999, o The Institute of Medicine (IOM) publicou o relatório “To Err is Human: Building A Safer Health System” ("Errar é humano: construíndo um sistema de saúde mais seguro", em tradução livre), considerado um marco na história da medicina. A pesquisa revelou que cerca de 98 mil mortes ocorrem a cada ano nos EUA por causa de erros médicos -- a quinta causa de morte mais comum no país. "Apesar dos esforços de melhoria da qualidade serem substanciais, a questão dos erros médicos continua generalizada", escreveu Khullar.

Em 2010, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (United States Department of Health and Human Services - HHS), que pretende proteger a saúde de todos os estadunidenses e prover serviços humanos essenciais, constatou que um em cada sete beneficiários do Medicare experimenta um "evento adverso", durante internamentos. "Metade dos problemas são claramente ou provavelmente evitáveis", afirma Khullar. 

Segundo ele, um evento adverso pode ser, por exemplo, o efeito colateral de um medicamento. Isso nem sempre é considerado um erro médico, e o dano pode acontecer. A maioria desses eventos resultam em danos leves ou temporários. "Por outro lado, os erros que acabam sendo divulgados, como operar o doente ou o corpo errado, são extremamente raros".

"O que se tornou cada vez mais claro é que falar sobre os erros médicos com os pacientes é importante", escreve Khullar. O médico cita um estudo da Universidade de Michigan. O trabalho revelou que, após instituir uma política para melhorar a transparência e a divulgação aberta de erros médicos, houve menos processos, redução de custos e uma resolução mais rápida dos créditos. 

Em geral, outros trabalhos apoiam a ideia de que a divulgação rápida e o pedido de desculpas reduzem a probabilidade de ação legal. "Isso mostra que tanto eticamente, quanto legalmente e financeiramente, vale a pena ser sincero questões que envolvel erros médicos. 

Há poucos debates sobre a questão de se revelar erros médicos graves. "Mas o que dizer de pequenos erros, com danos mínimos, ou erros técnicos, sem consequências clínicas? E as falhas médicas devem ser divulgadas assim que eles ocorrem, ou após as causas e consequências serem totalmente compreendidas?", questiona.

Um colega de Khullar relatou recentemente a história de um paciente idoso com pneumonia. Ele foi medicado com antibiótico e, ao acordar, não conseguia mover metade do seu corpo e a família ficou indignada. "Tudo indicava que o derrame fora resultado de um erro médico. Mas uma tomografia computadorizada revelou um coágulo - que induziu o paciente ao derrame". 

Khullar cita pesquisas que sugerem que pacientes e médicos têm visões diferentes sobre o que exatamente deve ser divulgado e como deve ser feito em relação aos erros. Os pacientes querem a divulgação de todos os erros nocivos, por que o eles acontecem, as conseqüências e como falhas semelhantes poderão ser evitados no futuro. Eles definem erro médico como desvios de padrões de atendimento, eventos adversos e pobres. Depois de um erro, eles esperam apoio emocional de médicos e um pedido de desculpas explícito.

Já médicos definem os erros de uma forma mais específica: como desvios significativos dos padrões de cuidados aceitaveis. Eles se referem a "quase acidentes" e escolhem as palavras cuidadosamente. Eles também costumam evitar, segundo Khullar, discutir por que um erro aconteceu ou como podem ser evitados, e alguns ainda temem que um pedido de desculpas possa aumentar as chances de processos judiciais, mesmo que a pesquisa sugira o oposto. 

O problema é especialmente mais grave com relação aos formandos de medicina, menos seguros de suas habilidades e mais preocupado com as avaliações e suas suas reputações. Mais de três quartos dos estudantes de medicina do quarto ano e quase todos os residentes já relataram envolvimento em algum tipo de erro médico. Mas apenas um terço deles disseram que receberam instruções formais perante a divulgação do erro. Como resultado, muitos estagiários não se sentem confiantes em divulgar erros médicos, e suas atitudes sobre a questão variam muito. 

Um estudo recente questionou se estes estudantes de medicina e residentes divulgariam erros graves. cerca de 43% dos entrevistados disseram que "definitivamente", e 47% que "provavelmente". O restante indicou que faria apenas se solicitado pelo paciente. "É notável que os estagiários que tinham sido ensinados a divulgar erros médicos estavam mais dispostos a fazê-lo".

O estudo também constatou que, na medida em que os estagiários avançam, eles se tornam mais propensos a divulgar um erro, mas menos propensos a pedir desculpas explicitamente por um erro ou discutir como as ocorrências poderiam ser evitadas - dois componentes que, para os pacientes, são importantes para a divulgação de erro. 

"Um pedido de desculpas sincero e um plano de prevenção de erro podem oferecer aos médicos uma oportunidade de converter um evento infeliz em uma conversa produtiva, ou até mesmo no fortalecimento da confiança entre médico e paciente. Esta abordagem também pode reduzir a incidência de ações judiciais, já que muitos pacientes citam a insensibilidade e um desejo de evitar erros semelhantes como fatores de motivação para uma ação legal", escreveu Khullar.

Para Khuller, "os erros médicos são uma parte inevitável da medicina". Até mesmo os melhores profissionais são passíveis de cometer erros. "Mas é importante que eles sejam treinados para falar sobre esses erros, assim como eles são treinados para dar más notícias, por exemplo.

Para ler o artigo completo (em inglês) clique aqui.




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