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31/01/14
Ética na saúde é uma questão de defesa da vida, afirma consultora
Em artigo inédito para a revista Diagnóstico, Rosemary Gibson, do Hastings Center, defende mais transparência com o dinheiro público investido na saúde
Rosemary Gibson, de Washington (EUA)


Rosemary Gibson é consultora sênior da Hastings Center e autora de “Treatment Trap” (A Armadilha do Tratamento) – ainda sem tradução no Brasil (Foto: Divulgação)

Uma das tendências mais significativas do sistema de saúde global é que ele se tornou um grande negócio para as economias nacionais de vários países. Assim, a cadeia produtiva do setor vem fornecendo capitais de investimento valiosos que permite a manufatura e a distribuição de produtos e serviços para salvar vidas. Mas, por trás dessa dinâmica, há uma série de consequências não intencionais que podem ocorrer e inviabilizar o objetivo fim de médicos, hospitais e indústria: a cura.

Uma das consequências não intencionais nos EUA – e que vem atingindo praticamente todas as nações do mundo, inclusive o Brasil – é que as pessoas estão correndo alto risco de tratamento excessivo. O Institute of Medicine of the National Academy of Sciences define o supertratamento quando o potencial dano de um serviço de saúde supera o possível benefício. Como resultado, estes danos em saúde têm se tornado a principal causa de mortalidade nos EUA.

As investigações conduzidas pelo Congresso norte-americano, por exemplo, confirmaram casos em que os médicos realizaram cirurgias cardíacas em pacientes que não tinham cardiopatias. A apuração revelou acordos de benefícios mútuos entre médicos e companhias que fabricam os stents usados no procedimento. Além disso, o hospital se beneficiou com o aumento da receita. Após as denúncias de um paciente para autoridades federais e a realização de uma investigação, um médico perdeu sua licença e o hospital teve que pagar uma multa multimilionária.

Enquanto o tratamento excessivo é comum, a acusação é algo raro. A capacidade dos funcionários do governo de se prevenir e reprimir fraudes é sobrecarregada pela sua grandeza, segundo relatado no livro Medicare Meltdown.

Uma pesquisa realizada pela American College of Physician Executives, cujos membros estão em cargos de liderança em hospitais e grupos médicos, revela que o supertratamento é generalizado. Oitenta por cento dos entrevistados disseram que estavam muito ou moderadamente preocupados sobre o tratamento excessivo oferecido pelos seus colegas aos pacientes para aumentar suas rendas. Quando perguntados se seus colegas estavam admitindo inapropriadamente pacientes para aumentar as receitas dos hospitais, 54% dos entrevistados disseram que estavam muito ou moderadamente preocupados com esta prática. 

Infelizmente, os funcionários do governo têm sido tão enfraquecidos pelo poder político da indústria de saúde que não têm autoridade e recursos para ser proativos, evitar fraudes e para agir, mesmo em casos óbvios e com provas incontestáveis. Consequentemente, muitas pessoas são prejudicadas com o tratamento médico excessivo, conhecido pelo termo em inglês overuse: cirurgias do coração desnecessárias, cirurgias de coluna, histerectomia e prostatectomia; remédios desnecessários incluindo antibióticos, antidepressivos e antipsicóticos, exposições desnecessárias à radiação para exames de tomografia computadorizada e ressonância nuclear. 

Os jornalistas e a mídia têm realizado um serviço público valioso ao publicar regularmente reportagens investigativas sobre o overuse e os erros médicos nas primeiras páginas dos maiores jornais e portais de notícias, incluindo o The New York Times, Wall Street Journal, USA Today, Bloomberg e ProPublica. Centenas e até mesmo milhares de leitores respondem aos comentários online, geralmente dividindo suas próprias histórias sobre o tratamento excessivo. Até os médicos e enfermeiros compartilham suas experiências.

No entanto, pouco tem sido feito para conter o supertratamento. O motivo é que as autoridades do governo esperaram muito para agir. O Institute of Medicine estimou que 30% dos gastos na área nos EUA, equivalente a US$ 750 bilhões anualmente, não agregam valor à saúde das pessoas e são usados em tratamentos excessivos, ineficiências e fraudes.

Leia o artigo completo na revista Diagnóstico n° 23.



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