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07/08/15
Hospital São Luiz (SP) é condenado por abuso sexual
Técnico de enfermagem teria assediado paciente enquanto ela estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Decisão é em primeira instância e o hospital pode recorrer
Agência Estado

O Hospital São Luiz, que pertence à rede D'Or, foi condenado pela Justiça de São Paulo a pagar uma indenização de R$ 78,8 mil a uma paciente. Ela afirma ter sido abusada sexualmente por um técnico de enfermagem na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em novembro de 2014. A decisão é em primeira instância e o hospital pode recorrer. As informações são da Agência Estado. 

A vítima, uma mulher de 23 anos, que deu entrada na UTI do hospital no dia 10 de novembro do ano passado, foi examinada e transferida para a UTI e, três dias depois teria sido abusada pelo funcionário. Ademar Gomes, advogado da vítima, afirma que ela foi diagnosticada com pneumonia e ficou seis dias internada no local.  

Na sentença, há a informação de que, após ser medicada, a paciente foi acariciada nas pernas pelo técnico de enfermagem, que também teria colocado a mão dentro da calcinha. A paciente afirmou também que notou que o homem entrava no banheiro quando ela tomava banho. Sendo que ela estava lúcida e tinha autonomia para ir ao toalete.

Ainda de acordo com a sentença, a defesa do hospital questionou a acusação, alegando que a unidade possui câmeras e que a paciente tinha uma campainha à disposição, em seu leito, e que ela era observada constantemente por todos os profissionais que circulam pela UTI. Além disso, conforme a defesa, as acusações da paciente em relação à conduta do profissional no banheiro pode ter sido fruto de uma "interpretação equivocada".

Em nota, o hospital informou que não pode emitir um posicionamento sobre o caso, por motivo da determinação judicial de segredo de Justiça. O julgamento foi realizado no dia 21 de julho. Aainda segundo a defesa, o fato de a vítima não ter reagido à abordagem supostamente inadequada" causou estranheza.

Mesmo afirmado na sentença que o funcionário não apresentou atitudes irregulares com a paciente, o homem acabou sendo demitido porque, segundo informações do hospital, ele não havia anotado informações no prontuário da paciente.

Após receber alta, a vítima prestou queixa na Delegacia de Defesa da Mulher. Segundo Gomes, ela estava internada com pneumonia na UTI do hospital e ficou traumatizada com o assédio.

Segundo uma testemunha, o funcionário admitiu ter tocado nas coxas da mulher, mas que isso teria sido feito para a checagem do pulso dela. A mesma testemunha disse que o procedimento não é o adequado e que o funcionário contou ter tocado na vítima sem as luvas, uma atitude que não condiz com a rotina hospitalar. Outras duas funcionárias da unidade disseram que a paciente reclamou do comportamento do técnico de enfermagem.

Segundo uma fisioterapeuta, a vítima também relatou que teve as partes íntimas tocadas pelo funcionário. Outra profissional informou que a jovem "parecia abalada e inclusive chorou".

O juiz Marco Antonio Botto Muscari, da 4.ª Vara Cível da capital, determinou o pagamento de R$ 78,8 mil, com juros de 1% ao mês e 15% de honorários advocatícios. A defesa informou que entrará com recurso por considerar o valor pequeno e pedirá R$ 150 mil.



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