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11/10/12
Em Pernambuco, gestores debatem excesso de pacientes nas urgências e emergências
Falta de investimento, mudança no perfil da população e aumento no número de beneficiários de planos de saúde estão entre os problemas apontados
Roberta Meireles, do Recife

Das 270 milhões de consultas realizadas anualmente através de planos de saúde, 26% são para urgências e emergências. Esse dado foi apresentado pelo diretor de Gestão da Agência Nacional de Saúde (ANS), André Longo, durante o seminário Tendências e Perspectivas na Atenção de Urgência e Emergência, Promovido pela Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP) e que aconteceu hoje (11) no Recife, Pernambuco. “Precisamos privilegiar a atenção básica, para prevenir e evitar as doenças e esse inchaço do serviço emergencial”, disse Longo. 

Para o coordenador médico do Hospital Israelita Albert Einstein, Nelson Akamine, o grande problema das emergências está fora delas. “A questão é o sistema de saúde como um todo, que está mal estruturado, mal financiado”, afirmou. Segundo ele, é necessário haver uma melhor distribuição de recursos para a área. “O sistema tem que ser revisto para funcionar de uma maneira mais harmônica. Tem que haver uma redistribuição dos investimentos. A quantidade de investimentos diretos é insuficiente. É preciso equalizar os negócios”, pontuou. 

O secretário de Saúde de Pernambuco de Pernambuco, Antônio Carlos Figueira, apontou três modificações na população que estão influenciando esse aumento pela procura das urgências e emergências. “Temos uma mudança demográfica – a população está envelhecendo , uma nutricional – se antes a desnutrição era um problema, hoje mais de 50% dos brasileiros são obesos – e uma ‘tripla carga’, ou seja, um crescimento de doenças externas, crônico-degenerativas e infecto-contagiosas”, listou. 

A briga dos médicos contra as operadoras de planos de saúde também tem seu peso, de acordo com o diretor-presidente do Hospital Santa Joana e conselheiro da ANAHP, Eustácio Vieira. "A diminuição da rede credenciada de médicos e o aumento do número de beneficiários – entraram mais de 10 milhões nas carteiras em três anos –, ajudam a explicar a crise nas emergências", ressaltou.

Na opinião de Vieira, a redução da rede credenciada de médicos por parte das operadoras de saúde é causada pelas baixas remunerações oferecida por essas empresas. "Os profissionais preferem não atender por planos e os jovens preferem ir trabalhar com a rede pública, que está pagando melhor", explicou. Ele defende uma posição mais efetiva da ANS sobre a questão, principalmente no que diz respeito à liberação de operadoras de planos de saúde. Para ele, planos muito baratos não trazem solução para o problema de saúde no país, que, como o médico lembra, é um dever do Estado.

“A forma de atendimento está diferente. Antes as pessoas buscavam atendimento primeiro nos consultórios, hoje elas vão logo para as emergências”, disse o presidente da ANAHP, Francisco Balestrin. “Hoje as redes emergenciais contam com três fluxos: o real, o dos pacientes que querem facilidade de atendimento e os que não conseguem marcar consulta através dos planos de saúde”. Para ele, esse excesso de demanda precisa ser discutido não só pelos hospitais, mas também pelas autoridades sanitárias e pela sociedade como um todo. “Só os hospitais não vão poder resolver esse problema”.



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