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05/03/15
Haddad descumpre meta e fila para cirurgias vai a 63 mil
Em dois anos, gestão do prefeito não conseguiu cumprir uma de suas principais metas para a Saúde: diminuir o número de pacientes que aguardam por cirurgia
Estado de S. Paulo

São Paulo ­ Em dois anos, a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) não conseguiu cumprir uma de suas principais promessas para o setor de Saúde: diminuir o número de pacientes que aguardam por cirurgia na cidade. Entre dezembro de 2012, último mês do governo Gilberto Kassab (PSD), e o mês passado, a fila para procedimentos cirúrgicos passou de 56.912 para 63.024, o que corresponde a uma alta de 10,7%, de acordo com dados da Secretaria Municipal da Saúde. As informações são do Estado de S. Paulo.

Atualmente, o tempo médio de espera por uma consulta, etapa prévia à realização da cirurgia, é de 289 dias, cerca de nove meses e meio, 33 dias a mais do que o prazo médio de espera registrado em dezembro de 2012. A piora aconteceu mesmo com a inauguração de sete unidades da Rede Hora Certa, criada pela atual gestão para aumentar a oferta de cirurgias.

Em nota oficial, Flavius Augusto Albieri, coordenador da atenção especializada da Secretaria Municipal da Saúde, disse que desde 2013 a fila “se estabilizou” em cerca de 63 mil procedimentos em espera. Ainda segundo Albieri, com os hospitais Dia em fase de construção e outros equipamentos em obras, como o Hospital de Parelheiros, a tendência é de queda. “Oferecemos mais consultas e exames do que antes, o que naturalmente cria mais demanda de cirurgias, porque aquelas pessoas que não teriam um diagnóstico e um encaminhamento, agora têm”, disse o coordenador.

Haddad prometeu durante a campanha entregar 32 unidades ­ uma por subprefeitura ­, com capacidade para realizar 200 procedimentos cirúrgicos por mês. No entanto, os dados oficiais indicam que a meta não foi cumprida em 2014 e, ao todo, 13.374 cirurgias nesses equipamentos foram feitas, ante as 14.400 estimadas.

Na divisão de pacientes pela cidade, a alta de 10,7% foi mais sentida na zona sul, onde nos últimos dois anos o número de pessoas na fila passou de 11,2 mil para 22,2 mil. Levando eva em conta o tempo de espera, as áreas mais críticas são pediatria e ginecologia, onde a espera pela marcação de cirurgia dura até 479 dias ­ é o caso das mulheres da zona leste.

Especialidades - No geral, a fila da saúde caiu 17% em São Paulo. Nos últimos dois anos, a espera por consultas médicas especializadas diminuiu 9% em toda a capital. Já no fim de 2012, 353.181 consultas aguardavam a realização, em fevereiro de 2015, e o número caiu para 321.338.

Mesmo assim, o tempo de espera por alguns procedimentos ainda passa de um ano. Quem mora na zona leste e precisar se consultar com um proctologista, por exemplo, pode ficar até 514 dias esperando atendimento. Na mesma região, a consulta com um psiquiatra pode demorar até 404 dias. Há dificuldade para agendamento até mesmo nas especialidades básicas. Há registro de pacientes que já esperam três meses para se consultar com um oftalmologista. 

Exames - A queda geral foi mais significativa em relação aos exames. O número de pacientes na fila passou de 260.394 para 127.472 mil. O resultado é reflexo dos mutirões realizados no início da gestão Haddad. Ao todo, 108.948 ultrassonografias saíram da fila. De todos os tipos de exame ofertados, aumentou apenas a espera pelo exame das glândulas salivares, que chega a 374 dias na zona leste. Já em relação aos sete exames de diagnose e terapia, a queda foi de 29,8%, passando de 80.224 em espera para 56.250.

Urgência - Oswaldo Yoshimi Tanaka, professor doutor da Faculdade de Saúde Pública da USP, explica que a demora na realização de consultas e exames deveria levar o Município a debater a criação de uma fila prioritária da saúde, onde pacientes mais urgentes seriam transferidos automaticamente para o topo da fila. 

Atualmente, um modelo semelhante é utilizado para seleção das crianças nas creches municipais.

Mesmo assim, para que um novo formato de fila fosse criado, seria preciso, de acordo com Tanaka, terminar a digitalização da rede, que ainda trabalha com fichas de papel. Em seguida, investir na qualidade da consulta, pois o médico precisa de tempo para poder examinar o paciente, solicitar seu histórico e fazer um diagnóstico.

As informações são do Estado de S. Paulo.



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