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12/08/16
Homem procura menos serviço de saúde porque trabalha mais, diz ministro
Afirmação foi desmentida por dados oficiais. Segundo o IBGE, de 2004 a 2014 a quantidade de lares chefiados por mulheres aumentou 67%. Já a estatística de homens cresceu apenas 6% no mesmo período
Da redação

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse, nesta quinta-feira (11), que homens procuram menos os serviços de saúde porque trabalham mais que as mulheres. “É uma questão de hábito, de cultura. Até porque os homens trabalham mais, são os provedores da maioria das famílias. Eles não acham tempo para se dedicar à saúde preventiva”, disse o ministro. 

A declaração ocorreu após o lançamento de uma pesquisa realizada pela ouvidoria do ministério da Saúde em 2015, por telefone, com 6.141 homens cujas parceiras fizeram parto através do Sistema Único de Saúde (SUS). Desse total, 31% dos homens afirmaram que não têm o hábito de ir às unidades de saúde para buscar auxílio na prevenção de doenças. A maioria (55%), justifica que procura mais somente em casos urgentes e não para prevenção e cuidados contínuos. Outros 17,4% alegam utilizar a rede privada e 14,5% reclamam da demora no atendimento.

A declaração foi avaliada como "desastrosa" por assessores e auxiliares presidenciais e aumentou a pressão pela saída de Barros. A afirmação também foi desmentida por dados oficiais. De acordo com o resultado da última Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE, de 2004 a 2014 a quantidade de lares chefiados por mulheres aumentou 67%. Já a estatística de homens cresceu apenas 6% no mesmo período.

O mesmo estudo mostra também que, em comparação aos homens, as mulheres fazem cinco horas a mais de "dupla jornada" – parâmetro que considera a soma do tempo dedicado ao trabalho remunerado fora de casa com as atividades dentro de casa.

Além disso, segundo a pesquisa divulgada pelo próprio ministro, o horário de funcionamento das unidades de saúde foi apontado por apenas 2,8% dos homens como motivo para não irem aos serviços de saúde. A maioria, ou os 55%, justifica que procura somente em casos urgentes e não para prevenção e cuidados contínuos. Outros 17,4% alegam utilizar a rede privada e 14,5% reclamam da demora no atendimento.

Em sua página no Facebook, Ricardo Barros tentou se explicar e disse que se referia ao número de homens no mercado de trabalho, e se desculpou. ""Eu jamais diria que os homens trabalham mais que as mulheres. Quero deixar claro que eu me referia ao número de homens no mercado de trabalho, que ainda é maior. Se fui mal interpretado, me desculpem", postou o ministro.

Polêmicas - Desde que assumiu o ministério da Saúde, há cerca de três meses, o engenheiro Ricardo Barros tem se destacado pelas declarações desastrosas. 

Em maio, Barros usou um argumento religioso para defender a utilização da fosfoetanolamina (pílula do câncer), sem a realização de testes clínicos. Segundo ele, "se o medicamento não tem efetividade, mas as pessoas acreditam, a fé move montanhas", disse. Em seguida, defendeu a inclusão de padres e pastores pelo governo em discussões envolvendo políticas públicas de saúde, como o aborto. 

Além disso, Barros defende abertamente os interesses das seguradoras de saúde -- setor que inclui o maior doador de sua campanha para deputado, em 2014 --, ao sugerir a criação de "planos de saúde populares", com uma cobertura menor do que o mínimo exigido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Planos populares - No início do mês, o ministério da Saúde criou um Grupo de Trabalho para discutir e elaborar o projeto de plano de plano de saúde popular. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União, no último dia 05.

No entanto, o Conselho Federal de Medicina (CFM) criticou a proposta do ministério. Para a entidade médica, os serviços só beneficiariam os empresários da saúde suplementar. Conforme o presidente do CFM, Carlos Vital, a proposta não é solução para o Sistema Único de Saúde, "pois os planos populares seriam limitados a consultas ambulatoriais e exames de menor complexidade".

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) também reagiu contra a proposta. A entidade informou que recebeu o convite do ministério da Saúde, mas que não iria participará do Grupo de Trabalho sobre o plano de saúde acessível. De acordo com Elici Maria Checchin Bueno, coordenadora executiva do Idec, a proposta é "inconstitucional e ilegal, além de ser tecnicamente equivocada e ineficaz para cumprir o objetivo de reduzir os gastos estatais com o Sistema Único de Saúde (SUS)".

Já Solange Beatriz Mendes, presidente da FenaSaúde, associação que representa algumas das maiores operadoras de planos de saúde do país, entende que o setor precisa pensar em novos produtos, já que os custos para as operadoras estão “excessivamente altos”. “Hoje temos custos na saúde acima da capacidade de pagamento da sociedade, tanto de empregadores quanto de pessoas físicas, então temos que encontrar um modelo que atenda a expectativa da população dentro do tamanho do seu bolso”.

Entre maio de 2015 e maio de 2016, o setor de saúde suplementar perdeu cerca de 1,4 milhão de usuários.



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