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15/03/13
Hospital São José (SP) atrai profissionais de ponta
Com apenas dois anos de atividades, unidade que pertence ao grupo Beneficência Portuguesa contratou médicos considerados medalhões e decidiu focar em oncologia
Valor Econômico

O Hospital São José foi fundado há apenas cinco anos e, apesar de pouco conhecido, disputa espaço com os renomados Sírio-Libanês e Albert Einstein na área de oncologia e caminha para ser um forte concorrente também em transplante de fígado. O faturamento da unidade, que pertence ao grupo Beneficência Portuguesa, entre 2010 e 2012, cresceu 181% e um novo prédio para atender a demanda crescente já começou a ser erguido.

O crescimento chamou a atenção. Com apenas dois anos de atividades, o hospital, que fica na cidade de São Paulo, tinha apenas 40% de ocupação mesmo contando com equipamentos médicos e infraestrutura de primeira linha, além de um mercado bastante aquecido. O motivo: faltava identidade.

Para mudar esse cenário, a direção do São José decidiu focar em oncologia. Para isso, fez um movimento pouco comum na área de hospitais. Contratou médicos considerados "medalhões", como Ben-Hur Ferraz-Neto, que deixou o hospital Albert Einstein, e Antonio Buzaid, Fernando Maluf e Riad Younes, que trabalharam no Sírio-Libanês por dez anos. Atualmente, a taxa de ocupação está praticamente no limite e a área de oncologia representa 80% do faturamento.

Entre 2011 e 2012, o número de procedimentos aumentou apenas 1,5% devido à capacidade do hospital, mas a receita, neste mesmo período, cresceu quase 30%, atingindo R$ 135 milhões. De acordo com Fernanda Terracini, superintendente do São José e diretora-financeira do grupo Beneficência Portuguesa, mesmo com o alto custo dos procedimentos oncológicos, o São José é superavitário e esse resultado é revertido para a Beneficência Portuguesa.

Fernanda, que é ex-executiva do HSBC e Bank Boston, tem desafios bem distintos de um banco. Segundo ela, ao contrário do que se imagina, nem sempre o cliente particular é mais rentável do que o paciente do convênio médico. "O risco de inadimplência no particular é mais alto, principalmente, em casos de tratamento de longa duração e pouca expectativa de vida. É uma situação delicada porque não podemos interromper o tratamento médico por falta de pagamento", diz.

Por trás do plano estratégico, está a família Ermírio de Moraes, que há quase quatro décadas administra o grupo Beneficência Portuguesa. O São José foi idealizado por Antônio Ermírio de Moraes, que pretendia um hospital geral premium. Os ganhos deste seriam revertidos para a Beneficência (conhecido como Hospital São Joaquim), que possui 60% de seus atendimentos realizados via Sistema Único de Saúde (SUS). Rubens, filho de Antônio Ermírio, comandou o projeto de expandir a área de oncologia.

Os valores para atrair os médicos do Sírio não foram reveladas, mas a negociação levou um ano para ser concluída e incluiu a construção de um prédio exclusivo para combate ao câncer. O projeto é liderado por Buzaid, que acompanha de perto cada detalhe. "Tenho um lado arquiteto. Meu apelido é 'chateast' (o mais chato)", brinca Buzaid, ao mostrar a planta do projeto da nova torre do São José. "Pedi para tirar as floreiras da fachada porque seria necessário um 'spiderman' (homem aranha) para rega-las. Já os corredores terão um dente na parede para colocar um móvel com flores", exemplificou o médico formado pela USP e ex-diretor da prestigiada instituição de saúde americana MD Anderson Cancer Center.

O cirurgião especializado em transplante de fígado Ben-Hur Ferraz-Neto é outro médico de grande prestígio que chegou ao São José recentemente. Durante quase dez anos, o médico trabalhou no Einstein, onde foi um dos responsáveis por transformá-lo no maior hospital de doenças hepáticas do país, com cerca de 200 transplantes por ano. A meta de Ben-Hur é bater esse número no São José nos próximos dois anos. Para isso a Beneficência Portuguesa inaugurou, em janeiro, o Instituto do Fígado, com 48 leitos e investimento de cerca de R$ 5 milhões. 

O Instituto do Fígado é compartilhado com o São José. "Aqui posso, atender plenamente todos os tipos de público, desde convênio médico, particular e, principalmente, pacientes do SUS. No Einstein, não tinha essa perspectiva", disse Ben-Hur. No Brasil, todos os transplantes de fígado são realizados por meio do SUS devido à fila de espera do órgão. Já o tratamento hepático é pago apenas por alguns planos de saúde, uma vez que não é um procedimento obrigatório.

*As informações são do Valor Econômico.



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